terça-feira, 31 de maio de 2011

Começa hoje a XI Semana de Comunicação da UFMA


O Departamento de Comunicação Social e a Universidade Federal do Maranhão realizam a XI SEMANA DA COMUNICAÇÃO da UFMA, que tem início hoje (31/05) e vai até o dia 03 de junho, nas instalações da instituição.

Paralelamente à Semana, serão realizadas a I Jornada de Pesquisa e Extensão em Comunicação e I Semana do Audiovisual.

Para o evento, há as presenças confirmadas de Lúcia Santaella (PUC/SP), Erick Felinto (UERJ), Marcos Palácios (UFBA), André Pase (PUC/RS) e a cineasta Eliane Caffé.

Na programação de hoje (31), o Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (DCS/UFMA) convida os interessados a participarem da Conferência de Abertura do evento, às 18:00 horas, no auditório da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Sociais (CCSO), a ser ministrada pela Profª Dra. Lúcia Santaella, da Universidade Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para outras informações, acessem o site www.semanacomunica.ufma.br Contatos podem ser feitos pelo mail semanacomunica@ufma.br ou pelo telefone (98) 3301-8430.

Hugo Freitas

AS GRAVES DEFICIÊNCIAS DA UFMA

Prezados leitores, trazemos para vossa apreciação a reportagem exibida no Jornal da Gobo, na qual são mostradas as graves deficiências estruturais das universidades brasileiras, inclusive a UFMA, bem como o espantoso relato do atual reitor, Natalino Salgado, sobre a falta de estudos que revelem o desenvolvimento dos alunos que saem da universidade. Vale a pena conferir!


A LAMBANÇA COROADA DE NATALINO SALGADO

Caríssimos leitores, saudações. Hoje é o dia de eleição para reitor da UFMA. Todos os alunos regularmente matriculados na instituição podem participar do pleito, votando no candidato que irá ficar à frente da universidade pelo próximo quatriênio.

Por isso, trazemos para vossa apreciação um interessante artigo do prof. Flávio Reis, do departamento de Antropologia e Sociologia da UFMA, sobre a gestão do atual reitor Natalino Salgado, candidato à reeleição. Leiam, reflitam e tirem suas próprias conclusões!

A LAMBANÇA COROADA DE NATALINO SALGADO

Por Flávio Reis
Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA

Natalino Salgado assumiu a reitoria da UFMA em 2007, após dez anos à frente do Hospital Universitário, que expandiu e ao mesmo tempo enredou numa série de práticas clientelistas.

Logo no início de sua gestão, pressionado pelo MEC e com atraso em relação à maioria das outras universidades federais, impôs a aceitação das regras do projeto de expansão do governo federal (Reuni) sem maiores discussões. E se assim começou, assim continuou. Era preciso não perder o bonde das verbas e promover as melhorias de que a universidade necessitava.

Na verdade, estava dado o sinal para a sucessão de trapalhadas que culminaria numa reportagem do Jornal da Globo exibida nesta semana, integrando uma série especial sobre o ensino superior no país e cujo tema eram exemplos de abandono de instalações.

A cena é impagável, o repórter Rodrigo Alvarez está diante do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF), completamente abandonado, devidamente fechado e não podendo ser aberto à reportagem senão com a autorização do reitor. Contactado pelo celular, ele responde de forma quase inaudível que não acha necessário autorizar a entrada, agradece e desliga o telefone com o repórter ainda na linha. Este se dirige em seguida ao prédio da faculdade de Fármácia, no centro da cidade, prédio tombado que está caindo aos pedaços (a exemplo de outro, mais exuberante e importante, onde funcionava o departamento de assuntos culturais) e vai ao Laboratório de Bioquímica Clínica, que encontra desativado.

Instada a explicar a situação, a chefe do departamento fala que são sete laboratórios com um orçamento anual de R$ 10 mil! Ao final, vemos a palavra do reitor Natalino Salgado, o homem que, na intuição certeira do repórter, detém as chaves da Universidade Federal do Maranhão. Diz exatamente tratar-se de um prédio abandonado há quinze anos, com equipamentos enferrujados e que não havia necessidade de filmar nada lá, principalmente quando existiriam tantos “projetos estruturantes” nesta universidade que estava passando por “grandes transformações”. Perguntado se não achava que a falta dos laboratórios prejudicava a formação dos alunos, saiu com esta pérola: “eu não tenho nenhum estudo para avaliar as atividades dos nossos alunos depois de formados”. É de espantar, pois estamos falando de laboratórios para cursos de farmácia e bioquímica... poderiam não ser essenciais? E o reitor Natalino Salgado é médico, goza de bom conceito como urologista. A explicação para tal disparate parece estar no seu tão propalado “modelo de gestão”.

Natalino Salgado não deixou passar a oportunidade de angariar recursos através da aceitação sem controle dos programas de expansão do MEC, prometendo dobrar o número de alunos da UFMA num prazo muito curto.

Tratando das reformas patrimoniais, centralizou as importantes decisões da esfera acadêmica na Pró-Reitoria de Ensino, que passou a distribuir determinações, muitas vezes por cima de suas atribuições estatutárias, lá colocando um professor alheio aos quadros desta ou de outra universidade, no melhor estilo “cargo de confiança”.

Paralelamente foram se esvaziando os conselhos universitários, de maneira que decisões de suma importância como a definição dos horários e do planejamento acadêmico quase foram alterados drasticamente de uma canetada, este último implicando em grande perda para as atividades de pesquisa.

Já vimos este filme inúmeras vezes, um círculo restrito de professores burocratas transforma tudo em números e gráficos, trata a universidade como se fosse uma coisa só, desconhece seus problemas e nem quer ouvir as unidades, acha que tem um modelo ideal, que, no caso, é apenas tentar se ajustar de qualquer forma às metas acordadas com o MEC.

Nestes anos, tornou-se visível que muitas verbas apareceram. Os recursos captados vão a mais de 200 milhões. Sem saber de detalhes dos números, os olhos não param de perguntar como eles foram utilizados, quando vemos várias obras interminadas, algumas se arrastando há dois anos e outras claramente escandalosas, compreensíveis apenas dentro de uma visão da instituição como empresa, onde, como diz o velho ditado, a propaganda é a alma do negócio.

No final de 2008, ano em que os recursos do Reuni começaram a chegar, estava na abertura do Encontro Humanístico, naquela ocasião com a presença do professor Paulo Arantes, quando ouvimos estupefatos o magnífico reitor anunciar em seu discurso uma reforma dos banheiros do CCH, para aplauso da galera. Parecia um político em palanque de interior anunciando obras. Aquela cena dizia muito sobre o estilo em questão. A tal reforma atravessaria mais de um ano em execução e este seria o padrão comum.

Elenco apenas aquelas com que deparo no cotidiano: a construção de um prédio pequeno destinado à pós-graduação das ciências humanas se arrastou durante anos; a reforma de banheiros do CCSo, já entrando no terceiro semestre; a incrível obra de antiengenharia que é a construção das rampas de acessibilidade no mesmo prédio, que também já está pelo terceiro semestre, e torna o prédio ainda mais quente quando talvez fosse mais barato instalar um elevador exclusivamente para este fim; a obra do pórtico de entrada, licitada no valor de 400 e poucos mil para entrega em três meses, já estando com pelo menos o dobro, além de todo o plano viário, pois parece que saíram arrebentando tudo ao mesmo tempo sem nenhum planejamento.

Algo de importância óbvia para o funcionamento diário de uma instituição onde se movimentam milhares de pessoas é tratado com um simples “desculpem os transtornos” e pelo visto vai atravessar o semestre. O prédio Paulo Freire, foi “inaugurado”, com festa e presença do ministro, mas ainda está daquele jeito. Prédio que, diga-se, é a expressão da devastação ambiental promovida sem pena pela Prefeitura de Campus nestes anos. É coisa feita sem nenhuma perspectiva ambiental mais ampla, e que só fica bem mesmo nas imagens caprichadas das maquetes.

O centro de convenções, a TV universitária, a concha acústica, a nova biblioteca central, a biblioteca setorial do CCH, o auditório central, a fábrica Santa Amélia, todas são obras que caminham muito fora dos prazos. Longe de ser um bom administrador, Natalino Salgado parece ser um mau gerenciador de recursos. A gastança, promovida principalmente através da Fundação Josué Montelo, com certeza não resiste a uma auditoria.

Atento ao que interessa nestes tempos de propaganda e espetáculo, o reitor tratou logo de ampliar a assessoria de comunicação da universidade, a ASCOM, transformando-a em autêntica agência de publicidade de sua gestão. E passamos a receber um jornal com vinte páginas, de que ele se orgulha da tiragem aos milhares, cheio de matérias falando de maravilhas, projetos em andamento e do mundo novo a vir, repleto também de fotos do reitor em setores e ocasiões diferentes. Existia ali clara obsessão com a construção de uma imagem de inovação e empreendedorismo. Recebemos mesmo um kit com dvd mostrando a UFMA como verdadeira potência rumo à excelência, um delírio só.

Nos números, jogados em comparações soltas, parece interessante, mas na realidade cotidiana é outra coisa. Aí as instalações são inadequadas, os professores insuficientes, a biblioteca é muito ruim, as salas de aula quentes e desconfortáveis, as salas de projeção foram desativadas, laboratórios sucateados ou fechados, os terminais de computadores seguem insuficientes, não há espaços de convívio, tudo continua feio e destruído. Exemplos de compras mal feitas e desperdício existem aos montes, mas vou ficar com as centenas de bebedouros recentemente adquiridos com a voltagem imprópria.

Academicamente, a expansão à toque de caixa vem criando problemas e gargalos nos cursos, muitas vezes surpreendidos com decisões tomadas à revelia dos colegiados pela poderosa Proen, tendo que operar malabarismos, já cada vez mais difíceis de disfarçar, quando o número de disciplinas sem oferta aumenta e logo vai estourar. No departamento de sociologia e antropologia, por exemplo, que atende a toda universidade, foram cerca de trinta disciplinas sem condições de oferta no semestre em curso. Em dois ou três semestres a situação ficará insustentável.

Os Centros continuaram anêmicos e quase sem função, como quer a reitoria e parecem concordar os respectivos diretores, que agem como se não tivessem sido eleitos e sim nomeados pelo reitor. Concordam com tudo e mais alguma coisa, não articulam os cursos e vão apenas tocando o expediente.

A investida final é sobre os departamentos, que perderão qualquer autonomia na definição de suas atividades, ou deixarão mesmo de existir, o que já está em vias de ser sacramentado.

A expansão da pós-graduação, por sua vez, é feita aos trancos, sem acomodações, com estrutura improvisada e, principalmente, de forma muito isolada, é cada qual por si.

Em vez de tentar modificar nossas arcaicas instâncias de decisões no sentido de abrir para a própria comunidade a gestão da universidade, tomou-se decididamente o rumo inverso de concentrar decisões, esvaziar colegiados, uniformizar procedimentos, desconhecendo a realidade efetiva dos diferentes centros. Neste sentido, o “novo marco legal” de que falam desenha uma centralização ainda maior e totalmente contrária aos requisitos de diversificação, autonomia e participação, tornadas apenas palavras constantes nos outdoors.

Por fim, para deixar claro que não convive bem com crítica e opiniões incômodas, o reitor tratou de cooptar o Diretório Central dos Estudantes, com pleno êxito, sendo triste ver um antigo espaço de lutas servindo de agência da reitoria, e chegou a articular uma chapa para tomar a diretoria da Associação de Professores, quase obtendo sucesso na empreitada. Foi por inciativa desta última, aliás, através de ação junto ao Ministério Público, que finalmente tivemos no início deste semestre as eleições para diretores de centro e chefes de departamento, adiadas sem justificativa há quase um ano.

Agiu de forma contrária, célere, quanto à consulta para reitor, processo atropelado com prazo exíguo para registro de candidaturas e poucos dias para campanha. Acima de tudo, era preciso impedir qualquer discussão. Assim, Natalino Salgado seguia em céu de brigadeiro, atropelando tudo, distribuindo em mala direta um luxuoso folder de sua candidatura, papel couche com várias fotos (tudo do que ainda será...) e gráficos, com a propaganda da “gestão de qualidade comprovada”, até a citada reportagem que o pegou no contrapé.

Enquanto se propõe a gastar meio milhão num pórtico de entrada, construir um centro de convenções com auditório de quatro mil lugares e outras prioridades, a reitoria deixa laboratórios e bibliotecas, departamentos e centros à mingua. Se o repórter fosse olhar as tais obras estruturantes encontraria a situação descrita de várias obras inconclusas e sempre com poucos trabalhadores à vista. Tudo fruto de uma forma de gestão que é a própria irracionalidade administrativa. Tal como os políticos, o reitor gosta de atender a pedidos, não trabalha com descentralização de decisões e de recursos, agindo efetivamente como “o homem que detém as chaves da UFMA”.

Duas candidaturas oposicionistas se apresentaram contra essa situação. A professora Cláudia Durans, do departamento de Serviço Social, e a professora Sirliane, do departamento de Enfermagem. O nome da professora Sirliane foi uma surpresa agradável, pelo acerto das bandeiras de campanha Gestão Pública, Democrática e Transparente, exatamente tudo o que Natalino Salgado não faz, e por sinalizar novamente, apesar do tempo exíguo e da articulação menor, algo que a candidatura do professor Chico Gonçalves há quatro anos trouxe, a esperança de que os professores, alunos e funcionários desta universidade percebam um dia que podem caminhar fora da canga imposta por círculos que vivem anos a fio trancados nas esferas da administração superior e pouco sabem do dia a dia da universidade, das pessoas que a compõem, de suas dificuldades e necessidades.

Esses senhores de casaca vivem vendendo o faz-de-conta e para isto precisam mesmo de muita propaganda, entretanto, chega uma hora que algo de revelador escapa e a realidade fura o engodo publicitário. Foi o que aconteceu no caso dos laboratórios do curso de farmácia na reportagem do Jornal da Globo, que, num lance, pôs a nu a real qualidade da gestão do reitor Natalino Salgado.

Editado por: Hugo Freitas

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Deficientes visuais não puderam fazer prova no concurso do TJ-MA

Denúncia feita junto a uma rádio da capital informa que dois deficientes visuais não puderam realizar a prova do concurso público do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), ocorrido nesse domingo (29).

A denúncia também foi feita no II Encontro do Fórum Maranhense das Entidades de Pessoas com Deficiência e Patologia, que foi realizado durante o fim de semana, em São Luís.

Os deficientes visuais impedidos de realizarem o concurso do TJ-MA foram: Manoel do Vale e Adriane Castro Santos. Manoel, que é estudante de Direito da Universidade Federal do Maranhão, iria concorrer ao cargo da auxiliar judiciário. Já Adriane, que é assistente social, tentou fazer a prova para o cargo de analista judiciário.

Os dois deficientes visuais haviam solicitado, previamente, para a coordenação do concurso, uma prova específica, com letras maiores ou em braile, pois ambos ainda possuem cerca de 5% a 10% da visão.

Solicitaram, ainda, a presença de um ledor (pessoa que lê a prova), mas quando chegaram ao local da prova, no Colégio Máster, no Filipinho, tiveram a triste notícia que seus pedidos haviam sido indeferidos e receberam a mesma prova que os outros inscritos para o concurso do TJ-MA.

Sem, obviamente, conseguirem ler a prova, retiraram-se do local e foram ao Plantão do Cohatrac para registrar um boletim de ocorrência. Mas lá, a informação que tiveram é que o nobreak da delegacia havia sido roubado e com isso os computadores não estavam funcionando.

Somente na manhã desta segunda-feira (30), os dois deficientes visuais iriam registrar o B.O.

Essa não é a primeira vez que o Tribunal de Justiça do Maranhão é acusado de discriminar deficientes visuais. No concurso público para juiz de 2008, o edital publicado pelo TJ-MA proibia a participação de deficientes visuais, pois a prova não poderia ser feita em braile, com a alegação que “o trabalho de juiz não pode ser feito por cegos”. O Ministério Público do Maranhão, à época, chegou a sugerir ao TJ-MA a exclusão da proibição no edital.

No Maranhão, há, aproximadamente, 920 mil pessoas que possuem algum tipo de deficiência visual, correspondendo a 16,13% da população.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Comunidade Acadêmica da UFMA apoia Reeleição de Natalino

No próximo dia 31 de maio, acontecem as eleições para Reitor e Vice-reitor da Universidade Federal do Maranhão. Diante de tudo que foi apresentado por todos os candidatos e pelo que foi feito nos últimos quatro anos, colocamos o nome do atual Magnífico Reitor, Natalino Salgado, como o que mais está alinhado e comprometido com a causa universitária.

Pôde ser notado que nos últimos quatro anos a UFMA deu um salto de qualidade estrutural e acadêmica, sendo assim acreditamos que a continuidade de Natalino Salgado na reitoria da nossa Universidade, trará a concretização do plano de modernização, ampliação e inclusão social da nossa instituição, deixando um legado para toda a população maranhense.

Por isso o Diretório Central de Estudantes “17 de setembro”, o Grêmio do Colun e mais 23 Centros e Diretórios Acadêmicos da UFMA, entidades de representação máxima dos estudantes assinam e declara total apoio a candidatura do Reitor Natalino Salgado.

CARTA DE APOIO À CANDIDATURA DO PROFESSOR DOUTOR NATALINO SALGADO FILHO À REITORIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO. 
À Comunidade Acadêmica da Universidade Federal do Maranhão,
Caríssimos Companheiros,
Estamos às vésperas do pleito eleitoral na Universidade Federal do Maranhão. A eleição para reitor e vice-reitor se configura, ‘hoje’, como um dos momentos mais importantes para todos nós que fazemos parte da vida desta grandiosa Instituição, sobretudo pela importância que a Universidade Federal do Maranhão tem para com os rumos do desenvolvimento de São Luís e do Maranhão. O crescimento da UFMA nas regiões do Estado traz a esperança de uma vida melhor para grande parte do nosso povo tão sofrido, marcado pelas desigualdades e injustiças sociais.

Neste manifesto, falamos em nome da população que historicamente lutou e continua a lutar pela conquista de uma educação pública, gratuita e de qualidade em nosso Estado, mas que se encontrava às margens desta inclusão social e, somente, após a expansão da Universidade, iniciada no ano de 2008, conseguiu ter de volta a esperança de um futuro melhor.

Atualmente, a nossa Universidade tem atuação nos seguintes municípios: São Luís, Pinheiro, Bacabal, Chapadinha, São Bernardo, Codó, Imperatriz e Grajaú nos quais são ofertados cursos nas mais diversas modalidades e níveis de ensino, tanto em ensino presencial como ensino à distância, além das especializações e pós-graduações (mestrados e doutorados) nas áreas que atendem às necessidades culturais e sociais dando possibilidade de empregabilidade aos nossos egressos.

No entanto, entendemos que o movimento estudantil (DCE UFMA, Centros e Diretórios Acadêmicos), o Grêmio do Colun, Grupos de Pesquisa precisa estar amplamente inserido nas discussões da Universidade e, neste sentido, decidimos participar efetivamente das eleições construindo e apoiando a candidatura do Professor Doutor Natalino Salgado Filho.

As lutas devem ser diárias e construídas dentro de um coletivo amplo e democrático: estudantes e servidores públicos (professores e técnicos – administrativos). Não vamos nos furtar ao debate e estaremos presentes nesta página da história da Universidade Federal do Maranhão.

Diante do exposto, gostaríamos de ressaltar que o Professor Doutor Natalino Salgado Filho, em nosso entendimento crítico, é, entre os candidatos ao cargo de Reitor da Universidade Federal do Maranhão, o que possui excelentes qualidades para continuar desenvolvendo este trabalho que começou em 2008 e que pode prosseguir promovendo o desenvolvimento, a inovação e a tão almejada melhoria na qualidade do Ensino, marcas estas, que já demonstrou ser capaz de executar com a força do trabalho que lhe é peculiar. 

Cordialmente,

Diretório Central dos Estudantes “17 de Setembro”;
Centro Acadêmico I de Maio – Direito;
Centro Acadêmico de Administração;
Centro Acadêmico de Turismo;
Diretório Acadêmico de Biblioteconomia;
Diretório Acadêmico de Comunicação;
Centro Acadêmico Pedagogia;
Centro Acadêmico de Ciências Imobiliárias;
Centro Acadêmico de Ciências Contábeis;
Diretório Acadêmico de Engenharia Elétrica;
Centro Acadêmico de Engenharia Química;
Diretório Acadêmico de Física;
Diretório Acadêmico de Computação;
Centro Acadêmico Desenho Industrial;
Diretório Acadêmico de Matemática;
Centro Acadêmico de Artes Visuais;
Centro Acadêmico de Filosofia;
Centro Acadêmico Oceanografia;
Centro Acadêmico de Educação Física;
Centro Acadêmico de Odontologia;
Centro Acadêmico de Medicina;
Centro Acadêmico de Agronomia – CCAA;
Centro Acadêmico de Biologia – CCAA;
Centro Acadêmico de Zootecnia – CCAA;
Diretório Acadêmico de Licenciatura em Informática – Codó;
Diretório Acadêmico de Ciências Humanas – Codó;
Diretório Acadêmico de Ciências Naturais – Codó;
Centro Acadêmico de Engenharia de Alimentos – Imperatriz;
Centro Acadêmico de Enfermagem – Imperatriz;
Centro Acadêmico de Ciências Naturais – Imperatriz;
Centro Acadêmico de Ciências Humanas – Imperatriz;
Centro Acadêmico de Direito – Imperatriz;
Centro Acadêmico de Ciências Humanas - Bacabal;
Centro Acadêmico de Ciências Naturais - Bacabal;
Grêmio do Colun


quinta-feira, 26 de maio de 2011

TUMULTO NO ANEL VIÁRIO EM DECORRÊNCIA DA GREVE DOS RODOVIÁRIOS


Neste momento (11h45), acontece um grande tumulto no Anel Viário em decorrência da greve dos rodoviários.

No início da manhã de hoje, 30% da frota dos coletivos urbanos voltou a circular pelas ruas e avenidas de São Luís, após 3 dias consecutivos sem nenhum ônibus circulando.

No entanto, os motoristas resolveram parar as atividades, por conta própria, bem no retorno do Anel Viário, obrigando os passageiros a descerem, o que provocou muita confusão e tumulto. Houve depredação de alguns ônibus.


A tropa de choque da Polícia Militar chegou ao local para tentar conter os revoltosos e manter a "ordem", mas a confusão ficou ainda maior.


Segundo informações repassadas ao blog por testemunhas que estão no local, houve confronto entre policiais e grevistas. A cavalaria e a tropa de choque da PM tentaram conter a manifestação dos rodoviários (que se iniciou com a paralisação dos ônibus no Anel Viário) com granadas de efeito moral e balas de borracha. A PM investiu contra os motoristas e membros do sindicato, perseguindo-os pelas vias da Av. Beira-Mar. Os grevistas se dispersaram e se refugiaram na sede do órgão.

Até o momento, o saldo da greve é de quatro ônibus quebrados, cinco rodoviários presos, um ônibus com pneu furado e várias pessoas feridas.



Não há ainda previsão de término da greve, mesmo após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-16ª Região) ter decretado a ilegalidade da mesma e aumentado a multa imputada ao Sindicato dos Rodoviários de 50 para 100 mil reais, por descumprimento da decisão que estipulava a manutenção de 80% da frota em circulação.

Em entrevista a uma rádio da capital, na manhã desta quinta-feira, o secretário municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), Clodomir Paz, declarou que o aumento nas tarifas dos ônibus é totalmente descartado. "Em nenhum momento isso foi cogitado. Não vamos permitir que isso ocorra", disse Clodomir Paz.

Ele revelou ainda que a Prefeitura de São Luís não pode intervir em negociações entre empresas e rodoviários.
Hugo Freitas

P.S: As fotos são do jornalista Renato Souza Jr.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Espanha: A Indignação das Ruas

Espanhóis ganham as ruas em busca de democracia

Por Mauro Santayana*

Os protestos populares na Espanha não diferem, em sua essência, dos que ocorreram e ocorrem nos países árabes.

Excluída a observação de que a Europa começa nos Pirineus, que tenta localizar historicamente a Península Ibérica na África, há mais do que a proximidade geográfica na semelhança entre os movimentos.

Se, no caso dos países árabes, muitos dos manifestantes se insurgem contra o poder pessoal, na Espanha esse protesto se dirige contra o sistema como um todo.

No capitalismo neoliberal, dominado por banqueiros corruptos, políticos corruptos, intelectuais corrompidos, e alguns poderosos meios de comunicação, pouco importa o partido que se encontre no poder: a ordem de domínio e de exploração é a mesma.

A ocupação das ruas não é nova na história. A possível desordem nas manifestações populares nem sempre é má. Muitas vezes é a expressão da ira dos justos. O padre Francisco Lage, de Belo Horizonte, ao ser questionado por liderar manifestações populares, no início dos anos 60, costumava dizer que muitas vezes é preciso a desordem das ruas, para que se imponha a ordem nas consciências.

Em uma dessas manifestações, em favor dos trabalhadores municipais havia meses sem receber, o padre montou um presépio humano na véspera do Natal, que se encenava, alternadamente, sob a marquise dos grandes bancos. Os banqueiros se reuniram e fizeram generoso empréstimo à Prefeitura, a fim de livrar-se da incômoda manifestação de fé.

Por mais que os meios de comunicação finjam não perceber o que tais manifestações anunciam, o povo está começando a sair às ruas, e às ruas sairão, em todas as latitudes e longitudes, em busca de uma vida mais humana.

As instituições estatais não podem continuar a serviço dos mais fortes, nessa promiscuidade escandalosa entre os que dominam o capital financeiro e os que ocupam os governos. Os grandes jornais norte-americanos não noticiam, como deveriam, os movimentos que, de forma discreta, por enquanto, começam a surgir naquele país, protestando contra a crescente e insuportável desigualdade social.

Ontem à noite (22), milhares de pessoas se reuniam na Porta do Sol, centro geográfico de Madri, convocados pelo movimento suprapartidário dos indignados, sob o lema de Democracia Real, Já. Não admitem que a crise econômica seja resolvida com o sacrifício dos trabalhadores, enquanto as corporações multinacionais, dominadas pelos grandes bancos – como algumas que nos exploram no Brasil – continuem beneficiadas pelo governo.

Hoje, são os “socialistas” que se empenham em favorecer o capitalismo neoliberal, como ontem foram os conservadores, dentro do sistema eleitoral vigente – parlamentarista e de listas fechadas, registre-se. Como disse o comentarista Iñaki Gabilondo, de El Pais, os partidos devem deixar a sua postura narcisista e entender o que se passa na sociedade real da Espanha. Terão que se refundar, com seriedade e urgência.

Enganam-se os que se encontram no poder. Se, em toda a História, o poder foi situação precária, sujeita às intempéries sociais, em nossos dias sua fragilidade é maior. A força da internet tornou veloz a mobilização dos inconformados e a explosão dos indignados.

Como bem comentou o jornalista Ramón Lobo, em seu blog acolhido por El País, “Madri não é Tahrir, mas o vírus é o mesmo: o fastio de uma juventude sem esperança - diante de um mercado minguante que se “moderniza” cortando direitos sociais e empregos - com o único horizonte de contratos imundos, de longa duração. Prevalece a voz oficial, a dos outros, a da linguagem burocratizada, a das entrevistas coletivas sem perguntas, a dos intocáveis”.

Frente aos superbilionários que, todos os anos, se reúnem em segredo, para dividir o mundo em novas colônias, a indignação das ruas é a legítima e necessária ação de defesa dos oprimidos. Em todas as latitudes.

*Mauro Santayana é jornalista e analista político

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A IMPRENSA CONTRA O ROCK, EM 1956

Hoje é algo risível, mas esse editorial foi real. Suponho que daqui a alguns anos, toda essa desfaçatez contemporênea de nossa mídia não passará de uma risível e indiscutível cegueira.

Por Elímpio Severo, jornalista

Há 50 anos

O jornal O Globo tem uma coluninha do segundo caderno que sempre traz uma notícia estampada nas páginas do jornal há exatos 50 anos. Faz pouquíssimo tempo (07/11) saiu uma sobre um certo ritmo que estava aparecendo em 1956: 

“POLÍCIA PRONTA PARA O ROCK AND ROLL (O Globo, em 07/11/1956) Rock and roll em 1956

Telegramas de Londres, Paris, Lisboa e outras grandes capitais nos dão conta da estranha acolhida que vêm merecendo por parte do público as músicas que caracterizam o novo ritmo originário dos Estados Unidos, o rock-and-roll.

A música, segundo os telegramas, parece endoidecer os jovens, que se atiram às mais grotescas extravagâncias ao som da cadência alucinante. Seu lançamento coincide, sempre, com a exibição do filme ‘Rock-around-the-clock’, e as sessões cinematográficas têm terminado geralmente em baderna, com os espectadores depredando as salas de projeção e promovendo depois, na rua, autênticos shows de dança bamboleante e frenética.

No Brasil, onde a música já foi lançada por diversas emissoras, não parece ter transformado assim o espírito dos adolescentes. Há, no entanto, ao que se noticia, uma ameaça: um grupo de playboys e teenagers cariocas estaria planejando uma demonstração de conseqüências imprevisíveis. É claro que seria uma coisa puramente artificial, se preparada.

Pelo seu caráter de evidente demonstração de desprezo aos bons costumes e pela perturbação que poderá causar à ordem pública, essa possibilidade já alertou as nossas autoridades, conforme ouvimos do delegado substituto de Costumes e Diversões, Sr. Clértan Arantes, que nos informou haver tomado conhecimento da ameaça, tendo determinado que se exerça uma vigilância especial com relação ao assunto.

Eu aconselharia aos pais dos jovens que se têm deixado transtornar pela música em questão a levá-los ao médico psiquiatra, pois alguma coisa está errada em suas mentes. No que diz respeito ao cumprimento da Lei, no entanto, é ponto pacífico: a ordem será mantida — disse o delegado.”

Casal de Pastores Gays é o primeiro a registrar união estável em Cartório após decisão do STF


Os pastores evangélicos Marcos Gladstone e Fábio Inácio, fundadores da Igreja Cristã Contemporânea, foram o primeiro casal gay no Rio a registrar a união estável em cartório, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dois oficializaram a união, na última quinta-feira (19), no cartório do 7º Ofício de Notas, no Rio. A assinatura do documento foi acompanhada por alguns fiéis da igreja.

"Hoje eu me sinto orgulhoso de ser brasileiro e de saber que o meu afeto e o meu amor são reconhecidos pelas nossas leis", afirmou Marcos.

Os pastores estão juntos há cinco anos. Em 2009, eles realizaram uma cerimônia religiosa de casamento. Há dois meses, o casal iniciou o processo de adoção de duas crianças.

Apesar da conquista com a decisão do STF, Fábio garante que a luta pelos direitos dos gays vai continuar. "Depois de hoje, teremos um vínculo muito maior. O próximo passo será conseguir o registro civil", afirmou.

A tabeliã Edyanne Frota, do 7º Ofício de Notas, explica que a união estável faz com que o casal gay adquira um novo status. "Agora eles serão vistos como uma entidade familiar. Mas é importante frisar que a lei ainda não regulamenta a união civil. No registro, eles continuam solteiros", asseverou.

Fonte: Jornal Extra

CRESCE A "REVOLUÇÃO DOS INDIGNADOS" NA ESPANHA

População espanhola ganha as ruas pedindo mais oportunidades

O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. 

Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens. A também chamada "Revolução dos Indignados" acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE. 

O artigo é de Armando G. Tejeda, do La Jornada, publicado no sítio Carta Maior 

A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em todo o país qualquer manifestação desde a zero hora de sábado até às 24 horas de domingo, dia das eleições municipais, em uma clara alusão às mobilizações do movimento cidadão Democracia Real Já que, desde o último domingo, ocorrem em repúdio ao modelo político e econômico vigente e que já se espalharam em escala nacional.

Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior, declarou que o governo só esperava o pronunciamento da junta eleitoral para decidir se ordena à polícia dispersar os manifestantes. Enquanto isso, milhares de cidadãos indignados na Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em Barcelona, na Praça do Pilar, em Zaragoza, e no Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras, voltaram a romper o cerco policial e, uma vez mais, repudiaram a política, banqueiros e empresários.

O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução espanhola”, cresceu quinta-feira com panelaços que reuniram multidões em dezenas de cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram injusto. A revolta cresce a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de oportunidades para os mais jovens e acabou se estendendo para a comunidade espanhola na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e México, entre outros países.

No quinto dia de mobilizações a afluência aumentou sensivelmente, sobretudo em Madri e Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram palavras de ordem durante horas. Uma delas advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não os deixaremos dormir.

Os manifestantes desenvolveram métodos de organização através de comissões por setores – saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -, que decidem cada atividade. Nas assembleias gerais decide-se a estratégia e busca-se uma mensagem política unificada que mostrem as principais razões de descontentamento e protesto. Na quinta-feira, por exemplo, decidiu-se manter a mobilização até o próximo domingo, quando ocorrem as eleições locais, e, o mais importante, confirmar a convocatória para a manifestação deste sábado.

Mais tarde, a Junta Eleitoral Central declarou ilegais as concentrações, ao considerar que elas não se ajustam à lei eleitoral e excedem o direito de manifestação garantido constitucionalmente. De fato, desde o início da semana, todas as mobilizações, concentrações e marchas da “revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela Junta Eleitoral de Madri. Em resposta, o número de indignados se multiplicou.

Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral Central, o movimento cidadão decidiu simplesmente manter o acampamento, ao mesmo tempo em que ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui, vamos ganhar esta revolução. Em seguida, foi lido o manifesto original do movimento em uma dezena de idiomas. O texto aponta a classe política e os meios de comunicação eletrônicos como os grandes aliados dos agentes financeiros, os causadores e grandes beneficiários da crise. Advertem que é preciso um discurso político capaz de reconstruir o tecido social, sistematicamente enfraquecido por anos de mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos majoritários, mas isso não equivale a perder nosso sentido crítico. Não tememos a política. Tomar a palavra é política. Buscar alternativas de participação cidadã é política”.

A também chamada Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o Fundo Monetário Internacional, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso da Espanha, os dois grandes partidos: o direitista Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda.

A reação da direita

Desde a esquerda, há tentativas de aproximação aos indignados. O líder do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que é preciso escutar e ter sensibilidade porque há razões para a expressão desse descontentamento e dessa crítica. O líder da Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da submissão e do bipartidarismo, propiciado pela atual lei eleitoral.

Mas o setor duro da direita política e midiática reclamou com insistência a atuação policial para acabar com todas as mobilizações, sobretudo na Porta do Sul, e pediu inclusive ao Ministério do Interior para que adotasse meios violentos para assegurar esse fim. Uma das imagens do dia (quinta-feira) foi a do ex-ministro da Defesa durante o governo de José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o dedo um grupo de cidadãos da revolução dos indignados.

As desqualificações mais fortes vieram, porém, dos meios de comunicação conservadores e da televisão pública de Madri, que acusaram o movimento de ser comunista, socialista, antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e depois de chamar, depreciativamente os manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana também conhecida como ‘pés pretos’, formada por punks, anarquistas, hippies e ‘gente desocupada’), assegurou que estes jovens mantém contato regular com o Batasuna-ETA e que receberam cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização de juventude da esquerda basca).

O movimento cidadão tem seu próprio canal de televisão, que transmite sem cessar as imagens da Porta do Sul (www.solttv.tv).

OAB acionará Assembleia contra criação de municípios no Maranhão

O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão (OAB-MA), aprovou, por unanimidade, na noite da última sexta-feira (20), o ingresso na Justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Resolução Legislativa nº 25/2011, da Assembleia Legislativa do Maranhão, que permite a criação de municípios no Estado.

O relator da matéria, o advogado Rodrigo Lago, argumentou que a Resolução, aprovada e promulgada este mês pela Assembleia do Maranhão, viola o artigo 10 da Constituição do Estado do Maranhão e o artigo 18 da Constituição Federal, demonstrando aos conselheiros a “mora legislativa”, uma omissão na resolução que exige a complementação de Lei Federal. “A resolução usurpa a competência legislativa da União”, afirmou Rodrigo Lago.

O artigo 18 da Constituição Federal recebeu uma nova redação Emenda Constitucional nº 15/1996, que diz:

"A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade municipal, apresentados e publicados na forma de lei".

O artigo 10 da Constituição do Maranhão também segue os efeitos desta emenda. Lá diz que "A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios preservarão a continuidade e a unidade histórico-cultural do ambiente urbano, far-se-ão por lei estadual, obedecidos os requisitos previstos em lei complementar estadual, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações diretamente interessadas. *Art. 10 suspensa a eficácia, em parte, por força da Emenda Constitucional Federal nº 15/96."

A OAB/MA aprovou, ainda, a provocação do Conselho Federal da OAB para que ele ingressem com uma Adin no Supremo Tribunal Federal, contestando a Resolução Legislativa.

O texto desta Resolução, publicada no Diário da Assembleia no dia 10 de maio de 2011, prevê a criação de novos municípios por meio de lei estadual, mediante requerimento e Estudo de Viabilidade do Município a ser criado e da área remanescente do município pré-existente. 

Os projetos, de acordo com a resolução, serão enviados para a Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional, depois para a Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania. Depois de homologado o projeto, deve ser feito um plebiscito em consulta à "totalidade da população do município".

Depois de aprovada a criação em plebiscito, a Assembleia Legislativa vota o projeto de lei respectivo.

SÃO LUÍS COM "CARA" DE FERIADO NESTA SEGUNDA-FEIRA

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, nenhum ônibus circula na capital. Os poucos que circularam foram recolhidos pelo temor de depredação.

Rodoviários deram início a greve por tempo indeterminado, nesta segunda-feira (23), em São Luís.

A reivindicação é de reajuste salarial de 16%, reajuste de vale-alimentação, de R$ 315 para R$ 450, inclusão de dependente no plano de saúde e inclusão de plano odontológico.

Conforme o sindicato, houve seis rodadas de negociação. O sindicato das empresas oferece reajuste de 2%.

Não há data marcada para nova audiência na Justiça do Trabalho. Os rodoviários informam que, enquanto não houver nova proposta, continuarão parados.

Na sexta (20), o desembargador José Evandro de Souza, do Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão, determinou ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado, que, em caso de greve, fosse mantida a circulação de, no mínimo, 80 % da frota de ônibus no município. O descumprimento da decisão acarreta multa diária no valor de R$ 50 mil.

Neste momento (13h), São Luís está com "cara" de feriado. Com a paralisação dos ônibus, muitos preferiram ficar em casa com medo de tumultos.

No início da manhã de hoje, houve um princípio de depredação de alguns ônibus, o que levou as empresas de transporte a retornarem os poucos veículos que estavam circulando para as garagens.

Os meios que a população encontra para se locomover são o transporte alternativo através das vans e dos serviços de táxi e moto-táxi.

Até o momento, a greve permanece por tempo indeterminado.

Hugo Freitas

PSOL se posiciona sobre Eleições para Reitor da UFMA



SIRLIANE E CLÁUDIA DURANS - REITORAS

TODO APOIO ÀS CANDIDATURAS À REITORIA DA UFMA
EM DEFESA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA, DEMOCRÁTICA, TRANSPARENTE E DE QUALIDADE

Uma vez mais a UFMA passa por eleições para a reitoria. Uma vez mais dois blocos se articulam em posições antagônicas.

Um, apegado ao poder a qualquer custo (se precisar mudar as regras do jogo para ganhar a consulta, como já se fez, muda-se!), à bajulação do governante de plantão (seja FHC–Lula–Dilma, seja Roseana Sarney–José Reinaldo–Jackson–Roseana Sarney), à gestão obscura das fundações Sousândrade e Josué Montelo, à gestão antidemocrática da universidade, à concepção fast food da educação superior, voltada para os interesses do mercado.
Outro conjunto de forças comprometido com a resistência ao processo neoliberal que se alastra dos organismos internacionais às universidades brasileiras, defensor de uma consulta universitária que se encerre em si mesma, de gestão participativa-transparente-democrática da universidade, que não aderiu às benesses do poder Lula-Sarney, que constrói a universidade de qualidade no cotidiano da produção científica, que não se deixa cooptar e mantém a autonomia de suas entidades representativas.
Não há meio termo. Não há conciliação entre essas duas concepções de universidade. A eleição de reitor não pode ser uma dívida a ser paga do processo eleitoral externo à UFMA ou pelas bolsas estudantis recebidas do reitor ou pelo apoio a projetos de pesquisa, obrigação de uma instituição que se pretende referência na construção do conhecimento. Um bloco é expressão da aliança tucano-roseanista, sob apoio de setores lulistas. O outro bloco, é a afirmação das forças da autêntica esquerda universitária.
A próxima administração superior da UFMA NÃO PODE ATRELAR O FUTURO DA UNIVERSIDADE À ILUSÃO DO REUNI, como faz a atual administração. A implementação do projeto do governo federal para a universidade pública escamoteia o debate de seu desmonte com o projeto de expansão das vagas via REUNI, sem a previsão de recursos suficientes que acompanhe esse processo, resultando em salas superlotadas, quadro de professores insuficiente, falta de assistência estudantil etc. Esse quadro tende a se agravar, uma vez que, com o corte de mais de R$ 50 bilhões anunciados pela presidente Dilma, não se terá recursos suficientes para sanar os problemas da universidade pública brasileira, como também haverá dificuldades de concluir as obras iniciadas. Nesse contexto, O ENSINO À DISTÂNCIA NÃO PODE SER A BASE DA EXPANSÃO DA UNIVERSIDADE.
A próxima administração superior da UFMA NÃO PODE SILENCIAR ANTE À CORRUPÇÃO INSTALADA NA CONCESSÃO DE BOLSAS DA FAPEMANÃO PODE SER FICHA SUJA, com suas contas rejeitadas; NÃO PODE GESTAR OS RECURSOS PÚBLICOS A SEU BEL-PRAZER, sem consulta à comunidade acadêmica; ser intransigente e interditar o debate democrático dos rumos da UFMA ou intervir nas organizações representativas da comunidade, buscando sua cooptação; NÃO PODE MANTER ESSE PROCESSO DE ESCOLHA ANTI-DEMOCRÁTICO DE SEUS DIRIGENTES, ainda resquício da Ditadura Militar, sob o voto de uma consulta que pode simplesmente ser desconhecida pelo Conselho Universitário, como já ocorreu na UFMA pouco tempo atrás.
Diante de tudo isso, não há o que titubear. Para garantir a continuidade da luta e a resistência na UFMA, O PSOL MANIFESTA SEU APOIO ÀS CANDIDATURAS DAS PROFESSORAS SIRLIANE E CLÁUDIA DURANS.Para o PSOL, votar em uma delas é votar pela UFMA comprometida com a mudança na educação superior maranhense. Pela força da mulher, um caminho autônomo e de resistência à gestão da UFMA!

PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE

Professora Amanda Gurgel no Domingão do Faustão

A professora Amanda Gurgel, que ficou conhecida nacionalmente por causa de um vídeo publicado na Internet onde denuncia o descaso dos governos com a educação pública brasileira, compareceu ao programa do "Domingão do Faustão", na tarde de ontem (22).

Falando da realidade do Rio Grande do Norte, mas que se assemelha à precariedade e ao caos da educação pública em todo o país, Amanda Gurgel enfatizou os graves problemas enfrentados pelos professores diariamente, "desde à época do Império, mas que só são expostos quando se faz greve".

Vejam a entrevista da bravíssima professora guerreira, Amanda Gurgel:

domingo, 22 de maio de 2011

GREVE DOS RODOVIÁRIOS COMEÇA NESTA SEGUNDA (23)

Autoridades do transporte coletivo de São Luís discutem a greve dos rodoviários

Começa amanhã, segunda-feira (23), a greve dos rodoviários, em São Luís, a partir da 0h. A paralisação será por tempo indeterminado. 

Segundo O Imparcial, na manhã da última sexta-feira (20), uma demorada reunião entre a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), Sindicato dos Rodoviários, Sindicato dos Empresários e representantes da Justiça do Trabalho resolveram que a greve está mantida, mas que pelo menos 80% da frota deve circular.

Receoso de protestos e tumultos, o secretário Clodomir Paz informou que a SMTT solicitou apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal para resguardar a integridade física das pessoas e o patrimônio público e privado do órgão.

Segundo Clodomir, o entendimento da Justiça do Trabalho, que determinou a circulação de no mínimo 80% da frota, por meio de medida cautelar (nº 435/2011), se pautou na supremacia do direito de ir e vir do cidadão em relação ao direito de greve dos trabalhadores. "O direito à greve foi garantido, mas temos que garantir também o direito do cidadão de ir e vir", disse o secretário.

Com a decisão da Justiça, a frota cai para 919 ônibus circulando. De acordo com informações da secretaria, em dias úteis normais, 1.108 ônibus circulam.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Maranhão (STTREMA) exige aumento salarial de 16% e mais 30% de reajuste no tíquete-alimentação.

A contraproposta do Sindicato dos Empresários do Transporte (SET) foi bem abaixo, apenas 2% de aumento salarial e nada de reajuste no tíquete. Duas reuniões entre os sindicatos antecederam a decisão de paralisação, mas não houve entendimento.

O temor dos usuários de ônibus é que se houver reajuste, a passagem fique mais cara. Atualmente, a maior tarifa no perímetro urbano é de R$ 2,10.

Alguém acredita que 80% da frota estará circulando na manhã desta segunda? Lembrem-se que na última paralisação, em 2010, os motoristas estacionaram os ônibus no Anel Viário e deixaram os passageiros no meio do caminho, mesmo após o pagamento das passagens.

Em matéria anterior publicada aqui no blog, o próprio presidente do Sindicato dos Rodoviários, Dorival Silva, declarou: "Nossa decisão é de não tirar os ônibus das garagens para não deixar a população na rua". (VEJA AQUI)

Já não bastasse termos uma das passagens mais caras do país; já não bastasse ficarmos horas esperando nas paradas de ônibus; já não bastasse termos de nos expremermos nos coletivos, que são verdadeiras "sardinhas humanas ambulantes"...

Já não bastasse termos que aturar o desrespeito e a falta de educação de motoristas e cobradores que, muitas vezes, não param nos pontos obrigatórios nem para embarque nem para desembarque de passageiros, principalmente os idosos; já não bastasse termos que suportar ônibus velhos, caindo aos pedaços, sem nenhum tipo de conforto que justifique uma passagem tão cara; já não bastasse tudo isso, queridos leitores, ainda temos que nos submeter há mais um possível aumento no preço das tarifas?

De que adianta a arrecadação do IPTU, que teve um aumento flagrantemente abusivo e inconstitucional, se a malha viária da capital mais parece com o solo lunar, cheia de buracos para todos os lados?

De que adianta promessas de ônibus novos e modernos para trafegar pelas ruas e avenidas de São Luís, argumento que fundamentou o último aumento no preço das passagens dos coletivos, se os órgãos responsáveis não fiscalizam o cumprimento de tais promessas, muito menos punem os demagogos de plantão que vendem sonhos o tempo todo, e a situação precária dos ônibus que rodam continua a mesma, favorecendo o enriquecimento dos empresários e a reclamação dos usuários?

É sempre assim: vende-se o sonho de dias melhores através da mídia propagandista; depois, não se investe em nada; a seguir, mantém-se o estado de calamidade pública do transporte coletivo; e, por fim, repassam a conta para os usuários, os únicos prejudicados em todo esse jogo político.

Parece que os gestores públicos do Maranhão adotaram a tática da "Terra Arrasada", com o objetivo de (re)construírem o "discurso messiânico do novo", de novo.

Quando será a nossa vez de fazermos a nossa greve, queridos maranhenses?

Até quando esperar, meu povo? Até quando?

Hugo Freitas 

ANTONIO ALMEIDA, O INÇO DAS ARTES NO MARANHÃO

Antonio Almeida e sua neta, Alice Nascimento

Inestimáveis leitores, trazemos para vossa apreciação uma belíssima homenagem a um grande artista plástico maranhense, Antonio Almeida, que por descaso das autoridades ainda não é muito conhecido do grande público, mas tem sua obra espalhada em diversos lugares de São Luís.

Alice Nascimento, sua neta (na foto acima), transplanta para as palavras todo o seu sentimento por este nobre artista, brindando-nos com um belíssimo texto, o que demonstra que a paixão pela arte é um dos grandes legados de seu avô, pulsando e se ramificando através desta verdadeira poetisa.

Leiam e se emocionem!


Como planta daninha que se agarra despretensiosamente ao solo modificando a paisagem natural saiu do Jacaré, em Barra do Corda, desbravando caminhos até alcançar São Luís, onde denunciou sua vida e a de milhares de famílias do interior do Maranhão sem deixar escapar o amarelo que queimava o verde e secava o azul, o colorido da cultura e a palidez do sofrimento que lavrava a terra árida de fome e seca por onde passava.

Do chão infecundo, fez brotar arte. Nunca aceitou sair de sua terra para viver uma cultura solitária avessa a sua natureza de homem simples. Suas mãos colhiam da natureza inspiração como raízes que buscam no âmago da terra os nutrientes necessários à sobrevivência. Indiferente ao dinheiro, o enriquecimento que desejava era intelectual e artístico, trabalhava pelo valor que a arte tinha pra si mesmo: a busca pela perfeição, no entanto, com ela pagava o leite e a boemia: nutria seus dez filhos, e quando dava, rematava a conta do bar.

Sobrevivente da seca castigado pelo sol, a escuridão tomou conta de seus dias. As madrugadas, companheiras de insônia, ouviam-no em silêncio, enquanto travava discussões com seus próprios pensamentos. No dia seguinte... prosas e poesias com o cheiro de terra através do olhar de um menino autodidata de nascença que crescera sob instrução de seus instintos, mas, sobretudo, de um artista nervoso que desafiou até a cegueira tateando pensamentos e redesenhando palavras, sementes essas lançadas no chão fértil de suas limitações criativas, esse era o Almeida: uma raiz amarga difícil de ser tragada, mas que se ramificava.

Aos 27 de maio deste ano completaria 89 anos, se não tivesse sido desentranhado da terra em Janeiro de 2009, a facão! Sua sede de viver era tamanha que teimou com a vida agarrando-se a cada sopro dos ventos até o silêncio pintar o leito de paz. Hoje, suas estirpes ainda permanecem entranhadas na terra que amou, ilustrou, pintou, xilografou... verdadeiras barrigudeiras espalhadas pela cidade, murais que deveriam ser tombados pelo valor histórico e cultural, testemunhas sol a sol do caminhar de um homem franzino e inquieto que germinou arte no Maranhão.

Alice Almeida Nascimento dos Reis

Quase Epitáfio
No meio do caminho que caminho
a cova
Em que me planto regermino sonho
Que é vida sempre sol a sol a caminhar

Antônio Almeida
(1922-2009)

Dez Formas Distintas de Manipulação Midiática

Noam Chomsky* elaborou a lista das “10 Estratégias de Manipulação” através da mídia. Em seu livro “Armas Silenciosas para Guerras Tranqüilas”, ele faz referência a esse escrito em seu decálogo das “Estratégias de Manipulação”.


Do Blog de Franklin Douglas


1 – A Estratégia da Distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética.

“Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto ‘Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas’).

2 – Criar problemas e depois oferecer soluções.

Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade.

Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3 – A Estratégia da Gradualidade.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, com conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira as condições sócio-econômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego massivo, salários que já não asseguram rendas decentes, tantas mudanças que provocariam uma revolução se fossem aplicadas de uma vez só.

4 – A Estratégia de Diferir.

Outra maneira de fazer com que se aceite uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato.

Primeiro porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para se acostumar com a idéia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5 – Dirigir-se ao público como a criaturas de pouca idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criatura de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se pretende enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

6 – Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-curcuito na análise racional, e, finalmente, no sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7 – Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância planejada entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser alcançada para as classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8 – Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.

Promover a crença do público de que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9 – Reforçar a auto-culpabilidade.

Fazer crer ao indivíduo que somente ele é culpado por sua própria desgraça devido à insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, em vez de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se menospreza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição da ação do indivíduo. E sem ação não há revolução!

10 – Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.

No decurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles que possuem e utilizam as elites dominantes.

Graças à biologia, à neurobiologia e a psicologia aplicada, o “sistema” desfrutou de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que este conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.

*Noam Chomsky. Filósofo, ativista, autor e analista político estadunidense. É professor emérito de Lingüística no MIT e uma das figuras mais destacadas desta ciência no século XX. Reconhecido na comunidade científica e acadêmica por seus importantes trabalhos em teoria lingüística e ciência cognitiva.