sexta-feira, 9 de agosto de 2013

DIRETOR DO SOCORRÃO I É EXONERADO

"Prefeito não teve consideração comigo", disse Yglesio

Por Hugo Freitas

Está confirmado: Yglesio Moyses foi exonerado, nesta tarde, do cargo de diretor do Hospital Municipal Djalma Marques, o "Socorrão I".

Segundo informou o próprio Yglesio, em sua página no facebook, a notícia de sua exoneração foi feita pelo Secretário de Governo, Rodrigo Marques, e não pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC). "O Prefeito não teve a consideração de ter uma conversa comigo, ao contrário de quando me chamou pra assumir o cargo", disse Yglesio em tom de insatisfação.

O agora ex-diretor do hospital mais conturbado de São Luís, por conta da enorme demanda de pacientes oriundos da capital e do interior, informou ainda que os motivos de sua demissão não foram por falta de competência, mas por "outros motivos", que deverão ser detalhados em coletiva de imprensa já agendada para a próxima segunda-feira (12), em horário a ser confirmado.

Seu substituto será o médico Erico Brito Cantanhede, filiado ao PDT, partido que deve indicar o vice na chapa de Flávio Dino (PCdoB) para o pleito de 2014.

Yglesio Moysés ficou nacionalmente conhecido no episódio em que pediu ajuda à população da capital, também via facebook, para tentar abastecer o hospital que padecia de falta de alimentos e de materiais básicos de limpeza e de higiene pessoal.

Confira abaixo a íntegra da despedida de Yglesio, publicada há cerca de uma hora em sua página na rede social:

PARA CIÊNCIA DE TODOS

Acabo de receber a notícia da minha exoneração através do Secretário de Governo, Sr. Rodrigo Marques. O Prefeito não teve a consideração de ter uma conversa comigo, ao contrário de quando me chamou pra assumir o cargo, mas não faz a mínima diferença.

Minha saída não se deu por falta de competência, o Prefeito e toda a equipe da Secretaria de Saúde reconhecem o nosso trabalho.

Tem muitas coisas a serem inauguradas, na segunda começamos o Serviço de Cirurgia Laparoscópica, pioneiro em hospitais de urgência no MA e há ainda vários frutos do nosso esforço a serem colhidos, como novos e modernos equipamentos que irão chegar, assim como reformas, auditório e o projeto do novo Hospital.

As coisas vão melhorar ainda mais no Socorrão. Os motivos de minha saída foram outros, mas tudo vai ser detalhado em coletiva de imprensa na 2a feira, em horário a confirmar.

Um abraço a toda a maravilhosa equipe que me deu todo o suporte nesse período e a todos que sempre torceram por nós, meus sinceros agradecimentos.

UM OLHAR DE QUEM ESTÁ CANSADO DE APANHAR


Por Hugo Freitas

A ocupação dos últimos dias na Câmara Municipal de São Luís serviu para certificar duas coisas: o desprezo das autoridades e dos grupos dirigentes em relação aos reclames da população e a subordinação instrumental da imprensa maranhense aos interesses políticos e econômicos das elites dominantes do Estado.

Foi consensual a criminalização imputada pela mídia e a classe política local aos ocupantes do parlamento municipal ludovicense, que decidiram se instalar na Câmara de vereadores da capital há dias para cobrar maior ação dos supostos "representantes do povo".

Em vez dos assuntos e das problemáticas levantadas pelos manifestantes, os vereadores preferiram utilizar-se da força institucionalizada para expulsar, não sem truculência, a juventude que saiu às ruas para protestar por melhorias estruturais na capital.

Questões fundamentais como mobilidade urbana, regularização fundiária e transparência nas contas públicas da Prefeitura de São Luís, dentre outras, foram simplesmente negligenciadas e deixadas de lado em detrimento do açoite moral e físico praticados por aqueles que visavam a "manutenção da ordem" através da força.

Nem mesmo a imprensa local soube abordar os acontecimentos sem o mínimo daquilo que se exige dos profissionais da comunicação: responsabilidade social. Adjetivos como "invasores", "baderneiros", "vândalos", "desocupados", "promíscuos", dentre inúmeros outros verbetes depreciativos e desqualificatórios, deram a tônica de como a mídia maranhense continua subserviente aos "donos do poder" e aos "barões da comunicação" no Maranhão, reforçando a lógica de dominação perpetrada pelas elites que controlam a rédeas curtas o poder político e econômico no Estado.

Diante desse quadro nefasto, que remete a uma "crise de representatividade política", e cumprindo a responsabilidade de estar sempre do lado do povo em suas legítimas manifestações, o Blog do Hugo Freitas endossa a validade do movimento de ocupação do parlamento municipal como forma de pressionar os digníssimos vereadores tornando de conhecimento geral uma "Carta Aberta à Opinião Pública", onde os manifestantes, de forma coletiva, se posicionam e apresentam sua versão sobre os fatos ocorridos na última quarta-feira, dia 07, na Câmara de São Luís.

Assim, objetiva-se oferecer um "olhar de baixo", de quem está cansado de apanhar e de ser colocado à margem dos processos decisórios da vida política da capital e, por extensão, do Maranhão, como forma de protestar e combater o servilismo nocivo dos setores conservadores da imprensa maranhense que, salvo raras exceções, sempre se coloca prosternada, e contra o povo, quando o que está em xeque é o poderio de seus abastados patrões, sejam eles políticos ou empresários.

Segue a íntegra da Carta abaixo:

COLETIVO DE OCUPAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO LUIS
CARTA ABERTA À OPINIÃO PÚBLICA

O movimento que ocupou a Câmara Municipal de São Luís entre os dias 23 e 29 de julho de 2013 vem público externar seu repúdio contra os inúmeros atos de violência promovidos pela direção daquela casa Legislativa e por alguns vereadores com assento naquele parlamento. Ontem, ocorreu uma sessão especial na Câmara, fruto da ocupação que fizemos. Queremos deixar claro, inicialmente, que nossa ocupação foi reconhecida pela Justiça como legítima.

Uma das primeiras e graves violências cometida contra nós foi o pedido de reintegração de posse feito pela direção da Câmara, quando ainda estávamos na ocupação. Ao invés de seguir com o diálogo, os vereadores queriam colocar a Policia Militar para nos expulsar. Mas, o juiz Carlos Henrique Rodrigues Veloso, da 2ª Vara da Fazenda Pública, deu uma sentença onde afirmou o seguinte: “...o movimento é político, de pressão social do legítimo patrão dos políticos: a população e a sociedade, as quais, por força da Constituição Federal, têm legítimos direitos de manifestação e exigência de compromisso social, de ética, moralidade e probidade, de respeito e eficiência, de publicidade e prestação de contas, dentre outros, o que, infelizmente, a população não está conseguindo vislumbrar na classe política...”

E assim a Câmara foi obrigada a realizar uma sessão especial para nos ouvir. A pauta indicada por nós foi: Transporte público e mobilidade urbana, transparência nas contas públicas e regularização fundiária. Porem, por conta da absoluta truculência protagonizada pelo comando da Câmara Municipal, a sessão teve que ser interrompida e o debate em torno dos problemas da capital maranhense foi prejudicado, por iniciativa dos próprios vereadores. Lamentável!

Logo no início da manhã, deste dia 7 de agosto de 2013, os vereadores espalharam um boato de que a sessão estava cancelada. Era a primeira de uma série de baixarias. Neste mesmo dia 7, algum desavisado que chegasse a Câmara de Vereadores de São Luís, poderia imaginar que estava num espaço controlado por bicheiros e não por parlamentares, tal a quantidade de seguranças à paisana, que mais pareciam capangas. Somada a esta “milícia”, estava uma guarda municipal, que na primeira manifestação de protesto ocorrida - ainda antes da sessão - usou spray de pimenta contra os manifestantes, informação esta deturpada pelo próprio Presidente da Câmara, vereador Isaias Pereirinha, que informou à imprensa que foram “os manifestantes que utilizaram spray de pimenta”.

Ainda cedo o protesto se deu porque a direção da Câmara ocupou a galeria com seus seguranças e assessores, impedindo a entrada do público que estava desde 8h aguardando a liberação do espaço. Isso gerou muita reclamação, o que atrasou, em cerca de uma hora, a nossa participação na sessão. Após uma negociação, nós entramos em número de 11 pessoas até o plenário e foi garantida a entrada de mais 20 pessoas para a galeria. Ao chegar ao plenário encontramos vários vereadores nervosos, alguns exaltados e outros até histéricos. Quando começamos a usar a palavra, fomos interrompidos em várias ocasiões, demonstrando a falta de respeito dos vereadores daquela casa com o movimento e com as pauta legítima apresentada.

Em nossas falas começamos a exigir a transparências nas contas da Câmara Municipal e da Prefeitura de São Luís, denunciamos o caos no transporte público da cidade, o descaso dos donos de empresas de ônibus e suas antigas ligações com políticos locais, o repasse de dinheiro público da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior para as empresas de transporte que já chegou a R$ 10 milhões, mas que não teve reflexo na melhoria do serviço oferecido. Não chegamos a falar da proposta de Tarifa Zero para o transporte público de São Luís, mas iniciamos a abordagem sobre os graves problemas de moradia e da falta de regularização fundiária que atingem a nossa ilha e criticamos a omissão e conivência da Câmara de Vereadores diante de tudo isso. Era o início do debate...

Desacostumados a sofrer pressão da sociedade a maioria dos parlamentares se mostrava cada vez mais nervosa diante de nossas falas. O vereador Sergio Frota, chamado a se explicar sobre um contrato milionário da HCG com a prefeitura de São Luís, se portou de maneira desequilibrada, chamando-nos de baderneiros, arruaceiros, mentirosos e chegando a ponto de fazer considerações racistas a um militante do Quilombo Urbano, uma pessoa que nem chegou a usar a tribuna.

Enquanto o clima ficava tenso no plenário, na galeria, um manifestante (estudante de mestrado da UFMA), levantava cartazes onde estava escrito: “eu já sabia”, “aí mente!”, “o coletivo me representa”, “não tememos ameaças, a verdade nos defende”, “esse fala bobagens”, “é uma falta de vergonha o teu despreparo”, “mais perdido do que cego em tiroteio”. Pronto! Estes singelos cartazes motivaram a ira de alguns vereadores e do presidente da Câmara, vereador Isaias Pereira, que acionou estupidamente a segurança para que agissem contra o dono dos cartazes e suspendeu a sessão posteriormente.

Sendo assim, por conta da intolerância, da disposição de impedir a liberdade de expressão e da ação violenta dos seguranças, houve grande tumulto na galeria. Várias pessoas foram agredidas! Na confusão, um segurança se aproveitou da situação e segurou, ostensivamente, o seio de uma manifestante (professora da UEMA), o que causou ainda mais indignação nos manifestantes.

Em pouco mais de três horas, a Câmara de Vereadores de São Luís, através de alguns seus diferentes integrantes, protagonizou atos de racismo, violência contra mulher, truculência, autoritarismo, censura a liberdade de expressão, intolerância as críticas e ao debate honesto e franco. Diante do desarranjo provocado por eles mesmos, alguns vereadores perguntavam: “cadê as lideranças que não conseguem conter as pessoas”. Não existem lideranças, vereadores! O que existe é uma justificável indignação coletiva!

O que vimos ontem na Câmara de Vereadores de São Luís é um reflexo da política maranhense, marcada por uma estrutura oligárquica, que se mantém no poder através do patrimonialismo e do brutal abuso de poder político e econômico. Por uma feliz coincidência, esta sessão na Câmara, com a nossa participação, ocorreu no mesmo dia em que o Procurador Geral da República deu parecer favorável a cassação do mandando da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, exatamente por abuso de poder político e econômico. São práticas como estas, usada por inúmeros detentores de mandato em nosso estado, que expõe a crise de representatividade que hoje assola o Brasil. É a mesma crise que tem levado milhões de pessoas a ruas do nosso país.

Por fim, lamentamos a postura subserviente de setores da imprensa conservadora do Maranhão, que com sua tradição de servir ao poder político e econômico, reproduziu o discurso mentiroso propagado pela Câmara. Diante de tudo isso, aqui da ilha de São Luís, a nossa decisão está tomada. Vamos, a partir de assembleias populares, denunciar e pressionar o poder público no Maranhão. Temos pautas a exigir e a violência institucionalizada não vai nos intimidar!

São Luís, 08 de agosto de 2013
Coletivo de Ocupação da Câmara de São Luís

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O INÍCIO DO FIM? A CASSAÇÃO DE ROSEANA E AS RELAÇÕES POLÍTICAS NO JUDICIÁRIO


Por Hugo Freitas
Historiador e Sociólogo

Finalmente, saiu o parecer do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, sobre o processo que pede a cassação dos mandatos da governadora Roseana Sarney Murad (PMDB) e do vice-governador Washington Luiz Oliveira (PT).

No parecer assinado em 30 de julho e divulgado somente nessa quarta (07), Gurgel é favorável à cassação dos referidos mandatos, entendo que houve abuso de poder político e econômico cometido pela governadora Roseana através de convênios realizados às vésperas das eleições de 2010. O procurador acolheu os argumentos da acusação de que esses convênios foram utilizados como "meio de cooptação de prefeitos e lideranças políticas e sindicais".

A acusação e o pedido de cassação foram feitos pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), representado pelos advogados Rodrigo Lago e Rubens Pereira Júnior, que também exerce atualmente o mandato de deputado estadual (PCdoB), sendo o líder da bancada oposicionista na Assembleia Legislativa.

Os advogados de Zé Reinaldo acusam Roseana de ter celebrado cerca de 979 convênios que beneficiaram diversos municípios maranhenses, nos quais a governadora obteve expressiva votação no pleito de 2010.

De acordo com a peça acusatória, os convênios assinados por Roseana Sarney chegam ao montante de cerca de R$ 1 bilhão com nítido caráter eleitoreiro (confira aqui os detalhes do pedido de cassação).

O processo segue agora para julgamento pelo pleno do Superior Tribunal Eleitoral (TSE) e tem como relatora a ministra Luciana Lóssio, que foi advogada de Roseana no processo de cassação do ex-governador Jackson Lago, resultando no retorno da filha de Sarney ao Executivo estadual, quando esta havia sido derrotada nas urnas, em 2006, pelo falecido pedetista.

Por conta da demora diante das graves e documentadas denúncias contra Roseana, o procurador Roberto Gurgel foi acusado de "dormir" no processo de cassação em favor de uma suposta aliança com o senador José Sarney, pai da governadora (acompanhe aqui).

Roberto Gurgel é favorável à cassação de Roseana Sarney

A partir desse aparente estado de "sonolência", foi protocolado no Senado um pedido de Impeachment contra Gurgel (leia aqui). Fato esse que, de alguma forma, deve ter influído para que o procurador-geral da República se pronunciasse sobre o processo e desse celeridade ao mesmo.

"Dezenas de prefeitos de oposição, filiados ao PSDB, PSB, PDT e PCdoB abandonaram completamente os candidatos Jackson Lago e Flávio Dino nas eleições para o governo do Estado e passaram a apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney Murad em troca dos convênios milionários, liberados às vésperas das eleições", argumentou o procurador-geral da República.

É interessante observar em todo esse imbróglio o quanto as relações políticas interferem e exercem grande influência nos pareceres dos órgãos jurídicos no Brasil, ou melhor, de seus digníssimos magistrados. Senão, vejamos.

O pedido de cassação foi feito pelo ex-governador "sarneysista" Zé Reinaldo, que rompeu com o grupo Sarney em 2003, quando venceu as eleições do ano anterior apoiado pela "grande família", vindo a grassar nas fileiras da "oposição" como "padrinho político" de Flávio Dino, atual presidente da Embratur e principal nome da "oposição" na disputa sucessória estadual de 2014.

Além disso, o pedido de impeachment no Senado contra Gurgel é de autoria de Aderson Lago, primo do falecido Jackson Lago, cassado em 2009 sob as mesmas acusações de "abuso de poder político e econômico", fato jurídico esculpido pelos adversários como "Golpe do Judiciário".

Roseana Sarney não fica por menos e tem na ministra do TSE, Luciana Lóssio, uma provável "aliada" neste processo de cassação, ou mesmo, uma última esperança, já que a magistrada atuou em favor de Roseana no "Golpe do Judiciário" de 2009.

Luciana Lóssio, última esperança de Roseana no TSE

Sem contar a guerra política travada na OAB/MA pela composição da lista tríplice envolvendo "aliados" de Roseana Sarney e Flávio Dino, de onde deverá sair o próximo desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão, em escolha feita pela governadora.

Não obstante, no parecer de Gurgel, aparece um dado "curioso". Roseana teria "comprado" apoio político de dezenas de prefeitos precisamente da "oposição", filiados ao PSDB, PSB, PDT e PCdoB. Nas palavras do procurador, estes representantes do povo "abandonaram completamente os candidatos Jackson Lago e Flávio Dino nas eleições [de 2010] para o governo do Estado e passaram a apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney Murad em troca dos convênios milionários".

A reflexão sugerida que dá título a este post é a de que a cassação de Roseana, caso seja consumada pelo TSE e, tenha certeza, prezado leitor, deverá chegar ao Supremo Tribunal Federal em ordem de recurso, é uma excelente oportunidade para se discutir as relações quase indissociáveis entre Política e Justiça no Brasil.

Muitos acreditam que a saída via judiciário de Roseana do comando do Governo do Maranhão, o que poderá torná-la inelegível para os próximos oito anos pela Lei da Ficha Limpa, poderá significar o fim da hegemonia do grupo Sarney na política local. A própria doença do patriarca da "grande família" - o senador José Sarney está com dengue e pneumonia - parece já indicar esse "fim simbólico".

Contudo, "mudança" no Maranhão não pode se restringir apenas à saída de um grupo e a entrada de outro no poder. Afinal, as bases sociais de sustentação política dos grupos que disputam espaços de poder no Maranhão são móveis e fluidas, e variam conforme as conjunturas eleitorais.

Basta observar o sem-número de exemplos que, cachoeiramente, pululam na imprensa maranhense sobre as prováveis alianças para 2014. Tem de tudo: PT e PCdoB, PCdoB e PSDB, PSB e PMDB, PMDB e PSDB, etc.

Além disso, existem inúmeros membros da família Sarney que exercem mandatos parlamentares no Maranhão e em Brasília, bem como integram partidos políticos onde ocupam cargos de direção, vide exemplo do Partido Verde (PV). O que sugere, no mínimo, que estes agentes da "oligarquia" sejam considerados no jogo político local e nacional para as próximas disputas eleitorais.

Soma-se à reflexão a existência de não apenas uma, mas de várias "oligarquias" que controlam diversos setores influentes na sociedade maranhense, seja no Legislativo, no Executivo, no Judiciário, na imprensa, nas legendas partidárias e entre o empresariado nativo.

Portanto, não existem garantias de que o nosso Estado trilhará novos rumos políticos a partir de 2014 com ou sem Roseana, pois os mesmos grupos que ora se digladiam, ora estão abraçados, irmanados pelo controle do dinheiro público e da estrutura político-administrativa do Estado, compondo assim o que chamo de "reconfiguração dos laços políticos".

Restam apenas sonhos, esperanças e perspectivas, ressalvado que mesmo estas águas calorosas podem desaguar em projetos políticos pessoais que as utilizam apenas como base discursiva eleitoral.

Maior exemplo disso é a prova fornecida pelo próprio Gurgel que, no parecer favorável à cassação de Roseana, aponta as figuras políticas que sonhavam de noite com a "mudança" pregada por Jackson e Flávio, e de dia estavam de $orri$o$ e olho$ aberto$ aos convênios milionários de Roseana, ajudando-a a se reeleger em 2010. Onde estão as alternativas para que essa lógica de poder mude efetivamente?

Não serão estes tão responsáveis quanto a "grande família" pelo "atraso" e os péssimos indicadores sociais do Maranhão? Aliás, como crer na "mudança" quando as práticas eleitoreiras que circundam a política maranhense são mais fortes que quaisquer projetos de desenvolvimento social e educacional? Como acreditar no discurso de figuras políticas que se abraçam com a "oligarquia" e se utilizam dela para também ocupar espaços de poder?

É necessário que se crie condições políticas e jurídicas que possibilitem a alternância de poder no Maranhão de forma constante e não apenas a cada 50 anos. É necessário que a Política (com "P" maiúsculo para remontar aos gregos) no Maranhão seja voltada para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida de uma população que padece de diversas doenças sociais há tempos, como a fome, a miséria, o analfabetismo, o desemprego, a falta de moradia, dentre inúmeras outras.

Não se prega aqui o fim do diálogo político, que sempre há de haver em se tratando de um país democrático, mas sim que os interesses do povo estejam acima dos interesses pessoais, que o desenvolvimento da população seja soberano em relação às intenções de perpetuação no poder, e que os projetos políticos estejam comprometidos a retirar o nosso Maranhão da posição incômoda de ser um dos piores Estados para se viver.

O povo tem nas mãos a oportunidade de aproveitar o momento histórico e político porque passa o Brasil e, também, o Maranhão para impedir que a coisa pública continue sendo tratada como bem privado pelos "donos do poder", para pôr fim, definitivamente, no protagonismo das oligarquias (e não apenas uma) e retirar dos grandes "figurões" da política, pertencentes às hordas dominantes e mais abastadas da sociedade, o controle do nosso Estado que, há tempos, é disputado e dominado como uma verdadeira "capitania hereditária".

terça-feira, 6 de agosto de 2013

"Brasil Nunca Mais" lança site com 900 mil páginas de processos da ditadura


O instituto "Brasil Nunca Mais" lançará, no próximo dia 9 de agosto, um site com acervo de 900 mil páginas de processos judiciais feitos durante a ditadura militar (1964-1985).

O espaço virtual Brasil Nunca Mais Digit@l estará disponível para consulta após o lançamento, feito das 9h45 às 14 horas, na sede da PRR-3 (Procuradoria Regional da República da 3ª Região). A unidade fica na avenida Brigadeiro Luís Antônio, 2020, no centro de São Paulo.

O material digitalizado revela torturas praticadas durante o período de recessão e foi colhido no período dos anos 1980 pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Conselho Mundial de Igrejas. Os arquivos fazem parte de um acervo de 710 processos julgados pelo STM (Superior Tribunal Militar).

O BNM Digit@l é uma parceria das seguintes entidades: Armazém Memória, Ministério Público Federal, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Instituto de Políticas Relacionais, Conselho Mundial de Igrejas, Comissão Nacional da Verdade, Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade de Campinas (Arquivo Edgard Leuenroth), Universidade Metodista de São Paulo, Center for Research Libraries, Arquivo Nacional e Rubens Naves, Santos Jr., Hesketh Escritórios Associados de Advocacia. O projeto também recebeu apoio do Superior Tribunal Militar e do Consulado Brasileiro em Chicago.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site http://www.dhnet.org.br/memoria/nuncamais/index.htm .

Fonte: Jornal GGN

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

NA UTI: PIORA O ESTADO DE SAÚDE DE SARNEY


Por Hugo Freitas

O senador José Sarney (PMDB/AP) foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (1º).

De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital, por volta das 22h45, Sarney apresentou “quadro de febre acompanhado de tremores” e foi submetido a exames. "As tomografias de encéfalo, seios da face e abdome demonstraram derrame pleural bilateral, infiltrado intersticial e uma nova opacificação da base do pulmão direito”. (Acompanhe a íntegra do boletim médico no final do texto).

José Sarney apresentou problemas de saúde durante o casamento de uma neta, no último domingo de julho (28/07), quando se sentiu mal e deu entrada no Hospital UDI, em São Luís, ficando internado por dois dias. Segundo boletim médico do dia 29/07, Sarney apresentava um quadro de "infecção respiratória aguda" (confira aqui).

Na última quarta-feira (31), Sarney havia sido transferido para o Hospital Sírio-Libanês (SP), depois de ter recebido alta médica no Maranhão, com um estado de saúde estável. A justificativa da família de transferir o senador para São Paulo foi a de realização de um "check-up", argumento que cai por terra diante da piora de seu quadro de saúde.

Em maio deste ano, Sarney foi levado para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal após sentir dores no peito. No ano passado, ele ficou internado em São Paulo após ter corrido risco de um infarto. Na ocasião, fez exames que detectaram o entupimento de uma artéria e foi submetido a um cateterismo seguido de uma angioplastia.

O ex-presidente da República (1985-1990) e ex-presidente do Senado Federal completou 83 anos em abril deste ano.

Boletim Médico

No início da noite de hoje (01/08/2013), o paciente José Sarney apresentou quadro de febre acompanhado de tremores. Submeteu-se a exames laboratoriais e de imagem. As tomografias de encéfalo, seios da face e abdome demonstraram derrame pleural bilateral, infiltrado intersticial e uma nova opacificação da base do pulmão direito. Por conta dos novos achados, clínicos e laboratoriais, a equipe médica optou pela transferência do paciente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O paciente está sendo atendido pelas equipes dos Profs. Drs. David Uip, Roberto Kalil e Carlos Gama.

Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira 
Diretor Técnico Hospitalar

Dr. Paulo Cesar Ayroza Galvão
Diretor Clínico