quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MOBILIDADE URBANA: TRANSPORTE COLETIVO É PARA TODOS???


Prezado leitor, trazemos para vossa apreciação um interessante artigo sobre a questão da Mobilidade Urbana nas sociedades capitalistas.

O texto ora publicado, de linguagem acessível (diria até "tragicômica"), que explicita o olhar de seu autor sobre a cidade e os meios de transporte de São Luís, oferece a oportunidade de se discutir e refletir sobre um problema bastante atual nas sociedades que buscam alternativas e melhorias para um trânsito cada vez mais caótico e desumano. Boa leitura!!!

INDO E VOLTANDO - Transporte coletivo é para todos?

Por Irinaldo Lopes Sobrinho Segundo

Deveria ser. Até para que os coletivos urbanos fizessem jus ao nome que têm. A palavra "ônibus" vem de "omnibus", que em latim significa "para todos". Mas a realidade é que a maioria dos passageiros de ônibus só utiliza esse meio de transporte, se espremendo, se acotovelando, se cheirando e se pisando, por quatro razões.

Primeira. Não têm carro. Na nossa cultura, quando uma pessoa passa a ser proprietária de um automóvel, ela também passa a integrar um grupo diferenciado. É como se passasse a ser gente. Os homens ficam mais bonitos e atraentes. As mulheres ficam mais independentes e corajosas. É por isso que o carro é o bem de consumo mais desejado. E não seria a casa própria? Não, definitivamente. Ter uma casa até que é bom. Mas ela só fica parada, enraizada no seu terreno. Não dá pra sair por aí mostrando para todos. E, então, que graça tem? Com o carro é diferente. Ser proprietário de um automóvel é um atestado de vitória. "Olha só. Fulano(a) tá de carro! Parabéns!!!". Pelo mesmo motivo, não existe derrota social maior que a perda do automóvel, por roubo, acidente ou, vergonha das vergonhas, por falta de dinheiro para sustentá-lo. "Olha só. Fulano(a) tá sem carro. Ô lástima. Se junte aos pobres, amigo(a)". Só existe uma coisa pior que não ter carro. É ter e... perder. E é assim mesmo que o(a) ex-proprietário(a) passa a ser visto(a): como um(a) perdedor(a). Perdem-se, juntamente com o carro, a admiração dos familiares, a paciência e o interesse das namoradas, o respeito dos amigos, e a aura de ser extraordinário, que pairava acima da superfície terrestre e despertava olhares de inveja por onde passava. (Já perceberam os olhares que os passageiros de ônibus lançam pelas janelas para as pessoas que estão passando no automóvel ao lado? É uma mistura de olhar de cachorro vira-lata com fome parado na frente de uma máquina de galetos com aquele olhar de presidiário inocente mirando o sol pelas grades da prisão).

Segunda. Não têm moto. Numa espécie de escala evolutiva da raça humana, em relação à autonomia de deslocamento, o proprietário de uma moto está logo atrás do dono de um carro. É por isso que nas cidades menores, de economia mais acanhada, a primeira coisa que as pessoas compram quando passam a ganhar mais de um salário mínimo é uma moto. De preferência uma daquelas de 125 cilindradas ou uma daquelas scooters. O importante é que seja econômica. É óbvio que comprar uma moto muito potente - o que significa "muito cara" - não é para qualquer um. Geralmente, quem tem uma moto com mais de 450 cilindradas tem também um carro e usa a moto só por diversão. Aí já é outro assunto. O título de propriedade de uma moto, dessas mais simples mesmo, é uma espécie de carta de alforria. Pode até ser uma liberdade relativa, já que não dá pra dar carona para mais de uma pessoa, nem dá pra carregar todos aqueles objetos desnecessários que os donos de automóveis sempre levam consigo, espalhados sobre o banco traseiro ou no porta-malas. Mas, convenhamos, já é uma liberdade. Pelo menos a pessoa não vai ter que ficar se espremendo no corredor de um coletivo. Por outro lado, vai ficar se espremendo no corredor dos congestionamentos urbanos. No frigir dos ovos (literalmente, se for um motoqueiro), tem gente que prefere um milhão de vezes correr o risco de ser atropelado, xingado, enlameado, cortado e abalroado em cima de uma moto a se enclausurar por livre e espontânea vontade naquelas gaiolas gigantes que são chamadas de ônibus.

Terceira. Não têm dinheiro para andar de táxi. Essa provavelmente é uma das possibilidades de deslocamento mais prazerosa, confortável e... cara. Só para entrar e sentar a pessoa já paga mais de 3 reais. Alguém que ande de táxi cinco dias na semana, em percursos regulares de 10 quilômetros, com certeza gasta, ao final de um mês, o suficiente para pagar a prestação de um carro popular. Ou seja: quem anda de táxi usa esse meio porque quer. Não porque não tem dinheiro para comprar um automóvel próprio. Afinal de contas, andar de táxi tem muitas vantagens: você pode ir quase deitado no banco de passageiro e não se preocupa com estacionamentos, flanelinhas, riscos na lataria, desgastes das peças, danos à suspensão etc. Além de ter que pagar a corrida, geralmente salgada, a única desvantagem é que nem sempre você consegue um táxi na hora que precisa. Mas quem disse que usuário de ônibus tem um coletivo à sua disposição na hora da precisão? Corre até o risco de o “motora” passar propositadamente em cima de uma poça de lama e deixá-lo em um estado lastimável... além de atrasado.

Quarta. Não consegue ver a bicicleta como um meio de transporte. Essa incapacidade visual não é privilégio dos usuários de ônibus. Na verdade, todas as pessoas que nunca utilizaram uma bicicleta como meio de transporte em algum momento de suas vidas possuem uma anomalia na retina que compromete suas capacidades de enxergar o óbvio: a bicicleta é um meio de transporte. Tanto é assim que em países como Dinamarca, Holanda, Alemanha, boa parte dos deslocamentos urbanos são feitos por ciclistas. Em alguns casos, como em Amsterdam, capital holandesa, mais de 60% das viagens diárias são feitas em cima dos selins de uma bicicleta. Detalhe: vale lembrar que os países citados pertencem àquilo que antigamente se chamava “primeiro mundo”, o que significa que, neles, as desigualdades sociais são reduzidas e as pessoas têm muitas outras formas de deslocamento disponíveis. Têm carro, têm moto, têm dinheiro para andar de táxi, têm metrô. E ainda assim muitas preferem andar de bicicleta. Por quê? Porque ela é barata, de fácil manutenção, não emite CO², não usa combustível, não paga impostos, não ocupa muito espaço nas vias, faz bem à saúde, exercita os músculos, amplia a capacidade respiratória, não gera poluição sonora, é reciclável etc etc etc. Disso, tudo mundo já sabe. Mas, mesmo assim, na nossa sociedade, o usuário da bicicleta como meio de transporte tem relacionadas a si, muitas vezes, duas imagens depreciativas: ou é um pobre peão lascado miserável ignorante que não tem dinheiro nem para pagar a passagem do ônibus; ou é um louco kamikase excêntrico anárquico que não tem amor à vida e por isso se arrisca em transitar em uma cidade sem ciclovias adequadas.

É inegável que andar de ônibus, na nossa sociedade, não é para todos. É também inegável que adotar a bicicleta como meio de transporte exige precauções e esclarecimentos. E é mais inegável ainda (se é que isso é possível) que os problemas de mobilidade urbana afetam a todos, indiscriminadamente, esteja você dentro de um carro, em cima de uma moto, no banco de passageiro de um táxi, no corredor de um ônibus ou no selim de uma bicicleta.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

JUSTIÇA DETERMINA INTERDIÇÃO NO IML DE SÃO LUÍS


O Ministério Público do Trabalho no Maranhão obteve liminar junto à 6ª Vara do Trabalho de São Luís determinando, no prazo de 10 dias, a interdição da sala de repouso dos removedores de cadáveres e da sala de necropsia do prédio em que funciona o Instituto de Medicina Legal (IML) de São Luís.

A medida deve ser tomada até que sejam adotadas providências destinadas à redução dos riscos e à garantia de condições dignas de trabalho aos servidores e empregados terceirizados que prestam serviços no IML.

Na liminar, também foi concedida antecipação de tutela que obriga o Estado do Maranhão a cumprir diversas obrigações relacionadas ao ICRIM e ao IML, como a elaboração de programas de prevenção de riscos ambientais e de acompanhamento da saúde dos trabalhadores, fornecimento de equipamentos de proteção, vacinação dos profissionais, além de outras obrigações destinadas à melhoria das instalações e dos equipamentos necessários à prestação dos serviços.

No caso do descumprimento das obrigações determinadas, o Estado do Maranhão pagará multa diária no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) até o limite de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).

A ação é conduzida pela Procuradora do Trabalho Anya Gadelha Diógenes e resultou da constatação de inúmeras irregularidades trabalhistas e ambientais no ICRIM e no IML que representam grave risco à saúde e à integridade física dos trabalhadores.

A desinterdição somente ocorrerá se a Vigilância Sanitária e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Maranhão atestarem o cumprimento das obrigações determinadas pelo Juiz Carlos Gustavo de Brito Castro.

Leia a íntegra da decisão judicial

Fonte: Blog do Itevaldo
Editado por: Hugo Freitas

Piso nacional do magistério é definido em R$ 1.451,00


O Ministério da Educação (MEC) definiu em R$ 1.451 o valor do piso nacional do magistério, com data retroativa para 1º de janeiro deste ano, o que corresponde a um aumento de 22,22% em relação a 2011.

A decisão do MEC, divulgada na tarde desta segunda-feira (27), estabelece o valor de R$ 1.451,00 como remuneração mínima do professor de nível médio para uma jornada de 40 horas semanais.

Segundo o MEC, a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) de 2011, em relação ao valor de 2010. O piso aplicado em 2011 foi de R$ 1.187, e em 2010, de R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o piso era de R$ 950.

A aplicação do piso é obrigatória para estados e municípios de acordo com a lei federal número 11.738, de 16 de junho de 2008.

Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos, mas, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Hugo Freitas
Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

CASO UFMA: MPF decide arquivar processo sobre suposto esquema de fraude na universidade

Professor que fez denúncias de suposta fraude na UFMA pode sofrer sanções

O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) decidiu arquivar o processo investigatório que apurava suposto esquema fraudulento de notas na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A decisão ocorreu após o denunciante, conhecido por Ayala Gurgel, apresentar novos esclarecimentos sobre o caso. A Universidade instaurou comissão sindicante para apurar as denúncias e, se constatar irregularidades, deve comunicar ao MPF/MA. Do contrário, a conduta do docente será apurada administrativamente.

De acordo com as primeiras denúncias, publicadas no twitter do professor, seis alunos da instituição federal teriam sido aprovados sem realizar provas, na disciplina que ele ministrava. Ainda segundo as denúncias de Gurgel, uma professora da UFMA teria plagiado tese de doutorado. (REVEJA AQUI)

Houve apuração preliminar do MPF/MA junto à UFMA e após explicações do denunciante sobre como os alunos foram aprovados, a Universidade instaurou comissão sindicante para esclarecer os fatos.

Diante desses procedimentos, o MPF/MA entendeu que, o que a princípio foi classificado por Ayala Gurgel como fraude, na verdade, se tratava de um procedimento administrativo regular de revisão de notas de discentes, que haviam recorrido da avaliação do professor. Sem elementos que caracterizassem alguma ilegalidade, o MPF/MA decidiu pela arquivação do processo.

Agora, cabe à comissão sindicante da UFMA verificar a procedência das denúncias do professor e, se necessário, adotar providências legais, incluindo comunicar ao MPF/MA.

Caso as denúncias não sejam comprovadas pela comissão, a conduta do professor deve ser apurada administrativamente.

Fonte: Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA)
Editado por: Hugo Freitas

domingo, 26 de fevereiro de 2012

PÂNICO E CQC VÃO DIVIDIR ESTÚDIO NA BAND


Não bastasse estarem agora na mesma emissora, "Pânico na TV" e "CQC" vão dividir o mesmo estúdio.

De acordo com o jornal "Diário de S.Paulo", edição deste sábado (25), os humorísticos serão apresentados no mesmo estúdio 1 da Band.

Os cenários serão montados e desmontados no mesmo dia, o que indica  duas possibilidades: ou o "Pânico na TV" passará a ser exibido às segundas-feiras, já que o "CQC" vai ao ar todas as segundas, ao vivo; ou o "CQC" deixará de ser ao vivo e passará a ser exibido em outro horário. Nesse quesito, contudo, nada ainda é certo.

De acordo com o referido jornal, as primeiras cenas externas do "Pânico" pela Bandeirantes devem ser gravadas na próxima segunda-feira (27).

Porém, ainda não há previsão de quando o humorístico de Vesgo, Ceará, Bola, Sabrina e cia. irá estrear na nova casa.

Um dos principais motivos da saída do Pânico da Rede TV! foram os atrasos no salário da equipe, conforme noticiamos aqui no blog (REVEJA).

Hugo Freitas

sábado, 25 de fevereiro de 2012

PONTE DA DISCÓRDIA: Impasse ameaça fechar ponte que liga MA e PI

Ponte Metálica, que liga Timon à Teresina

O impasse sobre a responsabilidade da manutenção da ponte João Luiz Ferreira, que liga a capital do Piauí, Teresina, ao município de Timon, no Maranhão, está gerando transtornos à população das duas localidades e pode acabar com a interdição do principal ponto de ligação entre os dois Estados nordestinos.

Segundo o MP-PI (Ministério Público do Piauí), a ponte está parcialmente interditada por conta de problemas na fiação do semáforo. Por causa disso, o tráfego em um dos sentidos foi prejudicado, e os motoristas acabam obrigados a enfrentar rotas alternativas – existem outras duas pontes que ligam as duas cidades.

A ponte metálica (como é conhecida) tem 72 anos de construção e fica sobre o rio Parnaíba. Desde 2008, é considerada patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Durante boa parte de sua existência, o local serviu apenas para a passagem de trem.

Com o passar dos anos, a ponte foi adaptada para receber fluxo de veículos e servir de ponto de travessia para pedestres. Porém, por ser muito estreita, apenas um carro pode passar por vez pelo local, o que obriga os motoristas a obedecerem a um semáforo, que alterna o sentido da ponte. Como o semáforo vem apresentando problemas, a inversão do fluxo de carros fica impossibilitada.

A ponte é o principal acesso para os moradores de Timon (MA) se deslocarem para o trabalho em Teresina (PI). À noite, por exemplo, são registrados grandes congestionamentos no lado do Piauí, com o retorno dos moradores da capital para o lado maranhense.

Além de problemas com o semáforo no lado piauiense, o impasse sobre a manutenção impede que a ponte tenha policiamento e fiscalização de trânsito. Além disso, o local precisa de reparos de iluminação e melhorias no asfalto.

Diante das reclamações da população, no último dia 15/02, o MP-PI realizou uma reunião - a segunda no ano – com representantes do Departamento Municipal de Trânsito de Timon e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Teresina - Strans. Porém, sem a presença dos representantes da RFFSA, os dois municípios voltaram a divergir e não chegaram a um acordo.

Argumentos

O impasse ocorre porque, do lado piauiense, há um entendimento de que não caberia à prefeitura a manutenção da ponte, mas, sim, à RFFSA – Transnordestina. Segundo informou o advogado da Strans, Mario Andretti, é a empresa que deveria se responsabilizar pela solução dos problemas e fiscalização do local.

“Existe hoje um conflito de competências. No nosso entendimento, cabe à RFFSA, que é a administradora da ponte e permite o tráfego no local, todos os cuidados de sinalização, não a Teresina”, disse.

Apesar de alegar não ter responsabilidade, a prefeitura informa que vem investindo no entorno da ponte, como fez com a inauguração da iluminação da alça de acesso, em março de 2011, e outras obras de melhoria.

Já do lado de Timon, a prefeitura informou que está disposta a dividir a responsabilidade da manutenção com a prefeitura vizinha, mas cobra à capital piauiense um acordo que determine as funções de cada uns dos entes. A prefeitura também não descartou a manutenção completa da ponte, mas que também dependeria de um acordo com Teresina e com a RFFSA.

Para o MP-PI, os municípios devem se responsabilizar, sim, pela manutenção da ponte. A recusa dos piauienses em tomar a frente da administração de parte da ponte levou o MP a ameaçar pedir a interdição da ponte e processar os gestores responsáveis.

Em nota, o MP-PI informou que a hipótese de processar a administração municipal virá “se a Prefeitura de Teresina não assumir a responsabilidade sobre o controle do acesso à ponte.”

A expectativa é de que, com o fim do Carnaval, representantes de Teresina e de Timon se reúnam novamente com integrantes do Ministério Público e das empresas citadas na matéria para resolverem este impasse.

Até o momento, a ponte que liga o Maranhão ao Piauí, que tinha tudo para ser  chamada de "Ponte da Amizade", está mais para "Ponte da Discórdia".

Hugo Freitas
Com informações do UOL Notícias

SÓ NO PAPEL: Comissão da Verdade emperra no Planalto


Três meses após criação do grupo, Dilma não avança na tarefa de indicar seus integrantes e Planalto nada revela

A presidente Dilma Rousseff tem encontrado sérias dificuldades para montar a Comissão da Verdade. Três meses depois de sancionar o projeto de lei que criou a comissão, as informações no Palácio do Planalto são de que nem os primeiros passos foram dados. Mais que isso: sobre o assunto foi imposta uma mordaça nos auxiliares da presidente.

Procurada pelo Estado por dez dias seguidos, a Secretaria dos Direitos Humanos - que deveria tratar do assunto - não se manifestou. O máximo que os auxiliares da ministra Maria do Rosário disseram foi que ninguém estava autorizado a falar a respeito da Comissão da Verdade. E que a ministra não se manifestaria naquela hora, por achar que não era conveniente.

As raras menções à comissão não partem do Palácio do Planalto ou dos ministérios que deveriam cuidar do tema, mas de pessoas interessadas no tema. Uma delas é a deputada Luiza Erundina (PSB-SP). "O tempo está passando e ninguém diz nada a respeito da formação da comissão", disse a deputada ao Estado.

Ela disse ter ouvido falar que alguns auxiliares de Dilma teriam procurado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para saber se ele aceitaria coordenar a comissão. Também teriam chegado sondagens aos ex-ministros José Carlos Dias e José Gregori (ambos da Justiça, durante o governo de FHC) e ao diplomata e acadêmico Paulo Sérgio Pinheiro. No entanto, a informação não foi confirmada por pessoas ligadas aos três.

A demora para montar a Comissão da Verdade poderá levar o País a uma situação inusitada. É que a partir de março será criada a Subcomissão Verdade e Justiça, um desmembramento da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, cuja função será assessorar no Legislativo a Comissão da Verdade do Executivo.

A subcomissão poderá fazer convites, tomar depoimentos, ouvir testemunhas sobre assuntos relativos ao que ocorreu no Brasil de 1946 a 1988. Assim, ela iniciaria seus trabalhos antes mesmo que o órgão a ser auxiliado viesse a existir.

Ao sancionar a lei que criou a Comissão da Verdade, no dia 18 de novembro de 2011, Dilma reuniu os três comandantes militares, senadores, deputados e ministros ligados à área dos direitos humanos. Lembrou que Argentina, Chile, Uruguai e África do Sul já criaram as suas comissões e já fizeram um reencontro entre o passado e o presente.

Dilma chegou a dizer que aquele 18 de novembro entraria para a História. "É o dia em que comemoramos - e partir de agora iremos comemorar - a transparência e celebrar a verdade", disse. No mesmo dia, sancionou a Lei do Acesso à Informação. Considerou o momento tão importante que, segundo ela, deveria ser comparado à criação das leis trabalhistas, em 1943, e à promulgação da Constituição de 1988.

A presidente elogiou o Congresso por ter aprovado a lei: "A comissão significa, fundamentalmente, uma manifestação de respeito e um tributo aos que lutaram pela democracia no Brasil."

Quando for criada, a Comissão da Verdade será composta por sete integrantes. Como a aprovação da lei foi negociada com os setores que apoiaram a ditadura militar e os que a combateram, eles não poderão pertencer a nenhum dos lados; não poderão ter cargos de direção em partidos - à exceção dos de natureza honorária - e não poderão estar em cargo em comissão ou função de confiança em quaisquer esferas do poder público.

A comissão poderá apenas investigar. Não tem autorização para punir. Seu trabalho terá de ser concluído dois anos depois de constituída. O que for apurado será entregue ao Arquivo Nacional.

Fonte: Agência Estado
Editado por: Hugo Freitas

CHORAR ENGRANDECE

Anna Karina no filme "Viver a Vida"

Eis mais uma, entre as tantas, vantagens das fêmeas sobre os marmanjos: a coragem, o destemor, a arte de chorar em público.

Se o choro vem, as mulheres não congelam as lágrimas, como os moços, esses moços, pobres moços…

Não guardam as lágrimas para depois, como nós, que sempre adiamos as cachoeiras interiores, não levam as lágrimas para derramar escondidos na alcova.

Pior ainda é o homem que não chora nunca. Além de fazer mal ao coração, esse tipo não merece muita confiança.

As mulheres não, falo da maioria das fêmeas, desabam em qualquer canto e hora. Se estão mal de amor, choram na firma, no escritório mesmo, na fábrica, choram no trânsito, choram no metrô, simplesmente desabam.

Como invejo as lágrimas sinceras das moças.

Quantas vezes a gente não se preserva, por fraqueza, enquanto as lágrimas, em queda d´água, batem forte no peito machista e viram apenas pedras do gelo do uísque.

Como invejo as mulheres que misturam sim o trabalho com o drama furioso da existência.

Desconfio da frieza profissional, das icebergs de tailleur, que imitam os piores homens e guardam tudo para molhar o travesseiro solitário numa noite de inverno.

Ora, as mulheres podem ser infinitamente poderosas, administrarem plataformas de petróleo nos mares e chorarem um atlântico diante de uma indelicadeza da vida.

Lindas e comoventes as mulheres que choram em público, nas ruas, nos cafés, nos bares, nos restaurantes, no táxi. São antes de tudo umas fortes. Tristes dos que estranham ou ficam envergonhados com o mais verdadeiro dos choros.

Triste dos que acham que não levam a sério, que tratam como sintomas da TPM e chiliques do gênero, que fracasso. Ora, até mesmo os choros de varejo, não importam as causas, são comoventes. Chorar engrandece.

Fazer amor depois de lágrimas, então, é sentir o sal da existência, romanticamente, sem medo de ser ridículo ou cafona.

Acabei de testemunhar uma dessas lindas e corajosas moças, chorava no metrô da avenida Paulista.

Por que chorava aquela moça?

A moça não escondia os soluços do choro. Terá discutido a relação, a velha D.R., à boca da estação Paraíso? Veste roupa de trabalho sério, e chora.

Daqui a pouco estará sentada na sua cadeira de secretária, exímia, bilíngüe, a serviço da grana “que ergue e destrói coisas belas”.

Teria levado um pé-na-bunda, um fora? Teria visto o casamento pelo binóculo do titio Nelson Rodrigues? Perdoa-me por me traíres?

A moça que chorava sabia que o amor -repito o que já disse mil vezes no blog- é como o metrô na avenida Paulista: começa no Paraíso e termina na Consolação.

VERDADE??? Falar mal dos outros é a melhor maneira de fazer amizade


É verdade: o veneno aproxima as pessoas. Se você perguntar a um grupo de amigos porque eles são amigos, eles provavelmente vão dizer que gostam das mesmas coisas e das mesmas pessoas.

Mas desgostar das mesmas pessoas também é um fator bem importante. É o que aponta um estudo feito nas universidades de Oklahoma e do Texas (EUA).

Primeiro, os pesquisadores colocaram os participantes para lembrar de como nasceram suas amizades mais duradouras (e a maioria tinha sido compartilhando opiniões negativas sobre os conhecidos em comum).

Depois, perguntaram sobre como eles agiam em relação às outras pessoas quando estavam com os três amigos mais próximos (e a tendência mais forte era falar mal do pessoal ao redor).

Por fim, propuseram um teste que mostrou que se você conhece uma pessoa que faz as mesmas ressalvas que você sobre o comportamento das outras pessoas (“ela fala alto demais”, por exemplo), as chances de você gostar dela são maiores.

“Não é que a gente goste de não gostar das pessoas”, diz uma das autoras do estudo, Jennifer Bosson. “É que a gente gosta de conhecer pessoas que não gostam das mesmas pessoas”, explica.

E você, prezado leitor, o que acha dessa pesquisa???

Hugo Freitas
Com informações das agências internacionais

ATENÇÃO, INTERNAUTAS: Ficar sentado por muito tempo aumenta riscos à saúde


Um estudo da Associação Médica dos EUA mostra que passamos mais tempo sentados (9,3 horas) do que dormindo (7,7 horas) a cada dia. Esse fato foi causado pelas mudanças no trabalho humano e afeta nossa saúde de modo direto.

Quem fica mais de seis horas por dia sentado (o blogueiro compulsivo está nesse time) tem 40% a mais de chances de morrer do que quem trabalha menos tempo sentado. Entre 1980 e 2000, o tempo fazendo exercícios físicos permaneceu o mesmo, mas o tempo sentado aumentou 8%. Como consequência, o índice de obesidade nos EUA dobrou nessas duas décadas.

Ficar muito tempo sentado diminui a atividade elétrica nos músculos, o nível de insulina no sangue (aumenta o risco de diabetes) e baixa os níveis do "colesterol do bem".

Por isso, estimado leitor internauta, sempre que possível, levante e ande!!!

Hugo Freitas
Com informações das agências internacionais

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MISTÉRIO!!! Objeto Não-Identificado cai no interior do Maranhão


Um objeto ainda não-identificado, em formato esférico, de cor metálica, com aspecto de queimado, caiu do céu no município de Anapurus, interior do Maranhão, e despertou a curiosidade e a imaginação de inúmeros populares.

A queda do objeto, que teve repercussão nacional na edição desta tarde (24), no Jornal Hoje (JH), da Rede Globo, até o momento não foi identificado pelas autoridades competentes no assunto.

Segundo informações do povoado de Anapurus, após um estrondo que parecia um trovão, o misterioso objeto veio ao chão, envolto numa enorme bola de fogo vindo do espaço.

Com formato esférico, o objeto tem o tamanho aproximado de um botijão de gás de cozinha.


A população da cidade do município maranhense e de regiões vizinhas ficaram bastante assustados com a misteriosa queda do objeto.

Com o impacto da queda, árvores foram destruídas, apontando que o objeto teria vindo de uma grande altitude.


Em entrevista à imprensa local e nacional, populares levantaram a hipótese de se tratar de parte de algum satélite que estaria se deteriorando no espaço. Outros disseram se tratar de pedaços de uma nave alienígena. E os místicos afirmaram ser um prenúncio do fim do mundo.


E você, prezado leitor, no quê acredita???

Hugo Freitas
Com imagens dos blogs Interligado e William

Novo planeta vermelho tem mais água do que a Terra


Um grupo de astrônomos da Nasa e do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (Cambridge, Estados Unidos) descobriu a existência de um novo tipo de planeta, composto em sua maior parte de água e com uma leve atmosfera de vapor.

Trata-se de um planeta fora de nosso sistema solar denominado "GJ1214b", descoberto em 2009 graças ao telescópio espacial Hubble da Nasa, e que, segundo recentes estudos, tem "uma enorme fração de sua massa" composta de água.

Em nosso sistema solar, existem três tipos de planetas: rochosos e terrestres (Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte), gigantes gasosos (Júpiter e Saturno) e gigantes de gelo (Urano e Netuno).

Por outro lado, existem planetas variados que orbitam em torno de estrelas distantes, entre os quais há mundos de lava e "Júpiteres" quentes.

O "GJ1214b", situado a 40 anos luz da Terra, é considerado uma "super-Terra", com 2,7 vezes o comprimento de nosso planeta e sete vezes seu peso.

Ele orbita a cada 38 horas ao redor de uma estrela vermelha anã e possui temperatura estimada de 450 graus Fahrenheit (232 graus celsius).

Em 2010, um grupo de cientistas havia indicado que a atmosfera de "GJ1214b" deveria ser composta em sua maior parte por água, depois de medir sua temperatura.

As medições e observações foram efetuadas quando o "GJ1214b" passava diante de seu sol, o que permitiu comprovar que a luz da estrela era filtrada através da atmosfera do planeta, exibindo um conjunto de gases que dão uma coloração avermelhada ao planeta.

O super telescópio Hubble permitiu aos astrônomos a elaboração de um cálculo da densidade do planeta a partir de sua massa e tamanho, comprovando que tem "muito mais água do que a Terra".

Hugo Freitas
Com informações da Agência Internacional AFP

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

AS CINZAS DO CARNAVAL DO GOVERNO ROSEANA SARNEY


O polêmico e histórico desfile da Beija-Flor ainda vai gerar muita discussão. O Governo do Estado emitiu Nota na manhã desta quinta-feira (23) agradecendo "o carinho, o empenho e o comprometimento da escola com o Estado".

A Nota do governo elogia a agremiação carnavalesca pelo fato das "histórias, lendas e cultura únicas" de São Luís terem sido "muito bem representadas no enredo", desejando a continuidade da escola de Nilópolis em realizar "projetos tão empolgantes e espetaculares".

Por fim, a Nota do Governo Roseana Sarney é taxativa e certeira: "O desfile de 2012, com certeza, ficará marcado na memória dos maranhenses que são apaixonados por sua terra".

Disso não resta a menor dúvida. Crê-se que esta é a primeira vez na história do Maranhão, e de São Luís, que governistas e oposicionistas comungam e compartilham o mesmo sentimento de frustração, de decepção e de crítica ao governo Roseana Sarney, que investiu algo em torno de 10 milhões de reais para mostrar as "histórias, lendas e cultura únicas" da cidade, e acabou vendo outra coisa.

O governo considera que os 400 anos da cidade de São Luís foram "muito bem representados" no enredo da Beija-Flor, esquecendo-se ou não levando em consideração o fato de, justamente neste quesito, "Enredo", a escola não ter recebido nenhuma nota 10, na apuração realizada nesta quarta-feira (22) no sambódromo do Rio, o que contribuiu para o "decepcionante" 4º lugar na classificação geral.

A expectativa de muitos era de ver a Beija-Flor, campeã do ano passado, ser novamente campeã este ano com um enredo que traria para a avenida aquilo o que a história tradicional contada pelos "letrados" maranhenses legou à população: "a única capital fundada por franceses", casarões, "lendas, magias e mistérios", "Atenas Brasileira", "o português melhor falado", artistas, poetas, intelectuais e o próprio Sarney, que sequer foi mencionado.

Já que o governo de sua filha patrocinou a escola, não seria nenhum espanto até mesmo vê-lo desfilando na avenida, considerando-se que ele já foi governador do "Maranhão Novo" (1966-1970) e presidente da Academia Maranhense de Letras.

Sem dúvida alguma, como afirma a Nota do Governo do Estado, "O desfile de 2012, ficará marcado na memória dos maranhenses que são apaixonados por sua terra".

Se nunca houve consenso no Maranhão em relação à política praticada pelo grupo familiar dominante há quase cinco décadas, bastando lembrar que nas últimas eleições para o cargo de Governador do Maranhão Roseana Sarney e Flávio Dino praticamente dividiram o Estado ao meio, com a discutida vitória da atual governadora por apenas 0,08% de votos de diferença, esta é a primeira vez que tanto os favoráveis aos sarneys quanto os oposicionistas apertaram as mãos e disseram em uníssono: "Jogaram nosso dinheiro no lixo".

Enquanto a oposição alardeava o infame investimento de 10 milhões de reais para uma escola de samba pelo governo que se retroalimenta de propaganda e o mesmo não faz pela Saúde, Educação, Saneamento e Transporte Público no Estado com o pior IDH do país, os favoráveis ao governo entristeceram-se ao não contemplarem a história que "São Luís merecia", a dos poetas, casarões, brincadeiras e danças folclóricas. Pelo contrário, ficaram "chocados" ao verem uma história de negros e escravos e das manifestações culturais afro-brasileiras serem expostas na tela da Globo para o mundo inteiro ver.

Será este o começo do fim? Será que isso vai se transmutar em votos nas próximas eleições estaduais, daqui a dois anos? Será que os favoráveis aos sarneys esquecerão esse desfile que não massageou o ego das elites aristocráticas dominantes e que não falou da "identidade de São Luís" votarão no candidato da oposição "só de mal"??? Será que foi um tiro no pé do próprio governo esse milionário e irresponsável "investimento"? Será este o Carnaval mais cinzento da história da vida de Roseana Sarney, cuja empolgação pelos 400 anos de São Luís pode ter sido reduzida a pó??? Só o tempo dirá!!!

Como disse em artigo anterior (VEJA AQUI) "o que se viu na Sapucaí foi a demonstração de que a História é contada sob diversos ângulos. E este, escolhido pela escola de Nilópolis, não agradou nem a gregos nem a troianos e, provavelmente, também não deve ter agradado aos seus "padrinhos" milionários, principais difusores da cultura letrada e aristocrata do Maranhão."

Hugo Freitas
Historiador, Sociólogo e Jornalista

Confira, abaixo, a íntegra da Nota do Governo do Estado:

NOTA – Governo agradece empenho da Beija-Flor

Diante do belo espetáculo apresentado pela Beija-Flor na Marquês de Sapucaí, o Governo do Maranhão só tem a agradecer o carinho, o empenho e o comprometimento da escola com o estado.

O maranhense, com suas histórias, lendas e cultura únicas foi muito bem representado no enredo “São Luís – O Poema encantado do Maranhão”. A agremiação também alcançou a expectativa de projeção do estado, por meio da exibição do desfile para 115 países e por inserções na internet e outros meios.

Que a Beija-Flor continue a realizar projetos tão empolgantes e espetaculares. O desfile de 2012, com certeza, ficará marcado na memória dos maranhenses que são apaixonados por sua terra.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

BEIJA-FLOR E O "TAPA-NA-CARA" DE SÃO LUÍS


É impressionante a repercussão "negativa" nas redes sociais sobre o desfile da Beija-Flor que abordou os 400 anos de São Luís, no último domingo (19), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

A Beija-Flor surpreendeu e "frustrou" o público que aguardava com ansiedade um desfile das tradições aristocráticas e turísticas esculpidas pelas elites dominantes de São Luís.

Os "críticos de plantão" que apontaram um "péssimo" desfile da escola colocam tudo culpa no enredo, como se ele tivesse vida própria. Muitos esquecem que a escolha do samba-enredo foi feita após um concurso, no qual inúmeras propostas foram avaliadas.

Como a Beija-Flor poderia apresentar algo diferente de um samba-enredo que foi eleito democraticamente para ser apresentado na Sapucaí em outubro do ano passado?

A maioria dos "críticos" sobre o já polêmico desfile da escola de Nilópolis aponta uma exacerbação, um exagero da Beija-Flor em privilegiar as contribuições da cultura negra-africana escravizada em detrimento de outros elementos "característicos" da cultura ludovicense.

Além disso, criticam com veemência a merecida homenagem da escola à Joãosinho Trinta. Logo ele, falecido no final do ano passado, que fez do carnaval carioca o que hoje ele é (produto turístico) e que, por isso mesmo, se tornou conhecido e reconhecido por sua terra natal e seus conterrâneos.

Talvez, se não fosse o Joãosinho Trinta, este texto não teria nem sua razão de ser, muito menos as expectativas frustradas da população ludovicense e as críticas dedicadas à Beija-Flor pelos internautas maranhenses.

Mas aí vem a pergunta que incomoda aqueles que não estão abertos ao diálogo e ao debate salutar de ideias e do contraditório: Qual a cultura que o "povo" gostaria de ver na Marquês de Sapucaí?

Aquela propalada aos quatro cantos do mundo como a "Atenas Brasileira"? A terra berço e celeiro de poetas e intelectuais? Aquela dos telhados e casarões, Patrimônio da Humanidade, quase todos caindo aos pedaços por falta de preservação e de conscientização das autoridades?

Ou aquela que experimentou a revolta dos negros balaios, na célebre "Balaiada"? Ou aquela que se levantou contra a corrupção do judiciário maranhense na conhecida "Greve de 51", que fez São Luís ser conhecida também como "Ilha Rebelde"?


Quantos queriam ver a cognominada "Jamaica Brasileira", sem saber que o mesmo reggae venerado nos dias atuais surgiu nos guetos e bairros periféricos da cidade e que, posteriormente, se tornou produto "tipo exportação", atingindo todas as esferas sociais da capital, inclusive as mais abastadas, assim como o Bumba-Meu-Boi, perseguido e reprimido ontem e patrimônio imaterial hoje?

A razão prática disso é que não se pode falar de tudo. É necessário um recorte, o que implica escolhas e renúncias. E numa escola de samba, reconhecidamente de tradição negra-africana, cujo intérprete se chama "Neguinho da Beija-Flor", não haveria motivo para tal espanto.

Mas por que o espanto com uma cidade que foi construída historicamente com o suor e o sangue derramados de uma população pobre, com mais de 80% de analfabetos e composta por ampla maioria de negros africanos escravizados, desde a Colônia até o advento da República?

Porque NÃO. Essa história ninguém quer ver nem conhecer. É feia. É suja. E a "sujeira" no Brasil tem cor, principalmente no Maranhão dos hipócritas de plantão. É preferível vangloriar-se com sinhá Dona Ana Jansen, mulher rica, branca, aristocrata, que surrava seus escravos a esmo ou com as lendas da Serpente Encantada e de D. Sebastião (outro nobre) a contemplar um pedaço da história do Estado, que muitos querem negar, passando na telinha da Globo para o mundo inteiro ver.

Mais interessante ainda é perceber que a maioria dos "críticos de plantão" são brancos, pertencentes às camadas mais aquinhoadas da população ludovicense, com acesso a internet. Alguns são intitulados de "jornalistas" que se quer se preocupam em investigar a história da cidade que intentam defender em suas linhas textuais. Outros são "acadêmicos" que ao expressarem seu "desapontamento" com a Beija-Flor parecem querer colocar para debaixo do tapete a história que incomoda, a história que não vende, a história que não atrai turistas.

Não satisfeitos, querem encontrar "culpados" por não terem visto os "encantos e belezas naturais" de São Luís, seus telhados, azulejos e casarões (grande parte em ruínas), seus poetas aristocratas pertencentes à mais alta elite política e intelectual do Estado, cuja obra desde pequeninos tiveram que engolir forçosamente, mas que agora, na maior idade, reproduzem com tamanho empenho e preconceito que chega a dar asco.

Foi uma grata surpresa contemplar que os carnavalescos da Beija-Flor não se deixaram seduzir por essa história construída, fabricada, moldada e reivindicada como "legítima" de veneração, de memória, de identidade da cidade de São Luís, que em última análise, apenas favoreceram as posições dominantes de quem ainda se mantém no poder político do Maranhão.

Foi um "tapa-na-cara" de quem pagou e queria ver a "cultura letrada" cantada e as ruínas do Centro Histórico desfilando na Avenida e se abismou com as contribuições históricas e sociais da cultura afro que compuseram a história de São Luís, com muito sangue e suor.


E o tal "espanto" nada mais é do que a ignorância de quem desconhece a sua própria história, ou teima e finge em não querer conhecer.

Sem entrar no mérito da questão do repasse de 10 milhões de verba do Governo do Estado (muito para uma escola de samba em relação às necessidades mais prementes da população que sofre com a falta de médicos e materiais nos hospitais e de professores qualificados e bem remunerados nas salas de aulas), o que se viu na Sapucaí foi a demonstração de que a História é contada sob diversos ângulos. E este, escolhido pela escola de Nilópolis, não agradou nem a gregos nem a troianos e, provavelmente, também não deve ter agradado aos seus "padrinhos" milionários, principais difusores da cultura letrada e aristocrata do Maranhão.

Parabéns, Beija-Flor!!!

Hugo Freitas
Historiador, Sociólogo e Jornalista

DAVID HARVEY NO BRASIL, O AUTOR DE "CONDIÇÃO PÓS-MODERNA"



O escritor britânico David Harvey confirmou que irá visitar o Brasil, na próxima semana, para realizar as conferências de lançamento do livro O enigma do capital e as crises do capitalismo.

David Harvey é geógrafo e professor de Antropologia da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Suas pesquisas são focadas particularmente sobre o estudo das cidades - as análises sobre as implicações econômicas, sobre a arquitetura das cidades e as noções de espaço-tempo.


Dentre outras obras já publicadas, sem dúvida a que teve maior repercussão foi a Condição Pós-Moderna, um dos livros mais citados no mundo, tendo sido lançado no Brasil em 1993, e que foi apontado pelo periódico britânico "Independent" como um dos 50 trabalhos mais importantes desde a Segunda Guerra Mundial.

Neste livro, Harvey elabora uma crítica dialética do que é apresentado como “condição pós-moderna”. O significado dialético de sua análise refere-se ao esforço de confrontar as tendências da arte, da arquitetura, da filosofia e da política pós-modernas com as exigências econômicas decorrentes dos ciclos de expansão e crise do capitalismo.

É nesse sentido que toda a análise de Harvey acerca da "Condição Pós-Moderna" diz respeito a determinados condicionantes histórico-geográficos.

No livro que virá lançar no Brasil, O enigma do capital e as crises do capitalismo, David Harvey desnuda as razões para o fracasso da sociedade de “livre mercado”, jogando por terra o argumento de que a crise financeira mundial, que começou em 2008 e está longe de acabar, não tenha precedentes.

"Tento restaurar algum entendimento sobre o que o fluxo do capital representa. Se conseguirmos alcançar uma compreensão melhor das perturbações e da destruição a que agora estamos todos expostos, poderemos começar a saber o que fazer", afirma o autor.

Para tanto, Harvey estuda as condições necessárias para a acumulação do capital e utiliza rigoroso arsenal teórico ao expor o papel fundamental que as crises têm na reprodução do capitalismo e os riscos sistêmicos de longo prazo que o capital representa para a vida no planeta.

Serão três dias de eventos nas universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Confira a programação:

-segunda-feira, dia 27/02, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebe Harvey no Teatro TUCA;

-terça-feira, dia 28/02, é a vez da Universidade de São Paulo (FAU-USP);

-e na quarta-feira, dia 29/02, o autor marxista se apresenta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ).

Todos os eventos são gratuitos e sem necessidade de inscrição prévia.

Hugo Freitas