quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MORTALIDADE: Mais de 1.700 pacientes morreram nas unidades de Saúde de São Luís em 2013

Suportes de soro são usados para segurar cilindros de oxigênio no Socorrão I

Por Hugo Freitas

Um número estarrecedor mostra a deficiência e precariedade do sistema público de Saúde municipal durante o primeiro ano de mandato do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC).

Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) – base dos Sistemas de Informações em Saúde – revelam que 1.714 pacientes morreram em unidades de Saúde da Prefeitura de São Luís, entre janeiro e novembro de 2013.


Pelos números do CNES morreram, em média, cinco pacientes por dia nas unidades municipais apenas no ano passado, resultando em uma média mensal de 156 óbitos.

Apenas nos hospitais de urgência e emergência da capital - Djalma Marques (Socorrão I) e Clementino Moura (Socorrão II) - morreram 1.637 pacientes, sendo 922 no primeiro e 715 no segundo. O Socorrão I teve uma média mensal de 84 mortos, enquanto que o Socorrão II registrou média de 65 óbitos entre janeiro e novembro de 2013.

Os números do CNES também mostram a ingerência dos gestores da Prefeitura na rede de saúde infantil. O Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos é a terceira unidade municipal de saúde em número de óbitos. Entre janeiro e dezembro do ano passado, 31 pacientes morreram no Hospital da Criança.

Na quarta posição, segundo o CNES, aparece a Unidade Mista do Bequimão com 23 óbitos, seguida pela Unidade Mista do Itaqui Bacanga, que registrou 15 mortos.

Os números do Cadastro Nacional são reveladores do tamanho da irresponsabilidade com que vem sendo gerida a Saúde pública na capital, onde enfermos se tornam vítimas da precarização das instalações, da falta de médicos e medicamentos, da má qualificação dos trabalhadores (contratados por uma empresa privada, quando o correto, pela legislação, era a realização de concurso público), das longas demoras nos atendimentos de emergência e procedimentos cirúrgicos, da corrupção e das disputas político-partidárias.

Para piorar o estado de calamidade em que se encontra a Saúde, não existe nenhuma Unidade de Tratamento de Queimados na capital. Mesmo assim, a Prefeitura de São Luís continua recebendo verbas federais do Ministério da Saúde para esse fim.

Caso houvesse tal Unidade especializada, as chances de sobrevivência da criança Ana Clara, de apenas 6 anos, vítima dos ataques incendiários do último dia 3, teriam sido maiores.

Por tudo isso, a Saúde pública de São Luís está agonizando na UTI. Um verdadeiro pedido de socorro ecoa das gargantas dos inúmeros pacientes que se amontoam nos corredores dos socorrões.

Mas parece que os órgãos de defesa dos direitos humanos, a classe política, a imprensa e a população ludovicense como um todo não estão preocupados com isso.

Suas atenções estão voltadas, cegamente, ao noticiário político/paulista sobre a situação "degradante" dos presidiários de Pedrinhas, onde estão os líderes das facções criminosas que ordenaram os ataques a ônibus na capital, ceifando a vida inocente de Ana Clara.

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