sábado, 1 de fevereiro de 2014

"PÚLPITO LIVRE" com: ADRIANO SARNEY

Adriano Sarney, representante da terceira geração da família Sarney no Maranhão

Por Hugo Freitas

Conforme anunciado em post anterior, o Blog do Hugo Freitas apresenta ao público, na estreia da coluna "Púlpito Livre", uma polêmica entrevista com Adriano Sarney, filho de Sarney Filho (PV), sobrinho da governadora Roseana Sarney (PMDB) e neto do senador José Sarney (PMDB).

O jovem José Adriano Sarney é o representante da terceira geração da família Sarney. Formado em economia e administração, ele preside o diretório municipal do Partido Verde no Maranhão e pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa nas próximas eleições.

Esta será a primeira disputa eleitoral do neto de Sarney, que nunca ocupou nenhum cargo político.

Em entrevista exclusiva concedida a este jornalista, Adriano Sarney fala sobre sua vida, formação acadêmica, estudos no exterior, atividades profissionais e o desejo de ingressar no cenário político maranhense.

Além disso, Adriano fala também sobre o pedido de impeachment da governadora, arquivado pelos aliados de Roseana na Assembleia, sobre a situação do sistema carcerário e a crise na segurança pública, bem como analisa o nome de Luís Fernando como candidato do grupo Sarney ao Governo do Estado, a oposição e o nome de Flávio Dino nessa disputa, além de explanar o que pensa sobre a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, seu partido, o PV, o PT e a presidente Dilma e o significado que é carregar tatuado na veia o sobrenome "Sarney".

Boa leitura!

"Quero poder executar as minhas propostas e ideias e ajudar o meu Estado, para isso acredito que a melhor maneira é participando do processo democrático, colocando-me a disposição do povo do Maranhão para representá-lo na Assembleia Legislativa".

Quem é José Adriano Sarney? Conte um pouco sobre a sua trajetória.

Nasci em São Luís do Maranhão, sou filho de um político e de uma antropóloga, ambos ambientalistas. Na minha infância, entre São Luís e Brasília (onde meu pai trabalha), convivi com pessoas das mais variadas classes sociais. Na Capital Federal o Niemeyer projetou as superquadras, onde eu vivi, pensando em um espaço para que as crianças, todas, independentemente de sua classe social, pudessem conviver brincando e aprendendo juntas. Em São Luis não foi diferente, a minha casa no Turu era cheia de gente o tempo todo para falar com meu pai, fiz muitos amigos com os quais convivo até os dias de hoje.

Estudei em uma escola bilíngue em Brasília o que me despertou para outras culturas e me levou a buscar uma formação acadêmica em universidades fora do Brasil. Morei na França onde cursei administração e economia, presenciei a introdução da moeda única europeia, o Euro, e tive a honra de estudar na Sorbonne, faculdade pública e símbolo do país. Fiz também um ano de pós-graduação em gestão em Harvard, nos Estados Unidos. O crescimento intelectual e a visão humanista que adquiri na Europa se juntaram ao pragmatismo americano - um equilíbrio necessário. De volta ao Brasil, fui trabalhar em um Banco em São Paulo. Contudo, o meu lado idealista e humanista, me levou a optar também pela luta política no Maranhão, afinal, sempre tive como a minha maior motivação o retorno ao meu Estado, às minhas origens, e a chance de poder ajudar e fazer a diferença na vida das pessoas.

Você é empresário e tem formação em economia. Por que você pretende entrar para a vida política?

Vale destacar que além da minha formação em economia tenho formação em administração com pós-graduação em gestão. Minhas atividades privadas, como investidor e empreendedor são o meu sustento, já na política busco exercer os meus ideais. Acredito que a melhor maneira de desenvolvermos o nosso Estado é investindo tempo, recursos, capital humano e intelectual na consolidação das cadeias produtivas de atividades nas quais temos aptidão econômica e viabilidade financeira. Fomentar a iniciativa privada é a fórmula para um desenvolvimento sustentável com inclusão social e, principalmente, para a redução da dependência da máquina pública.

Você vai disputar uma vaga de deputado estadual. Por que você deseja ser deputado?

Minha força é a minha capacidade de trabalho, estudei e me preparei para realizar, da melhor maneira possível, um sonho. Quero poder executar as minhas propostas e ideias e ajudar o meu Estado, para isso acredito que a melhor maneira é participando do processo democrático, colocando-me a disposição do povo do Maranhão para representá-lo na Assembleia Legislativa.

"Somos o segundo maior partido do Estado (PV), menor apenas que o PMDB que é o partido da governadora".

Qual a avaliação que você faz do Partido Verde no Maranhão?

Muito positiva, somos o segundo maior partido do Estado, menor apenas que o PMDB que é o partido da governadora. O PV, com os seus ideais e a liderança do Deputado Sarney Filho, conseguiu se consolidar no Maranhão como um grande e respeitado Partido. Continuamos trabalhando no sentido de manter nossas principais lideranças e também de ampliá-las com ações como, por exemplo, a estruturação do PV Jovem e do PV Mulher, que se constituem em diretrizes da executiva nacional.

E a nível nacional, depois da saída de Marina Silva?

O PV tem seu brilho próprio, levantamos importantes bandeiras e temos uma postura independente. É muito provável que lancemos um candidato para a Presidência da República.

Como você analisa a conjuntura política nacional referente às eleições presidenciais?

Acredito que mesmo com todo o desgaste do PT na mídia nacional e dos problemas na economia a Dilma vai ganhar as eleições, pois tem importantes aliados e adversários não consolidados.

"[Ser membro da família Sarney] significa uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo um desafio".

Você carrega em seu DNA um dos sobrenomes mais controversos da política brasileira: “Sarney”. O que isso significa para você?

Significa uma grande responsabilidade e ao mesmo tempo um desafio. Quebrar a barreira do preconceito e firmar uma identidade própria é tarefa difícil. Mas, o combate é o que nos move. A minha bagagem, cultural e acadêmica, é o que tenho de mais importante para disponibilizar àqueles que me veem como opção política para representá-los.

Qual a avaliação que você faz sobre o governo Roseana Sarney, após a onda de ataques que vitimou a menina Ana Clara e colocou o Maranhão no noticiário nacional e internacional?

Fiquei muito chocado com a morte da menina Ana Clara. Os problemas enfrentados pelo Maranhão não são inerentes apenas ao nosso Estado, são problemas também de âmbito Nacional. Todos tem a sua responsabilidade, os Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, assim como o Ministério Público. Temos presos hoje que cumprem pena sem terem sido condenados ou aqueles que já cumpriram as suas penas e ainda estão presos, e essa realidade não ocorre só aqui. Temos que levar em consideração que o nosso Código Penal ainda é de 1940, um grande absurdo e comprova que o Poder Legislativo também tem que fazer a sua parte. Por sua vez, o Governo Federal precisa implementar políticas públicas eficazes no combate ao tráfico de drogas que hoje é um problema de saúde pública e que afeta diretamente a segurança de todo o território nacional. Então, vejo que não há só um responsável por essa situação, faz-se necessário a mobilização e uma força tarefa a nível nacional para mudar a realidade do nosso País. Achar que o problema é apenas do Maranhão é um grande equívoco.

Qual sua visão sobre o pedido de impeachment, por duas vezes barrado na Assembleia pelos aliados da governadora?

Esse pedido de impeachment dos advogados paulistas foi uma manobra da oposição para gerar notícia. O que me causa surpresa é que esses advogados não moram aqui, não trabalham aqui e muito menos votam aqui, mas acham que podem interferir no nosso Estado. Eu amo o Maranhão e defenderei o meu Estado sempre, diferentemente dos que preferem chamar aqueles que defendem o Maranhão de “nazistas”, o que eu acho um desrespeito. Mas, vivemos em um Estado democrático onde todas as opiniões, ainda que esdrúxulas, podem ser expressas nos meios de comunicação.

Qual sua visão sobre a candidatura ao governo estadual do secretário de infra-estrutura, Luís Fernando?

O Luís Fernando é um gestor com reconhecida competência e experiência administrativa. Indiscutivelmente, ele é o candidato mais preparado. Na grande Ilha já está tecnicamente empatado com os outros candidatos. A tendência é crescer ainda mais devido a influência de seu excelente trabalho no município de São Jose de Ribamar. Na região Tocantina, área de grande resistência oposicionista, o Luís Fernando está crescendo e tem como forte aliado o Prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que é uma grande liderança na região. Em alguns municípios ele já lidera nas pesquisas mesmo nunca tendo disputado eleições para o Governo. Acredito em seu nome e na sua capacidade de administração.

"Considero a candidatura de Flávio Dino legítima e necessária para o fortalecimento da nossa democracia. Daí a acreditar que isso possa vir a representar em um bom administrador, vai uma grande distância. [Flávio Dino] aposta na lógica do quanto pior, melhor – a meu ver, a pior forma de se fazer oposição.".

Qual sua análise sobre o campo de oposição no Maranhão. Como você enxerga a candidatura de Flávio Dino ao governo estadual?

Considero a candidatura de Flávio Dino legítima e necessária para o fortalecimento da nossa democracia. Como ex-juiz e advogado foi um bom legislador quando exerceu o cargo de Deputado Federal. Daí a acreditar que isso possa vir a representar em um bom administrador, vai uma grande distância. Entendo que o Maranhão precisa de propostas concretas para seu desenvolvimento e crescimento econômico. Não vejo qualquer dessas propostas no discurso que vem sendo sustentado por ele, a não ser uma vaga e surrada versão de que ele aí está para “derrotar a oligarquia.” A alternância do poder por si só não traz respostas para tudo e para todos, a política hoje se faz com propostas e o povo quer resultados. Ele esquece que se elegeu Deputado Federal com o apoio do Palácio dos Leões no período de seu aliado Governador José Reinaldo. Também aposta na lógica do quanto pior melhor – a meu ver, a pior forma de se fazer oposição. Seu partido, o PCdoB, tradicionalmente se situa no campo da oposição, porém com uma postura ideológica bem definida, o que está sendo descaracterizado pelas alianças políticas que o Flávio Dino tem feito e o incentivo a novas e estranhas filiações, demonstrando que o dito pragmatismo político supera o seu discurso de mudança.

E sobre a Prefeitura de São Luís? Qual a avaliação que você faz do primeiro ano de gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior?

Entendo as dificuldades do prefeito para administrar a cidade com todos os problemas acumulados ao longo dos anos. De qualquer forma durante as eleições ele e seus aliados venderam a mudança como uma fórmula mágica para solucionar os problemas da nossa capital. O risco é que a população se sinta enganada.

Qual a mensagem que você deixa aos leitores do Blog do Hugo Freitas?

Sou um leitor assíduo da blogosfera maranhense e do seu Blog. Acredito nas novas mídias e principalmente na internet. Portanto, chamo a atenção do leitor para uma questão muito importante e que aprendi ainda cedo: leitura crítica sempre. É útil conhecer os fatos e analisar as circunstâncias. A leitura crítica estimula o debate e combate a parcialidade, o preconceito e o pensamento único.

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18 comentários:

  1. Gostei muito da proposta da coluna. A democracia agradece. Parabéns pelo trabalho e que você continue avançando amigo Hugo Freitas. Bom domingo pra você e família.

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    1. Obrigado, Poliana. Fico feliz que tenha gostado. A proposta desta coluna é ouvir os principais atores políticos do Maranhão e apresentar ao público leitor seus pensamentos e posicionamentos sobre os fatos de nosso Estado, independentemente de bandeira partidária.
      Grande abraço e um ótimo domingo pra vc tbm! :)

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  2. Adriano tenho ouvido muita critica a respeito de sua fala digamos q seja uma demagogia o pv so vive fechado p quem ja estudou em havard discurso meio enganador

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    1. Grato pela participação, Roberval.
      Com a palavra, Adriano Sarney.

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    2. Hugo o adriano quando fala no partido verde so fala do pai e se esquece de outros membros importantes que ajudaram na formacao do partido cm o washington rio branco no qual eles esquecem ou ate mesmo ja sacanearam nao venha adriano falar de juventude pq eu ja fui varias vezes cm muitos amigos meu no pv e la ja encontrei pessoas de interior vindo se filiar tenho fotos o partido so anda trancado cm contas cheganso correspondencias tenho fotos p comprovar

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    3. Também esperava que nesse ponto ele pudesse se estender um pouco mais, falar dos demais atores políticos do PV no Maranhão.

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  3. TO FORA DESSE POVO AI TEMOS QUE RENOVAR AS ESPERANÇAS EM OUTRAS PESSOAS E NÃO NA CONTINUIDADE DESSA GERAÇÃO NA POLITICA DO MARANHÃO O MARANHÃO TEM QUE TOMAR NOVOS RUMOS EM ESPECIAL NA POLITICA SEI QUE CADA UM JÁ DEU SUA CONTRIBUIÇÃO AGORA VAMOS PENSAR EM UM MARANHÃO LIVRE E JUSTO MAIS IGUALITÁRIO E OUTRO DIA VI A PROPOSTA DELE AQUI EM UMA TV LOCAL DE IMPERATRIZ TA TOTALMENTE FLUTUANDO NEM SABE PRA ONDE E QUAIS BANDEIRAS SERÁ NECEARIAS
    NA DEFESA DA QUALIDADE DE VIDA DO MARANHÃO.

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    1. O objetivo das entrevistas é justamente conhecermos o pensamento dos personagens que atuam no cenário político maranhense, a fim de debatermos democraticamente com a população, sem sectarismos nem bandeiras partidárias.
      Aliás, o içamento das bandeiras fica por conta, exclusivamente, do leitor.
      Grato pela participação.

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  4. esse rapaz ainda não esta preparado pra ser parlamentar do Maranhão outro dia vi uma entrevista dele aqui em uma TV de Imperatriz e as propostas não são bem conhecidas por ele é preciso ele conhecer o Maranhão mais profundo suas desigualdades sociais e vejo nos aqui do Sul do Maranhão desejamos outras opções não queremos a 3ª geração dessa politica maranhense pra confirmar é só fazer uma pesquisa aqui a começar por Imperatriz.

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    1. Por isso, perguntei ao Adriano qual o significado dele carregar no DNA o sobrenome "sarney", um dos políticos mais controversos da história republicana brasileira.
      O debate está posto. Avante!

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  5. Se ele for politico do jeito que e empresario o maranhao ta lascado as duas padarias no melhor ponto da cidade faliram

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    1. Pelo visto, você conhece bem o Adriano, né Roberval? :)

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  6. Pede para ele falar dos membros do pv que tambem levantaram o partido ele so fala do pai o que ele me diz de simplismente tirar passar aperna no wrb e em outras pessoas botando so gente dele e outra qual funcao do adruano no pv sera q ele q preside mesmo a municipal pq supistamente a estadual e o pai dele e so vive com as portas fechadas em uma corrente bem grande adriano pede umas aulas p vovo sarney vc ta viajando tenhi pena do povo maranhense se voce for eleito hugo me da seu contato amigo

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    1. As portas do blog estão abertas para o Washington Rio Branco, caso ele queira se pronunciar sobre o assunto.
      Meu contato: hugofreittas@yahoo.com.br
      Abraço, Roberval.

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  7. Engraçado tenho ido com frequência no Partido Verde e sempre sou muito bem recebida, fui informada sobre as mudanças e fiquei muito feliz em saber que a comissão estadual mudou. Já estava na hora do esquenta banco WRB, deixar o partido progredir, porque assim como ele o partido verde no Maranhão estava parado, sem perspectiva, ainda bem que os outros membros tomaram providências. Já fui fazer visita a nova sede, fui informada que terão vários eventos ainda esse semestre, pelo que percebi, a casa finalmente está organizada. Apesar de terem recebido o partido sucateado pelo descaso do companheiro Rio Branco, o partido conseguiu sobreviver e já está respirando ares verdes!! Quanto ao Adriano, tenho acompanhado sua postura nos eventos políticos do estado e matérias em blogs e jornais, gosto muito do comportamento desse jovem, sinto boas energias, vai fazer história no partido verde e no Maranhão.

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    1. Comentário lúcido e bem construído.
      Obrigado pela participação, Lena.

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  8. Esse Roberval Rio Branco tem muita dor de cotovelo... vai trabalhar que passa rapaixxxxxxxxxxxxxx. Voltar pra dar aula na Uema tu não quer né?!

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  9. oh roberta se informe pra voce falar das coisas ta meu nome e roberval lopes so pedi p ele falar do washington rio branco esse e o nome nem conheco mais e um homem q idealizou o pv

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Grato pela participação.