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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O PESO POLÍTICO DE MARINA SILVA

Marina vence Dilma num eventual segundo turno, aponta pesquisa DataFolha

Por Hugo Freitas

A nova pesquisa DataFolha de intenções de voto para a Presidência da República agitou o cenário político nacional nesta segunda-feira (18). Na pesquisa, Marina aparece vencendo Dilma num eventual segundo turno.

Ocorre que os números do DataFolha devem ser observados com cuidado, para além do estado de comoção que tomou conta do país em função da trágica morte de Eduardo Campos, na última quarta-feira (13). Antes da oficialização do nome de Campos para a disputa presidencial, Marina Silva (PSB) já aparecia com 27% das intenções de voto e era a segunda colocada em todas as pesquisas feitas até então.

E é justamente esse capital político de Marina, denegatório dos cerca de 20 milhões de votos recebidos nas eleições presidenciais de 2010, que está vindo à tona novamente. Basta observarmos que tanto Dilma Rousseff (PT) quanto Aécio Neves (PSDB) mantiveram os mesmos percentuais registrados na pesquisa anterior (36% e 20%, respectivamente), enquanto Marina atingiu 21%, bem acima dos 8% registrados por Campos.

Pesquisa DataFolha divulgada nesta segunda-feira (18)

Além disso, os números de indecisos e de declarantes que votariam branco/nulo diminuíram consideravelmente - de 13 para 8% e de 14 para 9%, respectivamente - certificando que o nome de Marina tem mais "peso" político que o do falecido Eduardo, que antes das convenções não passava dos 4% das intenções de voto, ficando em quarto lugar em todas as pesquisas de outrora.

Numa simulação de um eventual segundo turno entre Marina e Dilma, a ex-ministra venceria a atual presidente da República com 47% da preferência do eleitorado, enquanto Dilma ficaria com 43% das intenções de voto.

A tendência agora é que à medida que a campanha de Marina ganhe mais musculatura no país, seu nome consiga conquistar muito mais dos milhões de eleitores indecisos e, até mesmo, de votos teoricamente já "estabelecidos", com o acréscimo do "fator emocional" como variável impulsionadora da candidata socialista, o que deverá ser sentido nos próximos levantamentos.

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

PSOL, PT E A LÓGICA DA DOMINAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

Filha de Tarso Genro (PT), governador do Rio Grande  do Sul, Luciana Genro irá disputar a Presidência da República pelo PSOL

Por Hugo Freitas

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) homologou, no último domingo (22), a candidatura da ex-deputada federal Luciana Genro (RS) à Presidência da República. A oficialização ocorreu em convenção nacional do partido realizada em Brasília.

Os delegados psolistas aprovaram o nome de Luciana por unanimidade e também o do ex-candidato a prefeito de Mogi das Cruzes (SP), Jorge Paz, para vice-presidente.

Questionada sobre um possível racha no partido devido à ausência na convenção do senador Randolfe Rodrigues (AP), que desistiu da candidatura à Presidência pelo PSOL, Luciana negou.

“De forma alguma. Randolfe se manifestou favorável à candidatura pelas redes sociais. Ele achou por bem cuidar dos interesses do Amapá”, respondeu, referindo-se ao Estado que o parlamentar representa.

Na carta em que anunciou a desistência, Randolfe explicou que deixava a pré-campanha presidencial “para retomar em plenitude as tarefas como senador e a importante função de representante do Amapá”.

Vale lembrar que o PSOL surgiu enquanto partido político como uma dissidência do PT, após divergências quanto aos rumos da "estrela vermelha" no país e ao jogo de alianças políticas costuradas pelo ex-presidente Lula em nome da famigerada "governabilidade".

OLHAR SOCIOLÓGICO

Luciana Krebs Genro é filha de Tarso Genro (PT), ex-ministro do governo Lula (2003-2010) e atual governador do Rio Grande do Sul, neta de Adelmo Simas Genro, militante do PTB durante a ditadura militar, e sobrinha do falecido jornalista Adelmo Genro Filho.

Luciana Genro foi casada com Roberto Robaina, ex-dirigente nacional do PT e hoje membro do PSOL, e está casada desde 1994 com o jornalista Sérgio Bueno.

Luciana tende a se viabilizar na disputa presidencial justamente por conta da filiação umbilical com Tarso Genro, já que este sendo governador do Rio Grande do Sul, um dos maiores colégios eleitorais do país, possui o poder de arregimentar financiadores de campanha, bases eleitorais, militância e canais midiáticos em prol de sua filha.

Como se pode observar, mesmo nos partidos políticos tidos como mais "radicais" ou de "ultra-esquerda", a lógica da dominação política estabelecida através dos laços tradicionais familiares pode ser confirmada, sendo a regra geral das disputas eleitorais em praticamente todo o Brasil.

Eis um nítido exemplo que sustenta a premissa do "dividir para conservar".

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