segunda-feira, 21 de maio de 2012

DEPOIMENTO "FANTÁSTICO": XUXA REVELA TER SOFRIDO ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA


Por Hugo Freitas

Quem assistiu ao Fantástico neste domingo (20), deve ter ficado impressionado com o depoimento bombástico da apresentadora Xuxa Meneguel. Aos 49 anos, ela revelou ter sofrido abuso sexual na infância e que Michael Jackson queria se casar e ter filhos com ela.

As revelações foram feitas em entrevista para o quadro “O que vi da vida”, do programa dominical da TV Globo. Segundo Xuxa, os agressores eram pessoas próximas da família: um amigo do pai, que seria seu padrinho, um homem que iria casar com sua avó e um professor.

Xuxa não disse quando as violências começaram, mas que só acabaram quando completou 13 anos. Muito emocionada, Xuxa chorou durante o depoimento e explicou que o trauma a levou a lutar pelo direito das crianças:

"Luto pelas crianças porque isso aconteceu comigo até a adolescência. Eu era grande, chamava a atenção e fui abusada, e isso ocorreu muitas vezes até os 13 anos, quando decidi fugir".

Segundo Xuxa, o pai dela, Luís Floriano Meneghel, era militar e sempre foi muito ausente e distante. A mãe, Alda Meneghel, de acordo com a apresentadora, era muito amorosa e presente, porém inocente.

“Nunca falei nada para ninguém porque tinha vergonha, não sabia o que fazer. Se falasse para o meu pai, ele acharia que a culpa era minha, que eu provocava. Deviam ter notado que havia algo de errado; que eu, sempre muito falante, tinha virado uma pessoa calada”.

Em uma outra parte de seu depoimento, Xuxa falou dos relacionamentos que teve com Pelé e Ayrton Senna. Porém, a segunda bomba do dia foi a afirmação da apresentadora de que Michael Jackson queria se casar e ter filhos com ela. Xuxa contou que foi o empresário do astro que propôs a união entre ela e o cantor. "Ele disse que o Michael queria se casar comigo e ter filhos e que seria ótimo unir uma pessoa que gostava de crianças como ele.

Contudo, Xuxa revela ter dito não a Jackson. "Claro que eu disse não. Era muito fã, mas não queria me casar com ele. Lembro de estar no cinema da casa dele e cada vez que Michael pegava na minha mão eu chorava, chorava. É muito doido, essas coisas só acontecem comigo", contou.

Por fim, Xuxa garantiu que o trauma da infância afetou sua vida afetiva. “Por que você acha que eu não consigo me casar? Deve ter uma explicação. Talvez eu tivesse que passar por isso tudo para hoje querer lutar por essas crianças. Tenho o sonho de que, um dia, nenhuma criança seja vítima de abuso”, disse, chorando.

Confira, na íntegra, o depoimento corajoso de Xuxa ao Fantástico:

sábado, 19 de maio de 2012

Ser governante ou ser parente-sócio de quem governa: o que é melhor?


Prezado leitor, trago para vossa apreciação um interessante artigo enviado por um leitor ao blog, que aborda de forma problematizadora as relações e os privilégios entre gestores públicos e seus parentes. No texto o autor reflete, à luz da filosofia grega, sobre os vínculos parentais na realidade política de duas importantes cidades maranhenses: Timon e Caxias. Boa leitura!

Hugo Freitas


Ser governante ou ser parente-sócio de quem governa: o que é melhor?

Por Francinaldo Morais¹

Nos momentos em que a realidade apresenta desafios maiores que a minha capacidade de pensar sozinho, “volto” a Grécia, com o intuito de ouvir e refletir com os antigos gregos. Saber deles, fundamentalmente, o que ensinam sobre os homens em sociedade (a chamada vida na pólis).

Neste ano de 2012, tenho me sentido desafiado a entender o que se passa na cidade de Timon-MA e em Caxias-MA, onde nasci, trabalho e resido, como pretexto para entender o mesmo fenômeno em outras cidades. Percebo nessas duas realidades histórico-políticas condutas humanas muito semelhantes.

Em Timon, considero os esforços da prefeita Socorro Waquim, dirigidos para mantê-la no poder do município, por intermédio do vereador Tales Waquim, sobrinho do seu marido, deputado Sétimo Waquim. Em Caxias, observo o prefeito Humberto Coutinho, fazendo o que pode para continuar no mando municipal, através do sobrinho Leo Coutinho, filho do seu irmão Eugenio Coutinho, e o ex-prefeito Paulo Marinho, lutando para voltar a prefeitura, em sociedade com o filho Paulo Jr . Outros exemplos poderiam ser citados: o ex-prefeito Clodomir Rocha, com a esposa Luiza Rocha, prefeita de São João do Sóter e, o mais emblemático de todos, o senador José Sarney, com a filha Roseana Sarney, governadora do estado do Maranhão.

Na impossibilidade de refletir sem nenhuma ajuda sobre o que acontece em comum nessas realidades humanas, busquei a companhia do dramaturgo grego Sófocles (497-406 a. C.), um velho conhecido dos tempos do teatro Sombras², mais precisamente as suas orientações políticas presentes no texto cênico Édipo Rei.

O dramaturgo de Colono lançou mão das personagens Édipo, rei de Tebas, e Creonte, cunhado deste, para construir a descrição mais verossímil que conheço sobre os fundamentos morais da conduta de um parente-sócio de governante, em todos os tempos e lugares. Conforme o enredo sofocliciano, o deus Apolo, consultado por Édipo, esclareceu que o reino de Tebas continuaria padecendo de terríveis calamidades, até que o criminoso do antigo rei Laio fosse punido.

Como nenhum tebano nunca soube da identidade do criminoso, o sábio Tiresias foi chamado à presença de Édipo. Diante do rei, Tiresias declarou que ele mesmo, Édipo, era tal criminoso. Édipo, enfurecido, acusou Tiresias de estar mancomunado com Creonte na elaboração de tamanha infâmia, tendo em vista tomarem-lhe o trono.

Na presença de Édipo, seu cunhado Creonte defendeu-se magistralmente, demonstrando-lhe a estupidez de tal conduta e as infinitas vantagens de ser parente-sócio do rei tebano. Como um perscrutador da alma humana, Sófocles acabou por nos descrever as motivações de um parente-sócio de governante.

Vejamos o trecho lapidar, verbis: (...) CREONTE – Não te tornarás a falar assim, se te resolveres a pensar razoavelmente, como eu. Vê em primeiro lugar o seguinte: não achas que é preferível, com poder igual, dormir tranquilo a dar ordens no meio dos terrores? Por mim, sem dúvida, gosto mais de fazer o que fazem os reis do que ser eu rei, e todo o homem avisado pensa de igual modo. Com efeito, tudo obtenho de ti sem um receio e, se fosse rei, teria de fazer grande número de coisas contra minha vontade. Como me poderia ser mais agradável reinar do que permanecer poderoso e sossegado? Não sou louco a ponto de desejar outras coisas além dos bens que me dão proveito: hoje todos me honram, todos são meus amigos; os que desejam qualquer coisa de ti lisonjeiam-me, porque está nas minhas mãos conseguirem o que querem. Para que havia eu de perder estas vantagens? Para reinar? Seria uma ambição insensata, digna de um espírito pervertido. (...) (Sófocles, 1988, p.42).

Os sentidos legados por Sófocles nos levam a concluir que o poder do parente-sócio de governante pode ser igual ou até superior ao do próprio governante (dependendo de fatores como descendência ou ascendência parental). O parente-sócio é um privilegiado em relação aos benefícios que o governo pode proporcionar. O parente-sócio não está no governo, mas exerce uma parcela considerável do poder do governante. O parente-sócio é um mediador eficaz, consegue do governante tudo o que quer ou que querem que ele consiga. Por fim, ser parente-sócio de governante pode oferecer mais vantagens que ser o titular do governo.

Alguns, que não concordarem comigo (na verdade, com Sófocles!), poderão dizer: faltou considerar o deleite intransferível do exercício do poder, a satisfação personalíssima de ser o governante e a vaidade de ter as mãos beijadas por bajuladores, todos os dias. A eles, observadores discordantes, respondo que se referem a aspectos para outras reflexões (com outro grego, com certeza!).

___________
1- Professor de História e membro do IHGC.
2- O Grupo Teatral Sombras permaneceu ativo, em Caxias-MA, dos idos de 1980 aos idos de 1990. Representou a cidade em encontros e festivais regionais de teatro com trabalhos como A Feira, de Lourdes Ramalho, Mundaú, A Lagoa Assassinada, de Pedro Onofre, e Antígona, de Sófocles.


A "Arte" como Negócio



Por Hugo Freitas
Historiador e Sociólogo

A assertiva "No futuro, toda a gente poderá ser famosa durante quinze minutos" nunca foi tão verdadeira.

Cada vez mais toma força a noção de que o mercantilismo em torno das artes, sub-produto de uma indústria cultural que a tudo engloba dentro da lógica mercadológica, circunscreve o público consumidor na mesma atmosfera. Em outras palavras, se tudo pode ser vendido, obviamente, tudo tende a ser consumido.

Nessa lógica, portanto, o produto é o de menos. O conteúdo, idem. O que se eleva sobre o espírito hegeliano das massas é a embalagem e sua função simbólica: a de ostentação, de satisfação do desejo de ter aquilo o que não é essencial, de ir além do primarismo existencial.

No mundo das celebridades, por exemplo, isto é claramente notório. As pessoas (artistas) são vistas não como elas são, mas como aparentam ser, como se apresentam diante do público, vivendo assim às expensas de uma imagem muitas vezes não coadunada com a sua própria realidade.

O "consumidor de celebridades", por seu turno, cada vez mais ávido e sedento por "novidades repetidas", pelo novo que já veio, pelo velho com nova roupagem, se retroalimenta desses arquétipos forjados e cunhados sob a égide do "modismo" e das "novas tendências", movimentando assim a roda da fortuna que gira em torno do simulacro, do "virtual concreto", que se impõe como realidade material palpável, porém assimétrica, distorcida, falseável, tornando-se vazia, descartável.

Nessa perspectiva, o cenário musical atual também é uma fonte prenhe de exemplos, repleta de canções e melodias simples e repetitivas, de fácil memorização, cuja abrangência popular é bastante ampla. Curioso observarmos que essa simplicidade musical é produto da mesma indústria cultural fomentadora do esvaziamento dos conteúdos, que acaba assim por revelar o seu caráter de "massa", de supressão das individualidades em detrimento do "gado consumidor", programado única e exclusivamente para o consumo.

Por outro lado, a tendência em voga de democratização do acesso à arte, por levar a todos a possibilidade de apreciação das manifestações artísticas do homem, acaba também por "dessacralizar" os "grandes artistas" e despertar os "grandes marqueteiros e propagandistas", que antes esculpiam "famosos" ao longo de um determinado tempo, o que nos dias de hoje se dá, muitas vezes, de forma instantânea.

Na internet, qualquer cidadão tem um alto potencial de se tornar uma celebridade, quer por seu "talento" ou pela ausência deste. Vide exemplos do cantor Luan Santana, da "Luiza do Canadá" e, mais recentemente, a "Família Para Nossa Alegria", estrela de algumas peças publicitárias, cuja ascensão virtual é medida pela quantidade de "views" no youtube e pelos "retuítes" e "compartilhamentos" nas redes sociais.

Nessa conjuntura, a presença quase onisciente da figura do "empresário" se redimensiona, tomando outros contornos. Ele deixa de ser o responsável por descobrir nos "anônimos" aquilo o que possivelmente caia no "gosto popular" - cabendo isso agora ao próprio público internauta - e passa efetivamente apenas a intermediar a exposição de seu "produto" com os veículos de comunicação, movimentando significativas somas para que este (o produto) se torne finalmente  vendável.

Assim, o negócio também vira arte, arte da sedução, do fetichismo da mercadoria em relação ao consumidor, da venda de sonhos e ilusões numa escala holística de consumo, tornando o supérfluo desejável e o essencial, secundário.

Arte, porém, abstrata, pois reside numa equação difícil de ser solucionada sem as mãos hábeis do marqueteiro para aparar as arestas e moldar seu "artista" dentro da lógica imposta pelo mercado, em consonância com toda a rede comunicacional necessária para vestir seu produto e deixá-lo no ponto de ser apreciado, vislumbrado, cobiçado, num mundo onde a beleza da embalagem suplanta a necessidade e o interesse pelo conteúdo.

E nisso o "artista" se "coisifica", tornando-se efêmero, passageiro, tão breve quanto seus "15 minutos de fama", porém tão necessário como a engrenagem que movimenta o processo industrial de empacotamento do produto, de vida útil e fútil, talhado com o único objetivo de manter a roda da fortuna girando sem parar.

P.S: Artigo escrito com base no texto original que inaugurou este blog no dia 29 de outubro de 2010, data de seu nascimento.

PATRÍCIA POETA IMITA CHAVES NO JORNAL NACIONAL?


Nesta quinta-feira (17), a apresentadora Patrícia Poeta, do Jornal Nacional, abusou do direito de impressionar o telespectador. Na chamada de uma matéria sobre a guerra entre cartéis de traficantes no México, ela utilizou a palavra "violentissississima".

Fãs do seriado "Chaves", exibido no SBT, logo se manifestaram na internet afirmando que a apresentadora teria feito uma homenagem a Roberto Bolaños (83 anos), o criador de "Chaves", que nas últimas semanas vêm preocupando muitos admiradores por causa de seu frágil estado de saúde.

A lembrança sobre o seriado dá-se em vista de muitas falas do personagem "Chaves" serem bastante exageradas quando ele expressa algo significativo, repetindo inúmeras vezes o sufixo "-issima".

Patrícia Poeta seguiu a mesma linha e exagerou na utilização do advérbio de intensidade "violentíssima", cuja expressão manifesta no Jornal Nacional causou espanto ao transmitir uma imagem hiperbólica sobre o narcotráfico no México o que, em última análise, revela o quão "isento" e "não tendencioso" é o referido noticiário global.

Confira o vídeo que caiu na rede, com edição de algum fã do "Chaves":


sexta-feira, 18 de maio de 2012

CANCELAMENTO DO PLANO DE SAÚDE E REAJUSTE DE 7% LEVA RODOVIÁRIOS A PERMANECER EM GREVE



Por Hugo Freitas

Para a surpresa de muitos (inclusive do autor do blog) e infelicidade geral da população que utiliza o sistema de transporte coletivo de São Luís, a greve dos rodoviários continua.

Na manhã de hoje (18), ao dirigir-me para mais um dia de estudos na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), deparei-me com a surpreendente paralisação de inúmeros ônibus na Avenida Beira-Mar.

Eram por volta de oito e meia quando os motoristas começaram a estacionar os ônibus no Aterro do Bacanga, causando um grande congestionamento no local. Passageiros foram obrigados a descer da viagem em pleno curso e seguirem a pé. Muitos estudantes, que também se dirigiam para a UFMA, desistiram e resolveram voltar para casa, utilizando-se do transporte alternativo efetuado por vans e carros particulares, que aproveitaram para faturar um extra.

Os motivos da paralisação desta sexta (18) que surpreendeu a todos, depois de ter sido informado à imprensa que a direção do sindicato dos rodoviários havia decidido pelo fim do movimento paredista (REVEJA), foi a realização de uma assembleia, em plena Avenida Beira-Mar, organizada pelos rodoviários que reclamavam do cancelamento do plano de saúde, direito já conquistado pela categoria, além do reajuste de 7%, bem abaixo do pleiteado.

Os ônibus voltaram a circular normalmente após ficar decidido pelos grevistas que a frota que irá circular neste final de semana será de apenas 50%. Os grevistas informaram ainda que a partir da próxima segunda (21), a greve dos rodoviários será de 100% e nenhum ônibus sairá das garagens por tempo indeterminado, até que um novo acordo seja firmado com a classe patronal.

No calor dos acontecimentos, surgiu a informação de que havia sido determinada a prisão do presidente do Sindicato dos Rodoviários (STTRMA), Dorival Sousa, e que este, sabendo disso, teria se abrigado na sede do órgão.

A esse respeito, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MA) emitiu nota à imprensa informando o que segue abaixo, além de afirmar que irá tomar as providências cabíveis para garantir o direito de locomoção da população, mediante o descumprimento de decisão judicial outorgada pela desembargadora Ilka Esdras.

Confira a nota do TRT-MA na íntegra:

O Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT-MA) informa que em nenhum momento a presidente deste Regional, desembargadora Ilka Esdra Silva Araújo, determinou a prisão de representante do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão.

Ontem (17.05), a presidente do TRT-MA concedeu reajuste salarial linear de 7% aos rodoviários e determinou a suspensão imediata da greve iniciada pela categoria na última terça-feira (15), dando ciência da decisão às partes. Em caso de descumprimento será aplicada multa diária de R$ 40 mil ao Sindicato dos Trabalhadores, além da configuração do crime de desobediência à ordem judicial, conforme previsto no artigo 330 do Código Penal e perturbação da ordem pública. O descumprimento da decisão por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) acarretará aplicação de multa diária de R$ 50 mil.

A presidente do TRT-MA disse que confia na maturidade dos representantes das categorias dos trabalhadores e dos empresários do setor de transporte para garantir à população de São Luís seu direito de locomoção, maturidade demonstrada durante todo o processo de negociação ocorrido no Tribunal, com as tentativas de conciliação entre as duas categorias.

A desembargadora afirmou esperar não ser necessária a adoção de medidas mais rigorosas frente a atos abusivos e ilegais por parte dos dois sindicatos.

Reafirma a desembargadora, ainda, que a Justiça do Trabalho é um órgão pacificador dos conflitos trabalhistas e que buscou a melhor solução para dirimir o litígio entre trabalhadores e empresários do setor de transporte, prova essa que o Ministério Público do Trabalho (MPT) pleiteou, a título de antecipação, o percentual de reajuste salarial de no mínimo 5,1% e o TRT-MA concedeu 7% de reajuste linear.

Segundo a presidente, embora o percentual deferido não seja o pretendido pelos rodoviários (que pleiteava 16% de reajuste), corresponde racionalmente ao resultado da análise dos documentos juntados e argumentos suscitados pelas partes.

Por fim, a desembargadora informa que tomará as providências cabíveis para que a decisão judicial seja respeitada.