quinta-feira, 17 de maio de 2012

CHEGA AO FIM A GREVE DOS RODOVIÁRIOS DE SÃO LUÍS


Acabou a greve dos rodoviários de São Luís. 100% da frota de ônibus da capital deve voltar a circular a partir da meia-noite desta sexta-feira (18).

O acordo que possibilitou o fim da greve só foi possível mediante a decisão da presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT-MA), desembargadora Ilka Esdra Silva Araújo, que concedeu reajuste salarial de 7% para os rodoviários, em reunião realizada na tarde desta quinta (17) na sede do órgão trabalhista, face à tutela antecipada requerida no dissídio coletivo de greve ajuizado pelo Ministério Público do Trabalho do Maranhão (MPT-MA).

De acordo com a decisão, a concessão de reajuste implica a suspensão imediata da greve, com retorno de 100% dos empregados aos seus postos de trabalho, sob pena de o movimento grevista ser considerado abusivo, ficando os empregadores autorizados a demitir por justa causa e contratar outros trabalhadores para suprir os postos de trabalho.

Em caso de descumprimento da decisão, será aplicada multa diária de R$ 40 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão, além da configuração do crime de desobediência à ordem judicial, conforme previsto no artigo 330 do Código Penal e perturbação da ordem pública.

O descumprimento da decisão por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) acarretará aplicação de multa diária de R$ 50 mil. O SET deve disponibilizar a quantidade de ônibus para normal circulação de 100% da frota, bem como providenciar, com urgência, a retirada das vias públicas dos ônibus que, eventualmente, sejam parados inadequadamente pelos grevistas, visando a desobstruir ou descongestionar o tráfego, conforme requerido pelo MPT-MA.

A desembargadora Ilka Esdra ressaltou que foi analisado apenas o pedido de reajuste do salário dos rodoviários, conforme solicitado no dissídio coletivo de greve. As questões relativas a auxílio-alimentação e plano de saúde serão apreciadas quando do julgamento final do dissídio pelo TRT-MA.

A direção do Sindicato dos Rodoviários informou, agora há pouco, que a categoria decidiu encerrar a greve e acatar a decisão judicial. Os ônibus voltam a circular com 100% da frota a partir da meia-noite desta sexta (18). A greve dos rodoviários foi iniciada na última terça-feira (15).

Hugo Freitas
Com informações do TRT-MA

TIRE SUAS DÚVIDAS: LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO ENTROU EM VIGOR


Já está em vigor a lei que obriga os órgãos públicos a oferecer informações relacionadas às suas atividades a qualquer cidadão interessado. O projeto é de iniciativa do Executivo e vale para todo o serviço público do país.

A lei 12.527/2011, a chamada Lei de Acesso à Informação, entrou em vigência nesta quarta (16) e obriga órgãos federais, estaduais e municipais (ministérios, estatais, governos estaduais, prefeituras, empresas públicas, autarquias, etc.) a oferecer informações a qualquer pessoa que pedir documentos públicos, como arquivos ou planos de governo.

Pacientes podem ter acesso a escala de médicos em um hospital público, passageiros podem pedir informações sobre o horário dos ônibus, além de ser possível saber por que determinada empresa foi contratada pelo governo ou prefeitura pra fazer obras e consultorias.

Qualquer pessoa pode pedir dados a respeito de qualquer órgão da administração pública. Não é preciso apresentar nenhum tipo de justificativa para a solicitação de informações. O servidor público tem obrigação de responder em até 30 dias.

O pedido só pode ser negado se a informação for sigilosa, tais como assuntos secretos do Estado, temas que possam colocar em risco a segurança nacional ou que comprometam atividades de investigação policial. Dados de casos que corram em segredo de justiça também não serão divulgados, assim como informações pessoais dos agentes públicos ou privados. Nesses casos, o órgão é obrigado a justificar o motivo para não fornecer o dado.

O pedido pode ser feito diretamente nos órgãos públicos ou pela internet.

Confira abaixo algumas perguntas e respostas sobre a nova lei, de acordo com o texto da legislação e informações da Controladoria-Geral da União (CGU):

Como a lei será implantada, na prática?
A lei determina que os órgãos públicos criem centros de atendimento dentro de cada órgão chamados de SICs (Serviços de Informação ao Cidadão). Esses centros precisarão ter estrutura para atender e orientar o público quanto ao acesso a informações de interesse coletivo como, por exemplo, tramitação de documentos, processos de licitações e gastos públicos.

O que a lei exige dos órgãos públicos na internet?
A Lei de Acesso à Informação estabelece também que as entidades públicas divulguem na internet, em linguagem clara e de fácil acesso, dados sobre a administração pública. Devem constar, no mínimo, registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público. Também devem ser publicados registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros e informações sobre licitações, inclusive os editais e resultados. A lei exige ainda que fiquem expostos na internet dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras do governo, além de respostas a perguntas mais frequentes da sociedade. As informações devem ser mantidas sempre atualizadas. Apenas os municípios com menos de 10 mil habitantes estão desobrigados a apresentar em um site na internet os dados sobre as operações municipais. No entanto, os órgãos desses pequenos municípios são obrigados a prestar informações sempre que solicitadas.

Quais informações poderão ser solicitadas?
Não há limites para as informações a serem solicitadas. Podem ser requisitadas quaisquer informações a respeito de dados relativos aos órgãos públicos. Será possível, por exemplo, perguntar quanto um ministério ou secretaria gastou com salários de servidores, com obras públicas, andamento de processos de licitação, detalhes sobre auditorias, fiscalizações e outras.

E se o órgão público não atender ao pedido?
Se o órgão não puder prestar as informações, terá de apresentar uma justificativa. Se o cidadão não aceitar a justificativa, pode entrar com recurso no próprio órgão. Se ainda não conseguir, pode apresentar outro recurso à Comissão Mista de Reavaliação de Informações, instituída pela lei. A comissão vai avaliar o sigilo de dados públicos e as justificativas apresentadas pelo órgão público para não prestar as informações solicitadas. Se entender que a informação pode ser divulgada, a comissão acionará o órgão para que atenda ao pedido do cidadão.

Por quais meios as informações poderão ser solicitadas?
As informações poderão ser solicitadas nos Serviços de Informações ao Cidadão (SICs), que serão instalados em cada órgão público. A lei também determina que seja concedida ao cidadão a opção de solicitar os dados pela internet. Outros meios, como carta e telefone, vão depender dos sistemas adotados por cada órgão.

As informações vão ser prestadas sempre por meio de documentos impressos?
Depende de como o órgão tiver armazenado os dados. Nos casos de arquivos digitais, o cidadão poderá obter as informações em um CD ou outra mídia digital. Se houver necessidade de impressão de um volume elevado de papéis, o cidadão pagará o custo.

Como tramita, dentro do órgão público, o pedido de informação?
Se o órgão tiver a informação ao alcance imediato, o pedido poderá ser atendido no momento em que for feito pelo cidadão, nos SICs. Se houver necessidade de pesquisa, o órgão tem 20 dias, prorrogáveis por mais 10, para atender à demanda. O cidadão será avisado por telefone ou pela internet. Depois desse prazo, o agente público tem que justificar o motivo da não prestação das informações.

Qual será a punição para servidores que não atenderem aos pedidos?
Servidores públicos que não prestarem as informações solicitadas e não apresentarem justificativa legal poderão sofrer sanções administrativas e até ser processados por improbidade.

ONGs (Organizações Não-Governamentais) também estão sujeitas à lei?
As entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos para a realização de ações de interesse público e que tenham parceria ou convênios com o governo devem divulgar informações sobre o dinheiro recebido e sua destinação.

Hugo Freitas
Com informações do G1 e Agência Brasil

terça-feira, 15 de maio de 2012

AGORA É OFICIAL: PROFESSORES DA UFMA DECRETAM GREVE


Atenção, estudantes! Em comunicado divulgado agora há pouco, a Associação dos Professores Universitários do Maranhão (Apruma) anunciou que a categoria irá aderir à greve nacional, prevista para ser deflagrada a partir do próximo dia 21 de maio.

Confira abaixo o comunicado da Apruma na íntegra:

O SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR (ANDES-SN), entidade sindical de âmbito nacional, representativa dos docentes das instituições federais de ensino superior, respectivas graus e modalidades, no âmbito da seção sindical APRUMA, em cumprimento às exigências legais, vem, por intermédio da presente, avisar a toda comunidade docente e discente e a população em geral que os docentes pertencentes à categoria, em função da deliberação tomada na reunião nacional do dia 12 de maio de 2012, e da decisão da assembleia geral realizada no dia 15 de maio de 2012 que será deflagrada greve nacional dos docentes das IFES à qual se incorporam os docentes da Universidade Federal do Maranhão a partir do dia 21 de maio de 2012. Comunica também que eventuais atividades que sejam consideradas essenciais deverão ser assim entendidas e negociadas entre a instituição e o comando local de greve, considerando suas especificidades.

São Luís, 15 de maio de 2012.

DIRETORIA APRUMA

SEM ACORDO, GREVE DOS RODOVIÁRIOS CONTINUA POR TEMPO INDETERMINADO


A reunião realizada na tarde desta terça-feira (15) entre representantes do movimento grevista dos rodoviários e dos empresários do transporte público de São Luís, com intermediação da presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/MA), Ilka Araújo, não resultou em nenhum acordo entre as partes.

Portanto, a greve de motoristas e cobradores, deflagrada às 0h de hoje, continua por tempo indeterminado, com apenas 50% da frota de ônibus circulando pela capital, conforme determinação judicial.

O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) informou que qualquer reajuste salarial só será concedido aos grevistas se houver o aumento no valor das passagens. Por sua vez, a categoria permanece em greve reivindicando aumento de 16% nos vencimentos, entre outros benefícios.

Uma nova reunião está agendada para as 15h desta quarta-feira (16). Enquanto isso, a população de São Luís continua sofrendo os impactos dessa nova paralisação dos coletivos, com aumento do tempo de espera nas filas dos pontos de ônibus, escolas fechadas e atrasos na chegada ao trabalho.

Hugo Freitas

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MARANHÃO: A POLÍTICA COMO ESPETÁCULO


"Maranhão, meu tesouro, meu torrão, escrevi estas palavras prá ti, Maranhão". A terra da mentira, "onde até o Sol mente", já afirmava Padre Antônio Vieira, vem se consolidando na esfera da política como terra de sedução propagandística e fetichismo midiático.

O Maranhão, estado com um dos maiores índices de analfabetismo, segundo confirmaram os dados divulgados pelo IBGE sobre o censo de 2010, cuja capital padece dos serviços básicos mais prementes, como abastecimento de água, onde carros-pipa são utilizados para suprir as ferrugens de um Sistema "Eitaluís", que vira e mexe se rompe, prova material do descaso dos gestores públicos com a população, agora vive às voltas com o ressoar da divulgação de obras faraônicas, aquelas mesmas (e velhas) promessas que tomam a pauta dos veículos "jornalísticos" ajoelhados ao poder político e econômico em anos de eleição.

Isso mesmo, atencioso leitor. A prefeitura de São Luís anunciou, às vésperas das eleições municipais, que iniciará construções grandiosas na capital maranhense. Dentre os absurdos veiculados com ares de messianismo fajuto, está prevista a construção de um metrô em São Luís, que vem para "solucionar definitivamente" o problema do transporte público na capital.

Elementar, meu caro leitor, que se trata novamente de campanha eleitoral antecipada e disfarçada de "projetos para a sociedade", tudo para mascarar os reais interesses de reeleição do atual chefe do Executivo Municipal. Parecem não querer levar em conta as inúmeras greves ocorridas na cidade por causa das péssimas condições do transporte coletivo e da malha viária urbana, tudo isso com a anuência dos contribuintes que pagam uma das passagens mais caras do país para desfrutar de ônibus sucateados e sem o mínimo de segurança. Em vez de promover melhorias estruturais no sistema de transporte coletivo, a gestão municipal prefere lançar mão daquilo que lhe é mais certeiro: a propaganda espetacularizada, preocupada apenas em ludibriar a sociedade e abrandar os ânimos daqueles mais descontentes.

O curioso disso é que a velha tática dos oligarcas do Maranhão, tão criticada por seus opositores, é amplamente usufruída por estes. No mesmo embalo das promessas eleitoreiras de obras faraônicas do governo do Estado para São Luís, presente por seus 400 anos, como a "Ponte Quarto Centenário", que já virou avenida, e a "Via Shop-Shop", que liga os principais shoppings da capital, a prefeitura anuncia a ampliação de avenidas litorâneas e a construção de um metrô, faltando apenas poucos meses para as eleições de outubro e o fim do mandato da atual gestão municipal (2008-2012).

Será possível ainda uma população que mal consegue água para beber, que coloca seus filhos em escolas municipais cujas aulas começam no meio do ano, quando a maioria das outras está se preparando para as férias de julho, que não consegue atendimento digno nos hospitais, quer seja por superlotação quer por falta de médicos e/ou materiais e equipamentos, que não possui transporte digno, e que morre a esmo nas mãos de pistoleiros, ainda assim seria possível uma população creditar algum tipo de confiança aos mesmos caciques políticos que continuam se perpetuando no poder em busca de mais riquezas e consecução de projetos pessoais?

A resposta é a seguinte: somente com a propaganda, com a força de promessas que dificilmente serão cumpridas, pois quanto maior seu absurdo, maior será o impacto naqueles mais de 80% de analfabetos, despolitizados por sua falta de educação e desmemoriados pelas situações emergenciais de uma realidade vivenciada com extrema dificuldade.

E assim caminha a política no Maranhão, com promessas eleitoreiras  recorrentemente megalomaníacas em anos de eleição, ancoradas na subnutrição intelectual de seu povo e na espetacularização subserviente promovida pelos veículos de comunicação, verdadeiras extensões dos tentáculos do poder.

Hugo Freitas