quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A diferença de postura de um deputado eleito

Wellington do Curso retorna às cidades para agradecer, pessoalmente, ao povo que o elegeu

Por Hugo Freitas

O professor Wellington do Curso, eleito deputado estadual no Maranhão pelo PPS, vem adotando uma postura diferente dos demais políticos tradicionais na forma de tratar o público que o agraciou com um mandato para a Assembleia Legislativa.

Eleito com 22.896 votos, Wellington tem viajado por todo o estado realizando palestras a alunos do Ensino Médio e, também, agradecendo a expressiva votação alcançada nas cidades que o escolheram como seu representante na "Casa do Povo".

“Estou refazendo as viagens de volta a todas as cidades que percorri durante a campanha. Foram três meses conhecendo e acompanhando de perto a realidade de cada maranhense. Volto agora não para cumprir agenda política, mas para AGRADECER ao carinho e aos votos conquistados nessas cidades”, declarou o eleito.

Professor e empresário de um dos mais renomados cursos preparatórios para vestibulares da capital maranhense, Wellington do Curso promete lutar na Assembleia pela intensificação de políticas públicas para melhorar a qualidade do ensino no Maranhão, um dos estados com os piores índices de analfabetismo do país.

Dentre as propostas, o docente pretende legislar em prol da valorização dos profissionais da educação com melhores salários, capacitação profissional continuada, melhores condições de trabalho e ampliar o acesso das crianças, jovens e adultos aos diversos níveis de ensino.

“Ser professor é promover o saber universal, especializar políticos, médicos, cientistas, técnicos, administradores, artistas, ou seja, todas as profissões. É apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés. Afinal, são os educadores que constroem o futuro”, disse o eleito em um evento que homenageou o Dia dos Professores, no Maranhão.

A postura adotada por Wellington de agradecimento pela vitória alcançada nas urnas o torna diferente de muitos parlamentares (re)eleitos que, após o resultado do pleito, tradicionalmente buscam refúgio em outros estados, até mesmo em outros países, alegando "cansaço" ou mesmo "necessidade de férias" por conta da jornada eleitoral.

Trocando em miúdos, enquanto muitos direcionam as sobras pecuniárias de campanha para passeios e viagens internacionais, evitando assim o contato com seus eleitores, que só terão a oportunidade de revê-los pela televisão ou na próxima eleição, Wellington do Curso faz o sentido inverso: vai aonde o povo está, para agradecer e celebrar.

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

DILMA E AÉCIO: "Duas Políticas para a Universidade Pública"


Prezado leitor, em virtude da proximidade do segundo turno do pleito presidencial, domingo (26), e do último debate eleitoral entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), que será realizado na próxima sexta-feira (26), na TV Globo, apresento-lhe um interessante e instigante texto, intitulado "Duas políticas para a universidade pública", produzido por um professor de uma universidade federal que vivenciou, in loco, os governos FHC e Lula no tocante às políticas públicas voltadas para o ensino superior no Brasil.

Vale a pena ler e refletir sobre o seu teor, sem deixar de descurar sobre o local de fala do autor.

Boa leitura e bom voto!

Duas políticas para a universidade pública

Por Wolfgang Leo Maar
Professor de Filosofia Política da Universidade Federal de São Carlos

Com FHC, a educação deixou de ser um fim estruturante para se tornar subordinada à política econômica e à sua lógica. O governo do PT, entre outras coisas, recuperou salários, aumentou o quadro de pessoal, criou mais de 70 mil bolsas de graduação para estudantes no exterior, 850 mil bolsas de graduação pelo Prouni, fez o Reuni, e a produção científica nas federais quadruplicou em relação a 2002

O importante é desconfiar sempre e nunca perder de vista a realidade concreta particular, como sempre insistia o autor de "O Capital". 

A manipulação pela grande imprensa procura fixar opiniões gerais nos leitores, ouvintes e espectadores, sem qualquer comprovação ou base concreta específica. Por isso ocorre o contraste verificado nas opiniões, tão logo se questiona uma situação concreta e determinada. O exemplo clássico é o já muito citado caso do contraste entre respostas a questões do tipo “Como vai o País?” e “Como vai a sua vida?”.

Muito já foi divulgado acerca da diferença entre as políticas para o ensino superior do governo tucano e do governo petista. Este mesmo espaço do Brasil Debate já ofereceu excelentes contribuições, mostrando os inegáveis avanços nos últimos 12 anos.

Aproveito para acrescentar minha experiência pessoal concreta e específica neste caso.

Durante um período do governo do PSDB e durante um bom tempo do governo do PT, fui membro do Conselho Universitário da Universidade Federal de São Carlos. Pude assim acompanhar de perto a situação da instituição.

O governo tucano foi marcado por oito anos no Ministério da Educação pela figura de Paulo Renato Souza (professor da Unicamp) de triste memória. Ele se dedicou a seguir à risca o nefasto receituário da reforma universitária pautada pelo Banco Mundial a partir de Washington: estímulo à privatização do ensino superior e abandono do sistema público.

Com FHC, a educação deixou de ser um fim estruturante: a política educacional foi inteiramente subordinada à política econômica e à sua lógica.

O resultado foi uma universidade de joelhos, como não ocorreu sequer na ditadura. Expansão zero do sistema federal de ensino superior. Houve arrocho salarial (muitos anos de reajuste zero: entre 1995 e 2002 houve uma perda de valor real de 38% nos salários) e o congelamento do valor das bolsas de estudo.

Ocorreu a contenção no quadro de docentes e servidores (praticamente nenhum contrato novo e nenhuma substituição de aposentados) com a criação do precário quadro do “professor substituto”, uma espécie de “horista” federal.

Prevaleceu o tratamento a pão e água no custeio e no investimento das instituições (no final do ano, o Conselho Universitário suava para conseguir contemplar as contas atrasadas de luz, água e telefone). Recursos para aquisição de livros? Bolsas para alunos? Alojamento estudantil? Equipamentos de laboratório?

A política de desenvolvimento dependente e subordinada seguida nos anos FHC (professor da USP) colocou em segundo plano a pesquisa no País: o que era importante viria de fora, dizia-se.

As universidades federais deveriam parar de se dedicar à investigação científica, com poucas exceções. Isso demonstra como é uma farsa a pretensa política tucana de seguir padrões de competência e mérito! E o ensino? Bem, conforme disse FHC, só “vira professor o coitado que não consegue fazer pesquisa”…

Obviamente, tal penúria não combinava com diálogo com as universidades. Exigia-se mão de ferro. Um reitor da época relatou o único encontro que o ministro teve com os dirigentes federais, logo no início de sua gestão: mandou retirar todas as cadeiras de uma sala de reuniões com exceção da sua própria, obrigando os reitores a ouvirem de pé seu longo discurso, após o que se retirou de imediato e deixou um auxiliar para responder eventuais perguntas.

Para completar sua política contra as universidades federais, nos últimos meses do governo o ministro apressou-se em facilitar a abertura à privatização da educação: liberou a criação de 149 instituições e 821 cursos de ensino superior privado.

Foi o maior crescimento sem qualquer critério de mérito (novamente a farsa do discurso tucano da competência!) de faculdades e universidades com fins lucrativos já registrado em nossa história, fortalecendo de modo inédito o lobby das mesmas.

Que diferença com o governo de um operário sem formação acadêmica, que logo ao assumir convocou todos os reitores das instituições federais a Brasília para um contato direto e cordial…

Durante o governo do PT, houve uma importante mudança na relação com a comunidade universitária, que se envolveu diretamente na expansão do sistema. Houve uma recuperação salarial para docentes e servidores, bem como o aumento significativo do quadro de pessoal: de menos de 50 mil em 2002 passaram a mais de 75 mil em 2013. Hoje os salários recuperaram o nível real de 1995, embora ainda muito aquém do necessário.

Ainda não é uma maravilha, mas houve uma grande expansão com o programa Reuni, com 18 novas universidades, das quais 4 no governo Dilma (contra zero no governo FHC).

Junto com grande expansão nas instituições já existentes, mais do que dobrou o número de matrículas: hoje são 325 mil vagas, e 1140 mil alunos matriculados na rede federal de ensino superior.

O orçamento da educação passou dos cerca de 4% que foi durante o governo tucano até 2002, para 6,2% em 2013. O Enem é usado no lugar dos vestibulares e se generalizou uma política de cotas raciais e para os provenientes do ensino público.

O valor das bolsas da Capes e do CNPq, antes congelado, aumentou 67%. Criaram-se 71.400 bolsas de graduação para estudantes no exterior e houve 850 mil bolsas integrais de graduação pelo Prouni. A produção científica nas universidades federais quadruplicou em relação a 2002, atingindo 24.400 publicações em revistas internacionais em 2013 (as estaduais paulistas, referência nesse caso, aumentaram cerca de 2,5 vezes no período).

Agora existem as condições dinâmicas para um crescente desenvolvimento das universidades com competência e justiça social, totalmente ausentes no período tucano.

Quem foi, é ou pretende ser da comunidade acadêmica e vota em Aécio, bom sujeito não é: ou é ruim da cabeça, ou tem má-fé…

PS: Texto publicado originalmente no dia 19.10.2014 e "pescado" do site Brasil Debate

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os Artistas e as Eleições Presidenciais no Brasil

Dilma conta com o apoio de "peso" de Chico Buarque para conquistar o voto do eleitorado tucano

Por Hugo Freitas

Depois de ser "provocado" por amig@s a escrever sobre a presença de artistas nas eleições presidenciais deste ano, uma vez que também exerço, nas horas vagas, o "ofício" de cantor e compositor, e levando em consideração o grau de repercussão que vem tendo a presença de Chico Buarque na campanha televisiva de Dilma Rousseff (PT), decidi escrever este artigo muito mais por desencargo de consciência do que pela "pressão" das pessoas mais próximas a mim.

Creio ser interessante analisar a presença do "mestre" Chico Buarque na propaganda eleitoral de Dilma sob o ponto de vista do que está em jogo. Não é, como dizem muitos amigos jornalistas e assessores, "uma perda de tempo e de dinheiro" da candidata à reeleição, já que se especula que "os Buarque" tenham sido favorecidos financeiramente pela petista via Lei Rouanet, de incentivo à Cultura.

Ressalvada tal possibilidade, a presença de Chico na campanha de Dilma trata-se de uma bem arquitetada estratégia de "contra-ofensiva" à campanha do tucano Aécio Neves (PSDB).

Ao focar na imagem de Chico Buarque, Dilma e o PT não miram na "massa pobre" da população, como muitos afirmam, mas sim no inverso: visam atingir a "classe média alta" e "classe alta" que, geralmente e em tese, "tendem" a votar nos candidatos da "direita", levando-se em consideração as eleições pós-ditadura militar realizadas até aqui, cuja polarização deu-se, como agora, entre PT e PSDB.

Afinal, o público que consome Chico Buarque no Brasil não faz parte do "povão". Vale dizer que Chico não é um artista massificado, como as duplas sertanejas, mas muito mais "elitizado", enquanto produto cultural que certifica a distinção social para os ocupantes das classes A e B, principalmente.

Como é sabido, a maior parte da população que integra as classes de renda mais baixa (E e D) é a mesma que vota em Dilma tanto pelos programas sociais quanto pela identificação ideológica midiática com um "governo que pensa nos pobres". Nesse sentido, Chico Buarque na propaganda de Dilma não é para o convencimento deste público, mas sim para as "elites" e "aristocratas", que tendem a votar em Aécio.

Já Aécio aposta na "popularidade" de artistas massificados para tentar conquistar o eleitorado que teoricamente vota em Dilma

Por seu turno, o tucano mineiro investiu pesado na contratação de artistas renomados e de alcance popular maior que Buarque, como Zezé di Camargo e sua filha, Wanessa Camargo, Chitãozinho & Xororó, Leonardo, entre muitos outros. Fico nos exemplos dos artistas sertanejos - para não citar os "globais", sabidamente pró-tucanos de longa data - por serem eles os responsáveis por movimentar o maior mercado da indústria cultural e fonográfica no Brasil, cujas cifras giram em torno de BILHÕES de reais.

Ou seja, ao mesmo tempo em que Dilma busca conquistar o voto do eleitorado "elitista" de Aécio, o tucano age para trazer para si os votos das classes "populares" que votam na reeleição da presidente. Cada um, a seu modo, tecendo estratégias que buscam desequilibrar a balança que aponta empate técnico entre os presidenciáveis neste segundo turno.

Quem sairá melhor nessa peleja? Só as urnas poderão dizer. O que se pode adiantar é que tanto o "elitismo" do público de Buarque quanto a "popularidade" dos sertanejos são alvo de disputas por aqueles que apostam na conquista do voto supostamente "do outro" para pender a balança eleitoral para si, haja vista que o grande número de abstenções confirmadas no primeiro turno (mais de 20% dos eleitores aptos não votaram) poderá se consolidar novamente nesta segunda visita obrigatória às urnas em todo o país. Conquistar estes indecisos, e de quebra conquistar votos do adversário, é a fórmula perseguida!

Resta saber se os respectivos públicos dos artistas supracitados, "elitistas e populares", traduzirão em votos os investimentos realizados pelos candidatos e seus partidos, que demonstram acreditar que gostar e acompanhar o trabalho de um artista é também dizer "amém" para suas preferências políticas altamente interesseiras.

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sábado, 18 de outubro de 2014

Professores de São Luís conquistam a tão desejada aposentadoria

A conquista de agora estava na pauta de reivindicações da última greve da categoria

Cerca de 126 docentes da rede municipal de ensino conquistaram a tão desejada aposentadoria. O decreto que regulamenta a ação foi assinado essa semana pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior, como parte das ações da atual gestão em prol da valorização dos servidores e integrando as homenagens por ocasião do Dia do Professor.

“Por meio desta ação, cumprimos mais um compromisso com os nossos servidores e com a população de nossa cidade em geral: o de instituir e manter a celeridade nos processos administrativos, finalizando pendências e garantindo, neste caso, os direitos dos nossos professores e professoras”, disse Edivaldo.

As aposentadorias oficializadas pela Prefeitura eram uma das principais reivindicações dos professores, constando inclusive na pauta da última greve da categoria, e são a primeira parte de um conjunto de cerca de 400 processos que deverão ser homologados nas próximas semanas.

O secretário municipal de Educação, Geraldo Castro Sobrinho, lembrou que a ação é fruto do trabalho conjunto das pastas de Educação (Semed), Administração (Semad), Governo (Semgov), Instituto de Previdência e Assistência do Município (Ipam) e Procuradoria Geral do Município (PGM), que promoveram a avaliação e revisão de todos os processos.

“Foi um esforço conjunto, dentro da perspectiva defendida pelo prefeito Edivaldo de valorizar os servidores públicos. Agradeço imensamente o esforço em prol dos colegas professores”, disse Castro.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O Fisiologismo Político no Maranhão

PT recebe apoio do PCdoB, que é aliado estadual do PSB, PPS e PSDB, que divergem do PT na esfera nacional

Por Hugo Freitas

Lideranças políticas da "Coligação Todos pelo Maranhão", que elegeu Flávio Dino (PCdoB) governador do estado no último dia 5 de outubro, realizaram ato político em apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no Maranhão.

Na tarde desta sexta-feira (17), membros do PDT, PP, PROS, PCdoB e de uma ala do PT/MA estiveram ao lado do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), dos senadores Inácio Arruda (PCdoB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB) e do ministro de Articulação Política, Ricardo Berzoini (PT), percorrendo a principal rua do comércio de São Luís, a Rua Grande, em apoio à candidatura de Dilma.

As lideranças nacionais falaram sobre a expressiva votação conquistada por Dilma no Estado e lembraram que o esforço agora é para ampliar o favoritismo. "O desafio é tornar o Maranhão o Estado que vai dar a maior votação a Dilma Rousseff", disse o senador comunista Inácio Arruda.

O presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, também reafirmou que o momento é de trabalhar com força total em prol da candidatura de Dilma. "Toda a nossa militância está mobilizada e empenhada na reeleição da presidenta".

Diante disso, por um lado, PT e PCdoB estão cada vez mais unidos no Maranhão em prol da reeleição de Dilma. Por outro, PSB, PPS e PSDB, que também integram a Coligação que saiu vitoriosa das urnas, decidiram apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) no estado, "dividindo" assim, pelo menos por enquanto, os "unidos pelo Maranhão".

Vale lembrar que o vice de Flávio é Carlos Brandão, presidente estadual dos tucanos maranhenses, um dos líderes que estão comandando as ações pró-Aécio no estado, juntamente com o senador eleito Roberto Rocha (PSB) e a deputada federal eleita Eliziane Gama (PPS) (CONFIRA AQUI).

A lógica explicativa didática é a seguinte: PT recebe apoio do PCdoB, que é aliado estadual do PPS, do PSB e do PSDB, que divergem do PT na esfera nacional.

Trocando em miúdos, a "sopa de letrinhas" formada no Maranhão por conta da disputa presidencial é um caso típico de fisiologismo político, uma vez que os partidos coligados na esfera estadual são os mesmos que contradizem a polarização nacional. Tudo em nome do poder!

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