terça-feira, 1 de outubro de 2013

O ESPETÁCULO DAS PESQUISAS ELEITORAIS NO MARANHÃO



É sempre salutar refletir criticamente sobre a feira das pesquisas eleitorais no Maranhão, para não se incorrer no erro de reproduzir resultados relativos demasiadamente tidos como absolutos.

Em verdade, essas pesquisas são verdadeiros estratagemas para se alavancar alguns nomes e para “derrubar” outros, tudo “ao gosto do freguês”, isto é, conforme o interesse de quem patrocina a divulgação dos números.

Desta feita, deparo-me com um novo levantamento realizado pelo Instituto Conceito, datado entre os dias 17 e 23 de setembro. De imediato, o que me chamou a atenção não foram os 59,3% do presidente da Embratur Flávio Dino (PC do B), nem os 16,7% do secretário de Infra-estrutura Luís Fernando (PMDB), muito menos os 6,3% do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PDT). Nada disso.

O “curioso” (para utilizar uma expressão mais amena) desse levantamento é a ausência do nome da deputada estadual Eliziane Gama (PPS), também pré-candidata ao governo do Estado pelo campo da “oposição”. A curiosidade se explica precisamente pelo fato de, em pesquisa anterior, realizada por outro instituto, o DataM, Eliziane aparece tecnicamente empatada com Flávio Dino, números estes que apresentam um relativo quadro de ascensão de Gama e de queda de Dino (confira aqui).

No entanto, o Instituto Conceito não levou isso em consideração e preferiu deixar a pré-candidata do PPS de fora de sua pesquisa e contemplar um desconhecido ex-prefeito, forjando assim um cenário perfeitamente favorável ao comunista Flávio Dino, uma vez que Eliziane apresenta maior capital eleitoral do que Gonçalo.

Levando tal perspectiva em apreço, certamente diminuiria a vantagem do comunista em relação ao segundo colocado, que talvez nem fosse o candidato governista, como já exposto pelo DataM (confira aqui).

Para desandar ainda mais o insosso caldo apresentado pelo Instituto Conceito, o levantamento trás a candidatura de Saulo Arcângeli (PSTU), que figura com 0,5%, mesmo sem o partido socialista ter se decidido por algum nome, que ainda pode, muito bem, ser o de Marcos Silva.

Não respeitando, portanto, nenhum critério que deixasse claro ao público o porquê de uns e não de outros, o Conceito deixou de fora a candidatura do PSOL e também do PCO, ambos partidos de esquerda que deverão ter seus candidatos próprios, já que, até o momento, não houve nenhuma sinalização de que estas legendas venham celebrar alguma aliança entre si visando o pleito de 2014. 

A importância dessas siglas de esquerda é a de que, muitas vezes, elas conseguem aglutinar os votos dos descontentes com as opções apresentadas, assim como dos indecisos, do público universitário e de muitos segmentos sociais que tem nos pressupostos marxistas seu ideário de vida.

Tentativa de polarizar a disputa entre Flávio Dino e Luís Fernando reflete o velho discurso da oposição: "sarney x anti-sarney"

Nessa perspectiva, uma pesquisa pré-eleitoral que deixar Eliziane Gama de fora, assim como os demais partidos de esquerda do Maranhão, tende a iludir e a direcionar as intenções de voto do público pesquisado, uma vez que se tenta, forçosamente, criar um quadro sub-reptício de polarização entre a “oposição dinista” e o “candidato da oligarquia”, reproduzindo-se a carcomida dicotomia entre "sarney e anti-sarney".

Daí o porquê da “suspeita” (para não asseverar os 100% de certeza) de que a pesquisa elaborada pelo Instituto Conceito deva ter sido financiada pelo grupo ligado a Hilton Gonçalo, que visa se projetar a nível estadual para fortalecer seu nome não para uma disputa pelo Governo do Estado, mas pelo mandato de deputado federal, ou quiçá, por uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Ao mesmo tempo em que tenta projetar o nome de Gonçalo, a pesquisa Conceito parece querer desbancar uma possível “terceira via” encabeçada por Eliziane Gama, deixando-a de fora da disputa, o que, certamente, complicaria ainda mais o favoritismo apontado por muitos de que essa eleição Flávio Dino já ganhou.

No contexto atual, em que as conversas e tentativas de acordos entre pré-candidatos e siglas partidárias estão a todo vapor, qualquer instituto que não contemple nomes dados como certos (e que ainda não se manifestaram contrariamente) para o pleito de 2014 tende a cair no Conceito.

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