quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

HOMENAGEM PÓSTUMA: Sede nacional do PCdoB se chamará "Edifício Oscar Niemeyer"


“Para o PCdoB, a história de uma figura do relevo de Niemeyer tem um grande significado. De modo que o PCdoB pretende homenageá-lo batizando o edifício da sede nacional do Partido Comunista do Brasil de ‘Edifício Oscar Niemeyer’”, falou com emoção de Brasília, para o programa “Palavra do Presidente”, Renato Rabelo.

De acordo com o presidente do PCdoB, serão realizadas diversas atividades para ressaltar as contribuições do arquiteto. “Nossa militância precisa ter em mente o que foi ter em nossas trincheiras uma figura como Niemeyer”, externou Renato.

“Militante desde a década de 1940 do Partido Comunista do Brasil, Oscar Niemeyer foi um homem de convicções e coerência que o distinguiram ao longo de sua vida. Ele foi um homem que optou pelas ideias revolucionárias do comunismo. Foi um homem que sempre questionou e buscou compreender os problemas do povo brasileiro”, declarou o dirigente.

Renato lembrou que “ele lutou por um mundo novo, uma nova sociedade. E como disse Eduardo Galeano, Oscar Niemeyer, ao longo de sua vida, foi inimigo do ângulo reto e do capitalismo”.

“Falamos de um homem engajado enquanto viveu. Por isso o PCdoB homenageia essa grande personalidade que deixa para nós uma marca indelével. Durante sua vida, se comprometeu com os processos políticos mais avançados e, sempre destemido, não hesitou em apoiar todo esse processo de luta democrática, de luta civilizatória do nosso tempo”, finalizou o dirigente.

Com informações do Portal Vermelho

MORRE OSCAR NIEMEYER, O GÊNIO HUMANISTA DA ARQUITETURA

*15 de dezembro de 1907 +05 de dezembro de 2012

Por Hugo Freitas

Morreu na noite desta quarta-feira (05), aos 104 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer.

Reconhecido em todo o mundo como um dos grandes expoentes da arquitetura moderna, Niemeyer morreu por volta das 22h, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, na companhia da mulher, Vera Lúcia, 67, e de familiares.

O carioca, que completaria 105 anos no próximo dia 15, se tornou referência mundial na arquitetura ao dar novas formas à utilização do concreto, identificadas principalmente nas curvas (sua marca registrada) que desenhava com suntuosidade e maestria para edificações consideradas pela crítica como "obras faraônicas".

Seus mais famosos projetos estão na cidade de Brasília, destacando-se entre eles o Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e o edifício do Congresso Nacional. Também projetou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, o famoso "disco voador" do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ) e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

O homem que ajudou a tirar do papel a capital federal, durante a presidência de Juscelino Kubitschek, deixou sua marca também em várias cidades do mundo ao longo do século XX. Durante o auto-exílio, em decorrência da tomada do poder pelos militares golpistas no Brasil em abril de 1964, Niemeyer projetou obras na França, na Argélia, e nos EUA, onde notabilizou-se ao projetar o prédio que abriga a sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

Filiado e militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) de 1945 até o início dos anos 1990, o célebre arquiteto fez diversos projetos gratuitamente, em benefício das causas que inspiravam sua construção, conquistando a admiração de personalidades mundiais, do líder cubano Fidel Castro - que o comparou ao pintor renascentista Michelangelo - ao astro de Hollywood Brad Pitt.

Talvez, o maior diferencial de Niemeyer aos demais arquitetos de sua geração tenha sido a exteriorização da humanidade que carregava consigo. Certa vez, disse: "É necessário protestar contra a miséria, as injustiças, as desigualdades. A arquitetura não muda a vida dos pobres. Para mudá-la, é preciso sair às ruas e protestar".

Aliás, relembrando a construção de Brasília, o renomado arquiteto declarou ter ficado profundamente decepcionado pelo fato do simbolismo de modernidade e esperança que a capital federal significou para os "candangos" que a ajudaram a construir não ter se materializado em oportunidades e melhorias de vida para essa gente, hoje abandonados à própria sorte nas periferias da cidade.

Assim, se vai o gênio humano da arquitetura, que ao longo de seus 104 anos mostrou ao mundo que até a frieza do concreto pode se render à sensibilidade do artista.

"A vida é um sopro, é um vento, é um minuto" (Oscar Niemeyer)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CPI DA CBF: Protocolado pedido na Câmara Federal


Por Hugo Freitas

O deputado federal Romário protocolou nesta terça-feira (04), na Câmara Federal, o pedido de CPI da CBF.

Romário pretende abrir uma investigação sobre a vida financeira da CBF, a partir de várias denúncias de irregularidades envolvendo a imagem da Seleção Brasileira. Uma dessas irregularidades seria o pagamento de publicidade da empresa aérea TAM a laranjas do ex-presidente Ricardo Teixeira.

Depois de protocolar o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito, o deputado terá de recolher 171 assinaturas de parlamentares para que o assunto seja encaminhado à Mesa da Câmara, que decidirá sobre a instalação ou não da CPI.

Outros nove pedidos de CPI aguardam na Mesa da Câmara. Com isso, o requerimento de Romário deverá ser analisado somente em 2013.

Com informações de UOL e Lancenet

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"O PAPA É POP": Vaticano lança conta do Papa no Twitter

Papa Bento XVI 

Por Hugo Freitas

O Vaticano lançou nesta segunda-feira (03) a conta do papa Bento XVI na rede social Twitter, que já possui mais de 7 mil seguidores de todo o mundo.

A chegada do papa no Twitter mostra a importância que o Vaticano dá às redes sociais para divulgar o Evangelho.

Embora seja pouco provável que Bento XVI, de 85 anos, escreva diretamente os pequenos textos de até 140 caracteres, o papa os aprovará antes de serem postados, asseguraram fontes vaticanas.

Segundo informou a assessoria de comunicação do papa, o gerenciamento da conta começará com reflexões sobre o Ângelus Dominical e seguirá falando de outros assuntos de interesse da Igreja.

Embora o bispo de Roma não navegue pela internet, como revelou uma fonte, ele pede com frequência a seus colaboradores que realizem buscas pela rede.

Vale lembrar que Bento XVI inaugurou no ano passado o portal multimídia do Vaticano na internet, News.va, com uma mensagem através da rede. "Queridos amigos, acabo de lançar o News.va. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Com minhas orações e bençãos", escreveu à época.

Segundo Bento XVI, em documento emitido na Jornada Mundial da Juventude, a Igreja precisa usar todos os meios de comunicação a seu alcance, inclusive a internet, para divulgar o Evangelho e apresentar Cristo ao mundo.

Além de usar a rede para divulgar as atividades do pontífice, da Igreja e da Santa Sé, há três anos o Vaticano criou um site conectado à rede social Facebook, através da qual os usuários podem trocar postagens e tomar conhecimento de discursos e mensagens do pontífice. Na página virtual, também podem ser acessados vídeos de notícias sobre o Vaticano e o sumo sacerdote.

A inserção do dirigente máximo da Igreja Católica na internet e nas redes sociais evidencia, sob a alcunha de "levar a mensagem do Evangelho ao mundo", uma ação estratégica da hierarquia eclesiástica de angariar novos adeptos, especialmente os jovens que trafegam nas redes virtuais, como uma das formas de fazer frente ao crescimento de outras vertentes religiosas concorrentes que ameaçam o domínio do poder católico, como o protestantismo e o islamismo.

É cada vez mais atual a canção que diz: "O Papa é Pop e o Pop não poupa ninguém".

Confira a conta do papa no Twitter: @Pontifex_pt

Com informações da agência internacional EFE

sábado, 1 de dezembro de 2012

A MÍDIA BRASILEIRA E O CONFLITO NA FAIXA DE GAZA


Por Hugo Freitas
Historiador e Sociólogo

Não é de se estranhar o fato de que os veículos de comunicação no Brasil sempre assumam posicionamentos a favor do "mais forte" em conflitos armados mundo afora.

Mas no caso específico das atuais agressões entre israelenses e palestinos, é gritante e absurda a forma como os programas jornalísticos abordam o tema.

Para clarificar a argumentação, desde que o líder palestino Ahmed Al-Jaabari foi assassinado pelo exército de Israel, dando início ao atual conflito na Faixa de Gaza, que já ceifou a vida de quase duzentos palestinos, sendo a metade civis, e apenas seis israelenses, o "Jornal Nacional" (JN) vem veiculando matérias que se detiveram apenas à reprodução dos estigmas fabricados pelos israelitas.

Ao tratar de Israel, o JN resume-se a abordar o Estado judaico como a "vítima" do conflito, sempre se "defendendo" dos "ataques terroristas" dos árabes-palestinos. Por sua vez, o grupo que governa legitimamente a Faixa de Gaza, o Hamas, é pincelado como "o inimigo da paz", constituído por guerrilheiros que "utilizam a população civil como escudo".

Tal construção textual das matérias veiculadas no principal produto jornalístico da Rede Globo evidencia o caráter detrator do JN em relação aos palestinos e reificador da legitimidade de defesa do território israelense. Convém ressaltar que Israel é um Estado reconhecido pela Organização das Nações Unidas, enquanto que a Palestina não goza de tal "prestígio".

O absurdo da "falta de criticidade" da mídia nacional, contudo, não se resume apenas ao JN. Assistindo ao "Bom Dia Brasil", também da Globo, na semana em que os conflitos se intensificaram, os âncoras do referido programa salientaram a "necessidade", sempre legítima, de "Israel se defender dos ataques", negando assim o mesmo princípio de defesa aos palestinos.

A versão adotada pela Globo em seus noticiários é a mesma produzida por Israel. Na versão judaica, balizada por toda imprensa nacional "tradicional", os conflitos são uma "resposta de Israel" aos foguetes de curto alcance lançados pelos palestinos ao sul das cidades israelitas.

Outro produto jornalístico nacional ao qual pude assistir tratando do tema em foco foi o "Canal Livre", da Band. De frequência dominical e num formato de debate, estiveram presentes no programa do último domingo o presidente da Federação Israelita em São Paulo e um professor da Fundação Getúlio Vargas.

Foi interessante (do ponto de vista das ciências sociais) e preocupante (do ponto de vista moral) contemplar as falas dos respectivos partícipes.

Enquanto o professor tentava levar o debate para o campo do conhecimento, trazendo dados e informações sobre o que ocorre com os palestinos em solo israelense, que rotineiramente convivem com a restrição de direitos básicos, como o de ir e vir livremente, o representante judeu tratava de enfatizar o aspecto de "ameaça à segurança judaica", pintando o Hamas como "grupo terrorista que precisa ser combatido".

Se considerarmos que cada pessoa expõe em sua fala tudo aquilo o que carrega consigo, sua cultura, posicionamento político, crença religiosa, etc, cada um dos debatedores reforçou a validade de tal premissa.

O preocupante, no entanto, foi o fato dos jornalistas que compunham a mesa terem incorporado o discurso israelense, naturalizando o direito de defesa do povo judeu e negando o mesmo princípio aos palestinos. Perspectiva que ficou ainda mais nítida quando o representante de Israel defendeu obstinadamente o fato de seu país possuir bombas nucleares, sem dar o mesmo mérito para os demais países do Oriente Médio, especialmente a Palestina, com a avaliza dos jornalistas ali presentes, que tiveram a pachorra de perguntar ao professor se não seria "perigoso" uma bomba nuclear nas mãos do Hamas.

Ainda assim, o auge do debate se deu quando o representante judeu falou, no mesmo bloco, sobre a "Educação para a Paz" ensinada nas escolas israelenses, ao passo que classificou o conflito em Gaza como uma luta entre "barbárie e civilização", obviamente tratando os judeus como os "civilizados".

Obteve como resposta do professor a exposição dos fatores que constituem um verdadeiro "apartheid" imputado pelos israelenses aos palestinos que habitam a região que, resumidamente, não gozam dos mesmos direitos dos judeus.

Se foi louvável a iniciativa do programa da Band em trazer para o debate um professor universitário em contraste a um representante de um dos lados do conflito (pecando no fato de não trazer nenhum representante dos palestinos, papel que coube ao próprio professor, esmiuçando aspectos que Israel tenta esconder ou negar), os posicionamentos assumidos e os questionamentos feitos pelos jornalistas aos dois convidados, particularmente ao professor, salientando a beligerância do Hamas, acabaram por reificar e naturalizar um suposto caráter "anti-paz" do povo palestino, negando todo um processo histórico que levou ao massacre de milhões de árabes em toda a região do Oriente Médio.

A certeza a que se chega é a de que não existe "paz" sem justiça social, e de que não haverá "paz" enquanto uns tiverem que subsumir às imposições de outros. Ninguém estará seguro enquanto a "segurança" for argumento estratégico utilizado para minimizar o poder de defesa do adversário. Ninguém estará seguro enquanto apenas alguns países ditos "civilizados" impuserem suas condições ao mundo e se arvorarem como os únicos possuidores legítimos do direito de defesa, contando com a subserviência dos veículos de comunicação "aliados".

A Paz não é apenas o antônimo da Guerra. A Paz é o corolário da Justiça.