sábado, 31 de janeiro de 2015

A CRISE POLÍTICA NA CULTURA DO MARANHÃO

Eliziane Gama protagoniza primeira crise política no governo Flávio Dino

Por Hugo Freitas

O Partido Popular Socialista, presidido no Maranhão pela deputada federal eleita Eliziane Gama, que assume o cargo neste domingo (01/02), em Brasília, tornou público o que vinha sendo sondado apenas nos bastidores: a crise política na Secretaria Estadual de Cultura.

Ocorre que a titular da pasta, Ester Marques, foi indicada por Eliziane como parte da cota do PPS no governo como espólio da vitória eleitoral do governador Flávio Dino (PCdoB), a quem o partido de Gama aderiu apenas aos "45 do segundo tempo" do pleito de outubro do ano passado. Vale lembrar que Eliziane abriu mão de sua legítima candidatura ao Governo do Estado em prol da repetição histórica da "união das oposições".

Conforme inúmeras vezes apontado por este analista, o maior desafio a ser enfrentado pelo governo Dino seria justamente contornar e acalmar a sede voraz dos "aliados", principalmente os de última hora, que iriam cobrar a fatura pelo apoio dado durante a campanha comunista.

Não deu outra. Em menos de um mês de governo, foi justamente na Secretaria de Cultura que o estopim da crise foi deflagrado. Após a sumária exoneração do secretário adjunto da pasta, que integra o coletivo Rede Sustentabilidade, aliado fiel de Eliziane, a pepessista começou a se mover nos bastidores para pedir a cabeça de Marques.

Indicada por Eliziane, Ester Marques assumiu a Secretaria Estadual de Cultura

Como não obteve resposta de seu pedido (ao contrário, houve uma espécie de fortalecimento de Ester junto a Flávio, que a manteve no cargo e até divulgou foto onde aparece ao lado da secretária), Eliziane e seu partido divulgaram duas Notas sobre o assunto.

Na primeira Nota, divulgada nesta quinta-feira (29), que é a mais enfática em relação às críticas, o PPS informa que "repudia de modo veemente a sórdida tentativa de desqualificação intelectual, moral e religiosa de seus quadros e militantes".

Explica ainda que "os problemas gerados na Secretaria de Estado da Cultura não partiram do PPS", acrescentando que "em momento algum a direção partidária fez qualquer indicação ou ação que pudesse contrariar o interesse público" e que "nem tampouco se tentou aparelhar a instituição pública ou mesmo se utilizar de suas estruturas em favor de qualquer segmento religioso", afirmando que "não é da tradição do PPS o aparelhamento da máquina pública".

Por fim, o partido de Eliziane comunica a saída da pasta governamental. "Diante da evidência de uma orquestração que tenta desqualificar o Partido Popular Socialista junto à opinião pública, fato este até criminoso, que esconde interesses não revelados que estão para além do presente, o PPS mesmo tendo feito anteriormente a indicação da titular da Secretaria de Estado da Cultura, declara não ser mais responsável por esta".

Eliziane e Ester medem forças no governo Dino

Já na segunda Nota, veiculada nesta sexta-feira (30), emitida após interpretações que deram conta de um "rompimento" entre Gama e Dino, o PPS parece ser mais "cauteloso" ao especificar que sai da Cultura, mas não do governo comunista. Como diz o texto, "1 - O PPS em momento algum propôs o rompimento com o governador Flávio Dino que tão combativamente ajudou a eleger. 3 - O PPS reitera que as considerações apresentadas na Nota Pública, divulgada nesta quinta-feira, 29 de janeiro, são referentes a pasta da cultura, hoje não mais sob a responsabilidade do PPS".

A estratégia do partido de Eliziane é não se indispor, de modo irrevogável, com o governo que pode ser o fiel da balança nas eleições municipais de 2016, já que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) é o natural candidato à reeleição e vai contar com o apoio de Flávio Dino.

Fique abaixo com as duas Notas do PPS:

(Nota 1): PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

NOTA PÚBLICA

Em razão das informações infundadas e plantadas diariamente na imprensa e nas redes sociais sobre a relação entre o comando do Partido Popular Socialista – PPS, a Secretaria de Estado da Cultura e o Governo do Estado do Maranhão, envolvendo, sobretudo, a sua maior liderança maranhense, a Deputada Federal Eliziane Gama, temos o dever de esclarecer que:

O Partido ao longo de sua trajetória sempre pautou sua atuação na defesa da ética na política, na defesa dos direitos humanos e na luta pela igualdade social.

Nossa bandeira está historicamente registrada com a nossa participação em todas as lutas lideradas por Maria Aragão, William Moreira Lima, o ex-governador Jackson Lago e o atual governador Flávio Dino, em favor de um Maranhão mais justo e igualitário para todos os maranhenses.

O PPS sempre buscou a unidade das forças de oposição, renunciando inclusive a uma candidatura própria no pleito passado em favor da unidade das oposições, por compreender a necessidade de uma ação conjunta de todas as forças políticas progressistas em favor de outro modelo de desenvolvimento que combata o atraso, a corrupção e o “patrimonialismo” que é fruto das velhas práticas políticas entranhadas nas estruturas do Estado.

Desse modo, o Partido Popular Socialista repudia de modo veemente a sórdida tentativa de desqualificação intelectual, moral e religiosa de seus quadros e militantes, pois o PPS detém entre seus membros, pessoas com inquestionável formação técnica e política, aptas ao exercício de qualquer função pública, todas comprovadamente qualificadas pelos órgãos de controle.

Os problemas gerados na Secretaria de Estado da Cultura não partiram do PPS. Em momento algum, a direção partidária fez qualquer indicação ou ação que pudesse contrariar o interesse público, a moralidade administrativa e os princípios éticos que são tão combativamente defendidos pelo Partido. Nem tampouco, se tentou aparelhar a instituição pública ou mesmo se utilizar de suas estruturas em favor de qualquer segmento religioso. Não é da tradição do PPS o aparelhamento da máquina pública, prática que sempre combatemos de modo veemente.

Diante da evidência de uma orquestração que tenta desqualificar o Partido Popular Socialista junto à opinião pública, fato este até criminoso, que esconde interesses não revelados que estão para além do presente, o PPS mesmo tendo feito anteriormente a indicação da titular da Secretaria de Estado da Cultura, declara não ser mais responsável por esta.

O PPS deseja que o Governador Flávio Dino promova o diálogo com as forças políticas que contribuíram para sua vitória e que possa realizar as mudanças tão sonhadas pelo povo do Maranhão.

Executiva Estadual do PPS

(Nota 2): NOTA DE ESCLARECIMENTO PPS-MA

PPS ESCLARECE:

Para que não haja dúvidas ou virtuais distorções, quanto ao real posicionamento do Partido Popular Socialista com relação ao Governo do Estado do Maranhão, pontuamos as seguintes considerações:

1)O PPS em momento algum propôs o rompimento com o governador Flávio Dino que tão combativamente ajudou a eleger.

2) O PPS sempre defendeu a construção de uma frente popular e progressista para mudar o Maranhão.

3) O PPS reitera que as considerações apresentadas na Nota Pública, divulgada nesta quinta-feira, 29 de janeiro, são referentes a pasta da cultura, hoje não mais sob a responsabilidade do PPS.

Executiva Estadual do PPS

Siga nosso perfil no Twitter e curta nossa página no Facebook

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

IMAGEM DO DIA: A "REPÚBLICA DOS PARENTES"


O dia 30 de janeiro de 2015 ficará marcado como o dia em que o Brasil soube que o Maranhão continua sendo, na "era pós-Sarney", a "República dos Parentes" tão criticada na "era Sarney" pelos atuais ocupantes do Palácio dos Leões. Além do que a Folha divulgou, o próprio governador Flávio Dino (PCdoB) confirmou, via twitter, que nomeou parentes de aliados e até de adversários no Governo do Maranhão, em resposta tardia a um repórter do jornal "o Globo". Provavelmente, o ex-juiz deve ter consultado seu staff jurídico e acompanhado a repercussão da matéria para poder responder ao repórter global apenas agora a noite, depois de ter sido criticado por seu silêncio durante todo o dia.

AS CONTRADIÇÕES DO GOVERNO FLÁVIO DINO


Por Hugo Freitas

Apesar de ter dito exaustivamente durante a campanha eleitoral e ter reforçado durante a solenidade de posse que este seria "o fim dos privilégios" no Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) demonstra, a cada nova nomeação, que tudo não passou de favas contadas para "militontos" e a imprensa alinhada sorrirem.

Até então gozando de uma impressionante penetração e exposição nos veículos midiáticos, inclusive do Sul/Sudeste, Dino deve ter ficado estarrecido com a divulgação de uma matéria no jornal Folha de S.Paulo onde estão expostas, para todo mundo ver, as contradições de seu governo no tocante à nomeação de assessores.

A tucana Folha que hoje "ataca" o governador comunista do Maranhão é o mesmo veículo que, até bem pouco tempo atrás, tecia extravagantes loas à figura de Flávio, sendo inclusive o carro-chefe que pautava a imprensa nacional (impressa e televisiva) de onde partia o interesse de outros canais de comunicação em ver Dino estampado em suas câmeras e manchetes quase que diariamente, após o resultado das eleições de 2014.

Siga nosso perfil no Twitter e curta nossa página no Facebook

Alguns agentes dos bastidores da política local já cogitam a hipótese de que uma volumosa verba publicitária, a mesma que supostamente vem oxigenando o sonho e a imagem de Dino junto à imprensa nacional de disputar a Presidência da República daqui a quatro anos, não tenha chegado aos cofres da Folha, o que teria motivado esse eventual (?) "fogo amigo".

Se tal especulação possui base concreta ou não, só o tempo dirá. De concreto mesmo, apenas a matéria de uma corajosa Folha de S.Paulo que ao expor as vísceras do "governo da mudança", repleto de parentes, sócios e apaniguados - prática política histórica tão criticada por Dino na "era Sarney", mas que parece que irá se perpetuar no período "pós-Sarney" (ou será "era Dino"?), - demonstra não apenas temer uma provável "retaliação" dos comunas, como também parece ser useira e vezeira da "Tática Chatô", a mesma também denunciada e criticada veementemente por Flávio, mas que, nesse caso, tende a surtir efeitos positivos.

Pelo menos, para os donos do jornal paulista, sob pena do governador do Maranhão começar a assistir o naufrágio de sua (im)provável "marcha" ao Palácio do Planalto.

Flávio Dino faz uso das mesmas práticas políticas que tanto criticou durante a "era Sarney"

Fique com a matéria da Folha de S.Paulo:

Dino nomeia parentes de aliados no Maranhão

Principal adversário da família Sarney no Maranhão, o governador do Estado, Flávio Dino (PC do B), abriga em postos importantes parentes, namorada e até sócio de aliados.

A prática não configura nepotismo, já que os nomeados não atuam nos mesmos órgãos que os auxiliares aos quais são ligados. Mesmo assim, vem rendendo críticas a Dino, que condenava o nepotismo no governo dos Sarney.

O secretário de Articulação Política, Márcio Jerry, tem a namorada chefiando o gabinete do governador e a irmã dela como número dois da pasta de Esporte e Lazer.

A professora Joslene da Silva Rodrigues, namorada de Jerry, é dirigente do PC do B e próxima de Dino. Atuou na coordenação das campanhas e em seu gabinete quando ele foi deputado federal.

A irmã dela, Joslea, foi nomeada secretária-adjunta de Esporte. Ex-judoca, chefiou o departamento do idoso da pasta entre 2009 e 2013, no governo Roseana Sarney (PMDB), e atuou no Ministério do Esporte, comandado até 2014 pelo PC do B.

Na Secretaria de Representação Institucional do Maranhão no DF, a adjunta carrega um sobrenome conhecido: Liz Ângela Gonçalves de Melo é irmã do presidente do instituto de terras do Estado.

Ana Karla Silvestre Fernandes, mulher do ex-governador e futuro secretário de Minas e Energia, José Reinaldo Tavares, foi nomeada corregedora-geral do Estado.

Outro parente nomeado, o advogado César Pires Filho, assessor jurídico do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão, tem sangue oposicionista. Seu pai, o deputado estadual César Pires (DEM), foi líder do governo Roseana na Assembleia.

A presença de familiares no governo era uma das principais críticas da oposição nos anos de predomínio do grupo de Sarney. Um dos exemplos mais conhecidos era Ricardo Murad, cunhado de Roseana, que comandou a Secretaria da Saúde até o 2014.

Além de parentes, a gestão Dino terá o antigo sócio de um secretário justamente na pasta de Transparência e Controle, uma das principais promessas de sua campanha.

O titular, Rodrigo Lago, nomeou como chefe da assessoria especial Marcos Canário Caminha, com quem dividia um escritório de advocacia.

Embora o governo defenda as nomeações (leia texto abaixo), um de seus auxiliares admite “incômodo político”.

“Do ponto de vista jurídico, é evidente que não caracteriza nepotismo. Sob o ponto de vista político, não deixa de ser um certo incômodo, porque afinal de contas a gente vinha se debatendo com o grupo Sarney”, afirma o futuro secretário de Representação Institucional no DF, Domingos Dutra.

OUTRO LADO

O governo do Maranhão disse seguir “rigorosamente” a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que trata de nepotismo –para o STF, não podem ser nomeados parentes de autoridades ou gestores em um mesmo órgão.

A gestão ressaltou que nenhum nomeado tem parentesco com Flávio Dino.

Afirmou ainda que Joslene Rodrigues, Joslea Rodrigues e Ana Karla Fernandes são funcionárias públicas de carreira e que, assim como César Pires Filho e Liz Ângela Gonçalves de Melo, foram nomeadas por suas aptidões.

Sobre o secretário Rodrigo Lago e Marcos Canário Caminha, diz que eles encerraram a empresa que tinham para entrar na administração.

Siga nosso perfil no Twitter e curta nossa página no Facebook

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vereadora e filhas de prefeito são denunciadas à Justiça Federal por recebimento ilegal do Bolsa Família


O Ministério Público Federal no Maranhão denunciou Cleomara e Cleonara Andrade Pereira e Maria de Jesus do Nascimento Lima à Justiça Federal por suposto recebimento indevido de benefícios do Bolsa Família e do “Seguro Defeso”.

Segundo a denúncia, Cleomara, que era beneficiária do Bolsa Família desde 2009, passou a exercer o cargo de Conselheira Tutelar do Município de Monção (MA) em dezembro de 2011, recebendo um salário de R$ 1.356 mensais. Assim, a renda familiar por pessoa (per capita) de Cleomara ultrapassou o limite permitido pelo programa.

Já Cleonara, recebia o benefício do Bolsa Família, mesmo exercendo desde 2013 cargo comissionado na Prefeitura de Monção, assim como seu marido, ambos no valor de R$ 1,5 mil mensais. Além do mais, Cleonara também recebeu de 2009 a 2013 o “seguro defeso”, espécie de seguro-desemprego pago aos que declaram a pesca como única fonte de renda, informação diferente da que apresentou ao Programa Bolsa Família se dizendo dona de casa sem renda.

Ainda de acordo com a denúncia do MPF, Maria de Jesus também se beneficia do Bolsa Família desde 2008, mas exerce o mandato de vereadora desde janeiro de 2013. Mesmo antes de ocupar o cargo público, ela não se enquadrava no perfil dos beneficiários, já que possuía dois automóveis, uma residência e um ponto comercial, todos avaliados em R$ 136 mil, segundo informações prestadas por ela mesma à Justiça Eleitoral.

O Ministério Público acusa as três mulheres pela prática de estelionato, por obterem vantagem indevida, causando prejuízo à União, induzindo a erro o ente público ao informar dados falsos, ou deixar de informar posteriormente quando alterada as suas rendas.

Segundo o procurador da República, Juraci Guimarães Júnior, autor da denúncia, “é inadmissível que pessoas com considerável renda e patrimônio e inclusive ocupando cargos públicos recebam recursos públicos do Bolsa Família e do Seguro Defeso destinados a atender às famílias mais pobres da população”.

Se a moda pega, vai faltar cadeia para tanta gente do "colarinho branco". Em se tratando de desvios no Bolsa Família, cabe aqui os célebres versos do saudoso Bezerra da Silva: "Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão!"

Siga nosso perfil no Twitter e curta nossa página no Facebook

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Petrobrás cancela construção de Refinaria no Maranhão


A Petrobras informou no balanço do terceiro trimestre divulgado nesta quarta-feira (28) que as duas refinarias Premium, no Ceará e Maranhão, que não saíram do papel, geraram uma baixa contábil de R$ 2,707 bilhões: R$ 2,111 bilhões da Premium I e R$ 596 milhões, da Premium II.

O lucro líquido da Petrobras foi de R$ 3,087 bilhões, valor 38% inferior ao segundo trimestre deste ano, “refletindo as maiores despesas operacionais, principalmente pela baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e Premium II”, segundo informa o balanço da Petrobras.

A companhia atribuiu a desistência dos projetos das refinarias à falta de parceiros e à revisão das expectativas de crescimento do mercado de combustíveis. A decisão de descontinuar os projetos, segundo a companhia, foi tomada no último dia 22 de janeiro.

“A companhia, diante dos resultados econômicos alcançados até o momento, consideradas as taxas previstas de crescimento dos mercados interno e externo de derivados e da ausência de parceiro econômico para a implantação, condição prevista no Plano de Negócios e Gestão da Companhia, PNG 2014-2018, entendeu que deveria encerrar estes projetos de implantação”, citou a empresa, no balanço do terceiro trimestre de 2014.

Ainda segundo a Petrobras, a empresa adotará todas as providências necessárias para reestruturar os compromissos assumidos para os projetos das refinarias Premium I e II junto aos governos estaduais e municipais, agências reguladoras e outros órgãos envolvidos.


As informações são do portal G1

Siga nosso perfil no Twitter e curta nossa página no Facebook