domingo, 22 de maio de 2016

ANPOCS, SBS, ABA e ABCP emitem Nota em defesa da Educação e da Ciência como políticas de Estado


A ANPOCS, SBS, ABA e ABCP vêm se juntar às manifestações da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências em defesa da Educação e da Ciência como políticas de Estado.

Nas últimas semanas, manifestações de atores políticos e medidas administrativas, quer nos cenários estaduais, quer no federal, trouxeram à cena pública o debate em torno dos limites entre religião e política, consequentemente da liberdade de expressão e de pensamento, bem como a discussão acerca do financiamento, do planejamento e da execução de políticas públicas para a Educação e para a Ciência.

A Educação é, na sociedade contemporânea, mecanismo fundamental de democratização de acesso aos bens culturais e instrumento estratégico no processo de desenvolvimento social e econômico dos países. Em várias partes do mundo, políticas de Estado de longo prazo, laicas e independentes de flutuações na esfera política, tornaram seus respectivos sistemas de ensino provedores de recursos humanos qualificados, investindo na formação de novas gerações de profissionais preparados para desempenhar diferentes atividades no mundo do trabalho.

No Brasil, nas últimas décadas, houve avanços nesse sentido, com a universalização do acesso ao ensino básico, a expansão do ensino superior e a constituição de um sistema nacional de pós-graduação, bem como sua significativa disseminação por todo território brasileiro, revertendo ainda que parcialmente as disparidades entre o centro sul e as demais regiões do país. Nesse cenário de diminuição das desigualdades sociais e regionais, tem sido de especial importância, e sinal de avanço na formação básica dos cidadãos e cidadãs, a ênfase na formação de professores, nas ações afirmativas e no reconhecimento da diversidade sociocultural e de gênero como princípios estruturantes da ação educativa, alicerçados na ampliação do acesso aos conhecimentos científicos. Formou-se uma comunidade científica altamente qualificada academicamente desenvolvendo pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. É notável, em um processo de internacionalização do conhecimento, a crescente contribuição da comunidade científica em distintas esferas da sociedade nacional, como no processo de inovação tecnológica, no campo da saúde, formulando propostas de integração entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental, produzindo conhecimento sobre os complexos processos sociais, culturais, e políticos que permeiam a trajetória da sociedade brasileira e que reverberam nos dias atuais.

Tais conquistas não podem ser dissociadas da luta pelo respeito aos dispositivos constitucionais que definem o Estado brasileiro como separado de qualquer confissão religiosa, com implicações claras para a formulação de políticas, notadamente as de educação e ciência e tecnologia. Tampouco podem ser separadas da constituição de um sistema de fomento à pesquisa através de fundações estaduais articuladas às agências federais de fomento. A construção de uma nação moderna e democrática e a consolidação de uma sociedade mais justa passam necessariamente por um compromisso permanente com a Educação e com a Ciência. Não pode haver regressão neste acordo e inseri-lo como moeda de troca no jogo político não só é imprudente como terá consequências desastrosas para o país.

Defendemos uma agenda de trabalho com participação conjunta do Estado e da comunidade científica nacional, de modo a estabelecer um fluxo regular de recursos financeiros para enfrentar os desafios do sistema educacional público do país e os investimentos necessários para o crescimento da pesquisa e da inovação.

Alegar imperativos econômicos para operar cortes nos orçamentos da Educação e da Ciência, já restritos diante das necessidades existentes, significará reverter no curto prazo conquistas operadas desde a redemocratização cujas repercussões de certo se farão sentir no curso prazo. Será mais uma vez exercer, de forma velada que seja, a censura e a restrição ao pensamento.

Reiteramos a nossa compreensão de que os desafios colocados por esta complexa pauta requerem quadros dirigentes capacitados e comprometidos com a Educação e com a Ciência, que se disponham ao diálogo com as comunidades científica e educacional no sentido de se construir soluções compartilhadas consistentes com os avanços realizados. Qualquer outra escolha significará o perigoso rumo do obscurantismo e de regressão nos planos educacional, científico e tecnológico.

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Feira do Livro do Autor e Editor Maranhense tem início nesta sexta (20), em São Luís

Foto ilustrativa: Internet


De 20 a 29 de maio será realizada, em São Luís, a Feira do Livro do Autor e Editor Maranhense – FLAEMA. O evento, que acontecerá no Shopping da Ilha, busca valorizar a literatura maranhense e terá como tema “o Renovo da Atenas Brasileira”, o que propiciará o uso de trajes e cenários que farão alusão à Grécia Antiga.

Várias atrações serão apresentadas: presença de mais de 100 escritores, 20 horas de músicas autorais, 29 palestras, 26 eventos de artes cênicas, além de sorteio de 700 livros de autores maranhenses.

programação desta sexta (20) tem início às 10h e se estende até as 22h. Confira:

20 DE MAIO – SEXTA-FEIRA
10h00 às 10h30 - Espaço Cultura
ARTES CÊNICAS: Diálogo das Palavras com Alunos do 7º ano da UEB professora Camélia Costa Viveiros.

10h30 às 10h50 - Espaço Cultura
DANÇA: Tambor de crioula com Alunos do 8º ano da UEB professora Camélia Costa Viveiros.

10h50 às 11h05 - Templo Grego
DECLAMAÇÃO: Texto “Sete perguntas para uma dama" de José Neres com alunos do CE São Cristóvão - Anexo Jardim São Cristóvão.

11h05 às 11h20 - Templo Grego
DECLAMAÇÃO: Texto “Canção de Redenção" com diálogo entre o Sol e a Lua com alunos do CE São Cristóvão - Anexo Jardim São Cristóvão.

11h30 às 12h30 - Templo Grego
VIAGEM AO FUTURO: Escritores falam de suas obras ainda não publicadas: Hemerson Prada com Eu não ligo para o Amor, Artemise Galeno com Desfile de Crônicas, Wagner de Sousa com Restaurando Vidas através da Natureza, Felipe Gabriel comO Príncipe Bem-te-vi no Mundo da Poesia.

12h40 às 13h40 - Templo Grego
RECITAL POÉTICO: Antonio Aílton Santos Silva, autor de Compulsão Agridoce; Eloy Melonio do Nascimento, autor de Dentro de mim; Felipe Sampaio Castro da Costa, autor de A centelha de Eros, Neurivan Sousa, autor de Lume e o pequeno poeta.

13h40 às 14h00 - Recanto das letras
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS: com os escritores do recital poético.

13h50 às 14h20 - Templo Grego
PALESTRA: Apostila de Artes Visuais com Prof. Garcia Júnior do Colégio Liceu.

14h30 às 15h30 - Espaço Cultura
PROJETO ESCOLA NA FLAEMA: Apresentação sobre o livro O gato que queria ser sapo de Cleo Rolim com Alunos do 1º ano do Ensino Fundamental I do Colégio Santa Teresa.

15h30 às 16h30 - Templo Grego
LANÇAMENTO: Livro A Última Estação Do Esquecimento de Vinícius Bezerra.

16h30 às 16h50 - Recanto das Letras
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS: com Vinícius Bezerra.

16h30 às 16h50 - Espaço Cultura.
CANTO: Coral com alunos do CE Fernando Perdigão.

16h50 às 17h00 - Templo Grego
DECLAMAÇÃO: Poema performático "Ah! Eu não posso" Maria Firmina dos Reis, com Rayslla Lorena Santos Carvalho, aluna da Unidade Integrada Maria Firmina dos Reis.

17h00 às 17h20 - Templo Grego
APRESENTAÇÃO: Livro Apenas um traficante (ainda não publicado) de Wanessa Trovão da Silva, aluna da Unidade Integrada Maria Firmina dos Reis.

17h30 às 18h30 - Templo Grego
MESA-REDONDA: O papel da leitura como fundamento da aprendizagem na escola, com Francisca Azêdo e Marilia Abreu – pedagogas e especialistas em gestão e supervisão escolar; Joelma Correa e Marise Rosa – doutoras em educação e Vitor Soares – graduado em ciências sociais e jornalismo.

18h30 às 19h30 - Espaço Cultura
MÚSICA: Flauta e violão João Neto e Mano Lopes.

19h às 20h30 - Espaço Cultura
SOLENIDADE DE ABERTURA

20h30 às 21h - Espaço Cultura
ARTES CÊNICAS: Lendas da nossa história com Tramando Teatro.

21h às 22h - Espaço Cultura

MÚSICA: Sheila Castro interpreta suas obras autorais.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mergulhadores israelenses encontram carga de navio romano de 1.600 anos

Parte de estátua encontrada em Cesareia/Reuters

Um conjunto de estátuas, moedas e outros objetos com 1.600 anos de antiguidade foi encontrado na área do antigo porto de Cesareia, na mais importante descoberta do tipo em 30 anos, anunciaram as autoridades israelenses nesta segunda-feira (16).

Os israelenses Ran Feinstein e Ofer Raanan encontraram por acaso objetos de bronze quando praticavam mergulho em abril, informou a Autoridade de Antiguidades de Israel. Os dois alertaram o governo e outros mergulhos permitiram encontrar vários objetos do período romano tardio, vestígios da carga de um navio mercante que aparentemente transportava metal destinado a ser reciclado ou derretido.

Restos de moedas recuperadas em Cesareia/AFP

Foram encontrados no porto mediterrâneo uma lâmpada de bronze com a imagem do deus Sol, uma estátua da deusa Lua, uma lâmpada com a efígie de um escravo africano, fragmentos de estátuas de bronze e peças com o formato de animais, assim como âncoras e diversos objetos de navegação.

A carga também contava com antigas peças de moeda que pesam 20 quilos. Estas peças têm a imagem do imperador Constantino, que reinou primeiro na parte ocidental e depois em todo o império romano até sua morte no ano 337, e a de Licínio, seu rival que reinou na parte oriental e foi derrotado em 324.

Alguns dos artefatos recuperados no porto/Reuters

Jacob Sharvit, diretor da unidade marítima da Autoridade de Antiguidades, afirmou que o navio aparentemente foi surpreendido por uma tempestade na entrada do porto. Depois ficou à deriva até bater contras as rochas e o dique, após uma tentativa de usar as âncoras, que se romperam pela força das ondas e do vento.

"Não encontramos em Israel uma carga marítima como esta há 30 anos", afirmaram Sharvit e seu auxiliar Dror Planer em comunicado à imprensa.

"As descobertas de estátuas de metal são raras porque na Antiguidade eram derretidas", destacam.

Cesareia foi construída pelo rei da Judeia, Herodes, no século I antes de Cristo. Seus importantes vestígios das épocas romana e medieval fazem desta localidade uma das grandes atrações de Israel.

Com informações e imagens das agências Reuters e AFP

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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sem ganhar nenhuma eleição, PMDB emplaca terceiro presidente em 30 anos


Sem vencer nenhuma eleição para Presidência da República em seus 50 anos de história, o PMDB assumirá o cargo pela terceira vez em pouco mais de 30 anos. Com a confirmada ascensão de Michel Temer, o partido passa a ter "100% de aproveitamento" de seus três vices, que chegaram à Presidência.
O primeiro governo federal do PMDB se iniciou em 1985, com José Sarney. Ele assumiu a Presidência por causa da morte de Tancredo Neves, também peemedebista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.
Sarney, porém, não tinha nenhum histórico no PMDB e se filiou em agosto de 1984, deixando o PDS num acordo com setores mais conservadores para poder concorrer como vice de Tancredo.
O segundo presidente peemedebista também se filiou em cima da hora. Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Itamar foi eleito pelo PRN, junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment -- que viria a ser aprovado em dezembro.
Derrotas nas urnas
O PMDB nasceu como MDB, em 24 de março de 1966, após o Ato Institucional 2, que instalou o bipartidarismo no país. Em 30 de junho de 1981, o partido se transformou em PMDB e é hoje a legenda mais antiga e com maior número de filiados do país: 2,4 milhões de pessoas.
Desde a redemocratização e a retomada das eleições diretas para presidente, o PMDB tentou por duas vezes chegar ao cargo máximo do país, mas as tentativas acabaram marcadas por fiascos. 
Em 1989, o PMDB lançou Ulysses Guimarães ainda sob a égide de ter lutado pelas Diretas Já e liderado a Constituição de 1988. Porém, ficou apenas na 7ª colocação, com 4,6% dos votos válidos. 
Em 1994, foi a vez de Orestes Quércia ser candidato pelo partido, mas recebeu 4,3% dos votos, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno.
Em 2002, o PMDB concorreu à chapa majoritária de José Serra (PSDB) com a vice-candidatura de Rita Camata --derrotada em segundo turno por Lula. Em 2010, voltou ao poder com a eleição de Michel Temer como vice de Dilma Rousseff (PT).

"Em mil pedaços"

Segundo o cientista político Michel Zaidan Filho, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), uma das explicações para os insucessos do PMDB nas urnas é a falta de um conteúdo ideológico definido.
"Não há nenhuma sinergia entre os setores nacional e regional. Esses chefes políticos não se movem por ideologia. Eles fazem alianças que avalizem os projetos políticos", afirmou.
"E o PMDB também se deu mal por conta da polarização entre Lula e Collor, em 1989; e entre Lula e FHC, em 1994. Não que eles não merecessem, mas não havia espaço para outros nomes."
Zaidan Filho afirma que o partido foi mudando ao longo dos anos e não é hoje nem sombra do que era nos anos 1980. "O PMDB perdeu importância, como o outro partido --o PDS, depois PFL e hoje DEM-- originário da ditadura. Depois da transição para a democracia, ele se tornou elefante branco, sem definição ideológica clara, sem comando. Também deixou de ser de centro-esquerda, tornou-se um partido de oligarquias regionais", disse.
"Apesar da maior capilaridade da história, está repartido em mil pedações. O PMDB não tem dono."
O cientista ainda lembra que Michel Temer será o primeiro peemedebista de carteirinha a assumir a Presidência, já que Sarney e Itamar ingressaram no partido às vésperas de assumir o poder.
"Sarney foi da Arena, da UDN, depois PDS e PFL, ou seja, não tinha ligação com o PMDB. Ele foi fruto de uma aliança do partido com liberais. Já Itamar, apesar de ter integrado o antigo MDB, saiu e não tinha ligação histórica com o PMDB", afirmou.
"Depois que assumiu, ele virou um pedaço do partido, que era o pedaço da oposição. Ele nunca teve unanimidade e, de fato, não tinha a confiança dos grupos."
"Pescado" do portal UOL
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